Scarface
Filme

Scarface

"Al Pacino queimou a própria mão na cena final e o hip-hop salvou o filme do esquecimento."

★ 8.2 1983 2h 46m 18 Ação · Crime · Drama

Scarface é o épico de crime de 1983 dirigido por Brian De Palma com roteiro de Oliver Stone, lançado pela Universal Pictures. Al Pacino vive Tony Montana, refugiado cubano que chega a Miami durante o êxodo de Mariel em 1980…

Diretor
Brian De Palma
Elenco
Al Pacino, Steven Bauer, Michelle Pfeiffer
Produção
Universal Pictures, Martin Bregman Productions
Origem
EUA

Onde Assistir Scarface no Brasil

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Sinopse

Scarface é o épico de crime de 1983 dirigido por Brian De Palma com roteiro de Oliver Stone, lançado pela Universal Pictures. Al Pacino vive Tony Montana, refugiado cubano que chega a Miami durante o êxodo de Mariel em 1980 e vira poderoso traficante. Steven Bauer é Manolo Manny Ribera, Michelle Pfeiffer encarna Elvira Hancock, Mary Elizabeth Mastrantonio é a irmã Gina, Robert Loggia faz Frank Lopez, F Murray Abraham é Omar Suarez e Paul Shenar vive Alejandro Sosa, baseado no traficante boliviano Roberto Suárez Gómez. Trilha de Giorgio Moroder com Push It to the Limit de Paul Engemann. Remake do clássico de Howard Hawks de 1932.

Análise — Notícias Flix

Scarface chegou aos cinemas em dezembro de 1983 como remake do clássico de Howard Hawks de 1932, que tinha Paul Muni como Tony Camonte, gangster italo-americano inspirado em Al Capone. A ideia de atualizar o personagem veio com mudanças de contexto e de nacionalidade que reconfiguraram a narrativa para os anos 1980.

Sidney Lumet foi o primeiro diretor contratado e teve a ideia decisiva: transformar o italiano original em refugiado cubano da operação Mariel, êxodo de mais de 125 mil cubanos para Miami em 1980. Lumet saiu por divergências, queria filme mais político e achou o roteiro de Oliver Stone violento demais.

Brian De Palma assumiu a direção, com o próprio Oliver Stone escrevendo o roteiro em Paris enquanto se recuperava da própria dependência em cocaína. A distância geográfica funcionou como cura forçada e abasteceu a paranoia visceral do texto, imprimindo um tom quase febril ao material.

O casting de Tony Montana passou por Robert De Niro, que recusou apesar de ter recomendado Brian De Palma a Pacino quando o ator buscava um diretor. Pacino e De Niro eram amigos próximos desde o fim dos anos 1960, laço que aparece nas histórias de bastidores do filme.

Para o sotaque cubano caricato, Pacino trabalhou com a treinadora vocal Robert Easton e com o ator cubano Steven Bauer, que vive Manny Ribera no filme. O resultado foi acusado de exagero pela comunidade cubano-americana de Miami, que protestou alegando que o roteiro retratava cubanos exilados como criminosos.

O vereador Demetrio Pérez Jr chegou a redigir resolução para banir as filmagens em propriedade municipal de Miami. A produção obteve aval mas remanejou a maior parte dos sets para Los Angeles, filmando apenas duas semanas em Miami, buscando contornar a resistência local.

A mansão El Fureidis perto de Santa Barbara foi usada como a propriedade opulenta de Tony Montana. O elenco se completa com Michelle Pfeiffer como Elvira Hancock, Mary Elizabeth Mastrantonio como Gina Montana, Robert Loggia como Frank Lopez, F Murray Abraham como Omar Suarez e Paul Shenar como Alejandro Sosa.

A figura de Alejandro Sosa foi baseada no traficante boliviano Roberto Suárez Gómez e não em Pablo Escobar como o mito popular afirma. Essa distinção é importante para entender as raízes reais de alguns elementos do enredo e da geopolítica do tráfico retratada no filme.

A classificação X arrancada em apelação virou caso clássico. A MPAA atribuiu X inicialmente por violência excessiva e cumulativa e linguagem, levando De Palma a fazer cortes mínimos e recorrer, vencendo o recurso em 8 de novembro de 1983 por 17 votos a 3.

Meses depois, o diretor admitiu publicamente ter exibido a versão sem cortes nos cinemas. O filme contém 226 instâncias de profanidade, com a palavra fuck aparecendo cerca de 207 vezes em 170 minutos, recorde da época e marca do uso extremo de linguagem para caracterizar aquele universo.

A cena mais dolorosa para o protagonista veio no clímax. Durante a gravação da batalha final na escadaria, Pacino disparou um M16 acoplado a lança-granadas, atirou cerca de 30 vezes e detonou granadas, tropeçando depois e apoiando a mão esquerda direto no cano em brasa, sofrendo queimadura grave.

A produção parou por mais de uma semana enquanto ele se recuperava no hospital. No livro de memórias Sonny Boy, o capítulo sobre Scarface abre justamente com a cena da médica perguntando se ele era mesmo Al Pacino, enfatizando o trauma e a imersão do ator.

A recepção crítica inicial foi majoritariamente negativa; críticos detonaram a violência e o tom excessivo, mas Roger Ebert deu 4 estrelas de 4. Ebert comparou o filme a O Poderoso Chefão por ousar humanizar um homem maligno, elogiando a interpretação agressiva e exagerada de Pacino.

O Rotten Tomatoes registra hoje 77% de aprovação com 83 críticas e audiência em 93% no Popcornmeter. A bilheteria original foi de US$ 66,4 milhões mundialmente sobre orçamento entre US$ 23,5 e US$ 37 milhões, números que mostram sucesso comercial apesar das controvérsias.

A trilha de Giorgio Moroder ganhou indicação ao Globo de Ouro de Melhor Trilha Original em 1984, com Push It to the Limit de Paul Engemann, Rush Rush de Debbie Harry e Vamos a Bailar de Maria Conchita Alonso entrando no tracklist. A música ajudou a marcar a atmosfera dos anos 1980 do filme.

O impacto cultural veio depois e mudou tudo; o filme foi desenterrado pelo hip-hop a partir dos anos 1990. Citações e samples apareceram em músicas de 2Pac, Nas, The Notorious B I G, Raekwon, Mobb Deep, Jay-Z e Drake, alimentando nova vida e leitura do filme.

Nas batizou The World Is Yours do álbum Illmatic inspirado no zepelim que cruza a tela do filme. Jay-Z transformou o monólogo da cena dos pratos sujos em intro de Can't Knock the Hustle, enquanto Mobb Deep sampleou Moroder em G O D Parte 3 e em It's Mine com Nas.

Em 2003, a Def Jam lançou compilação Music Inspired by Scarface. O próprio Pacino reconhece publicamente que deve a sobrevida cultural do personagem aos rappers, com Steven Bauer resumindo: Scarface estava morto e enterrado até o hip-hop redescobrir o filme.

A frase Say hello to my little friend ocupa o 61º lugar na lista das 100 maiores frases do cinema do American Film Institute. Um remake foi anunciado pela Universal em 2020 com roteiro dos irmãos Coen, ambientado em Los Angeles, e passou por mudanças de direção.

Luca Guadagnino estava na direção mas deixou o projeto em novembro de 2023, e o filme segue órfão de diretor até maio de 2026. Enquanto isso, Scarface de 1983 permanece um ícone controverso, reavaliado constantemente por estética, violência e legado cultural.

Bilheteria

Orçamento
US$ 25 mi
Arrecadação mundial
US$ 66 mi
Retorno
2,6× o orçamento

Ficha técnica

Roteiro
Oliver Stone
Fotografia
John A. Alonzo
Trilha sonora
Giorgio Moroder
Edição
David Ray
Duração
166 min

Curiosidades sobre Scarface

Datas-chave

  1. Lançamento mundial

Elenco principal

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