Os próximos filmes animados da Netflix já ficaram mais nítidos depois de Guerreiras do K-Pop explodir no Top 10. A fila mistura stop-motion sombrio, conto de fadas virado do avesso, sci-fi noir e um projeto de Wonka ainda cercado de névoa.
E não, o recordista não se chama Como Mágica no Brasil.
Por aqui, o título oficial é Guerreiras do K-Pop. Foi esse filme que abriu 15,5 milhões de visualizações em três dias, chegou a 38,7 milhões na semana de 4 a 10 de maio e bateu 54,2 milhões em dez dias.
Guerreiras do K-Pop virou o novo teto
A Netflix achou um filão. Segundo o Top 10 global oficial da plataforma, a animação virou a maior estreia semanal de um filme animado na história do serviço.
Não é pouca coisa. A Netflix já tinha acertado com Nimona e A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas, mas agora o plano parece mais amplo: projetos com perfis muito diferentes dividindo a mesma esteira.

O movimento faz sentido. Em vez de correr atrás de outro clone do hit, a plataforma espalhou as fichas em quatro frentes: autoral, familiar, nostálgica e futurista.
Quatro filmes, quatro apostas bem diferentes
| Filme | Janela de estreia | Estilo | Nome forte por trás | Plataforma no Brasil |
|---|---|---|---|---|
| Soy Frankelda | 16/06/2026 | Stop-motion, fantasia sombria, terror | Arturo Ambriz, Roy Ambriz e Guillermo del Toro | Netflix |
| Como Irmãs | 2026 | Comédia, fantasia, animação familiar | Amy Poehler e Paper Kite Productions | Netflix |
| Ray Gunn | Final de 2026 | Sci-fi noir, ação, art déco | Brad Bird | Netflix |
| Projeto de Willy Wonka | 2027 | Releitura de IP clássica | Universo Roald Dahl | Netflix |
Soy Frankelda chega primeiro
Esse é o título mais “prestígio” da leva. Soy Frankelda estreia em 16/06/2026 e vem do México em stop-motion, com direção de Arturo Ambriz e Roy Ambriz e apoio criativo de Guillermo del Toro.
A trama acompanha Frankelda, uma escritora do século 19 puxada para o próprio subconsciente, onde seus contos macabros ganham vida. O apelo aqui é menos “filme para criançada” e mais fantasia sombria para jovem adulto.
Tem outro detalhe bom. O longa já passou pelos cinemas em circuito limitado e fez mais de US$ 880 mil, o que dá alguma pista de interesse antes mesmo da estreia no streaming.
Como Irmãs mira o público mais amplo
Se Soy Frankelda é o lado sombrio, Como Irmãs é a aposta pop. O filme, conhecido fora do Brasil como In Your Dreams, reimagina a história da Cinderela pelo olhar das irmãs malvadas.
O elenco de vozes chama atenção: Ali Wong vive Lilith, Stephanie Hsu interpreta Margot e Amanda Seyfried faz Cinderela. Amy Poehler produz com a Paper Kite, o que já sinaliza uma pegada de comédia mais afiada.

É o projeto com mais cara de sessão em família. Também parece o mais fácil de dublar e circular bem no catálogo brasileiro, onde esse tipo de conto de fadas torto costuma funcionar rápido.
Ray Gunn pode virar o evento do ano
Aqui o peso criativo fala alto. Ray Gunn é dirigido por Brad Bird, o nome de Os Incríveis, Ratatouille e O Gigante de Ferro.
A premissa é ótima: o detetive Raymond Gunn investiga um caso com alienígenas, assassinato e a estrela Venus Nova em uma cidade futurista imaginada a partir de 1939. Pense em noir com art déco e cara de futuro velho.
É o tipo de animação que pode virar conversa fora da bolha infantil. Se entregar visual e ritmo, entra fácil na fila dos lançamentos mais comentados da Netflix no fim do ano.
Wonka ainda é o mais nebuloso
O quarto projeto é o mais curioso e o mais indefinido. A Netflix desenvolve uma nova animação ligada ao universo de Willy Wonka, prevista para 2027, mas ainda sem título brasileiro oficial consolidado.
A ideia é mostrar Wonka saindo da prisão e tentando reabrir a fábrica em uma Londres atual. Estranho? Bastante. E justamente por isso chama atenção, porque foge do caminho mais óbvio da obra de Roald Dahl.
Qual tem mais cara de repetir o barulho?
Em audiência pura, Como Irmãs larga com vantagem. Conto conhecido, elenco popular e humor mais aberto costumam viajar melhor dentro da Netflix.
Mas o filme com mais chance de virar assunto entre crítica e público cinéfilo é Ray Gunn. Brad Bird não aparece todo dia, e esse visual retrofuturista tem cara de frame que vai circular muito.
Soy Frankelda, por outro lado, pode ser o queridinho do nicho. Se funcionar como Pinóquio por Guillermo del Toro funcionou, a Netflix ganha prestígio sem precisar disputar o mesmo público do hit coreano.

O projeto de Wonka é a carta mais arriscada. Mexer com uma IP clássica ajuda na curiosidade, mas também cobra caro se a releitura parecer esquisita demais.
A próxima leva chega direto à Netflix
Para o público brasileiro, a parte prática é simples: todos os projetos citados estão na rota da Netflix. O único com data fechada até agora é Soy Frankelda, marcado para 16/06/2026.
Como Irmãs e Ray Gunn seguem previstos para 2026, enquanto o novo filme de Willy Wonka fica para 2027. A plataforma ainda não detalhou todas as opções de idioma de cada lançamento, mas animações desse porte costumam chegar ao catálogo nacional com dublagem e legendas em português.
Depois de 54,2 milhões de visualizações em dez dias, a régua subiu. A dúvida agora não é se a Netflix vai insistir em animação original — é qual desses filmes aguenta o peso de vir logo depois de Guerreiras do K-Pop.