Top Gun: Ases Indomáveis (Top Gun) e Top Gun: Maverick vão voltar aos cinemas brasileiros em uma ação da Paramount Pictures pelos 40 anos do filme de 1986. A janela é de uma semana, e o pacote junta dois títulos que contam histórias bem diferentes: um virou ícone pop; o outro virou bilhão.
Faz sentido. Top Gun foi feito para sala escura, som alto e cadeira tremendo. Quem conheceu Maverick só no streaming agora tem a chance de ver de onde saiu essa franquia.
Do clássico de 1986 ao bilhão de 2022
Os números contam a mudança de tamanho da marca. Top Gun: Ases Indomáveis fechou sua carreira com cerca de US$ 357 milhões no mundo e hoje aparece com 58% no Rotten Tomatoes. Já Top Gun: Maverick pulou para US$ 1,496 bilhão e cravou 96% no Rotten Tomatoes.
Na crítica, o abismo também aparece no Metacritic: 50 para o original, 78 para a continuação. Um foi muito maior como imagem, trilha e estilo. O outro acertou em cheio também como filme.
| Filme | Ano | Direção | Elenco principal | Duração | Rotten Tomatoes | Metacritic | Bilheteria mundial | Onde assistir agora no Brasil |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Top Gun: Ases Indomáveis | 1986 | Tony Scott | Tom Cruise, Kelly McGillis, Val Kilmer, Anthony Edwards, Tom Skerritt, Meg Ryan | 109 min | 58% | 50 | US$ 357 milhões | Cinemas brasileiros, em relançamento limitado |
| Top Gun: Maverick | 2022 | Joseph Kosinski | Tom Cruise, Miles Teller, Jennifer Connelly, Jon Hamm, Glen Powell, Ed Harris, Val Kilmer | 131 min | 96% | 78 | US$ 1,496 bilhão | Cinemas brasileiros, em relançamento limitado |
Não tem como ignorar esse contraste. O primeiro cresceu no VHS, na TV e na cultura pop. Maverick fez o raro: voltou décadas depois e saiu melhor avaliado, mais emocionante e muito mais lucrativo.

O original virou mito. A sequência virou filme melhor
Isso diminui Top Gun: Ases Indomáveis? Nem um pouco. O longa de Tony Scott ajudou a fabricar a imagem de Tom Cruise como astro e transformou jaqueta, óculos aviador e trilha sonora em símbolo dos anos 1980.
Mas olhando hoje, sem nostalgia no volume máximo, ele é mais estilo do que profundidade. Já Maverick tem roteiro mais firme, drama mais maduro e uma ponte emocional que o original nunca chegou perto de construir.
Tem ainda um detalhe que pesa muito: Val Kilmer. A presença dele nos dois filmes dá à franquia uma continuidade afetiva que vai além de caça supersônico e pose de piloto.
Por que a Paramount puxou os dois de uma vez
Porque um completa o outro. Rever o filme de 1986 antes ou depois de Maverick muda a leitura da sequência. O reencontro com Iceman, a culpa pelo passado e o medo de envelhecer batem mais forte quando o espectador tem o original fresco na cabeça.
Tem também a lógica do mercado. Sessão de catálogo comum vende lembrança. Top Gun vende evento. Jato cortando nuvem, motor rugindo no surround e Tom Cruise filmado como quem ainda precisa provar alguma coisa.
Lá fora, a comemoração veio até com baldes de pipoca e copos colecionáveis inspirados nos capacetes dos pilotos. Quando o estúdio empacota desse jeito, a mensagem é clara: não é replay qualquer.
Top Gun ainda é cinema de sala
Vale pegar ingresso para rever algo que já passou na TV mil vezes? Nesse caso, sim. O original vive da montagem nervosa de Tony Scott, da música estourando e da sensação de velocidade. Em casa funciona. No cinema, cresce.
Maverick cresce ainda mais. A continuação foi desenhada para parecer física, pesada, apertada. Não é um filme que impressiona só pelo tamanho da tela, mas pelo som de turbina e pela tensão de cada manobra.
Na prática, ele conversa mais com Duna: Parte Dois e Missão: Impossível do que com relançamento nostálgico de prateleira. É menos “lembrar de um clássico” e mais “rever uma máquina de entretenimento funcionando direito”.
A parte importante é simples: a ação chega ao circuito brasileiro por tempo limitado, então a grade deve mudar conforme rede e cidade. Quem prefere sessão dublada ou legendada vai precisar checar a programação local antes de comprar.
Esse retorno também serve para dois públicos bem diferentes. De um lado, quem viu Top Gun: Ases Indomáveis na TV aberta e nunca pegou uma exibição em tela grande. Do outro, quem entrou na franquia por Maverick e agora pode montar o pacote completo.
Tom Cruise continua vendendo replay como evento
Tem uma leitura óbvia nesse relançamento. Poucas marcas dos anos 1980 ainda conseguem voltar ao cinema sem cara de produto requentado. Top Gun consegue porque a franquia se apoia em duas coisas que não envelhecem fácil: carisma de estrela e espetáculo físico.
A Paramount confirmou a volta dos dois filmes ao circuito brasileiro, e esse é o caminho garantido agora para assistir no Brasil: sala de cinema. Num mercado em que muito catálogo some no streaming sem fazer barulho, quantas franquias de 1986 ainda conseguem transformar reprise em evento?