Steps, nova animação da Netflix, ganhou um reforço de peso: Bette Midler será a Fada Madrinha. O filme reconta Cinderela pelo olhar das irmãs postiças e virou uma aposta bem mais interessante depois desse anúncio.
Tem cara de conto de fadas? Tem. Mas o pacote parece mais torto, caótico e engraçado do que o padrão.
Ficha rápida de Steps
| Item | Detalhe |
|---|---|
| Título | Steps |
| Tipo | Filme animado |
| Gênero | Fantasia, comédia e releitura de conto de fadas |
| Direção | Alyce Tzue e John Ripa |
| Produção | Jane Hartwell, Kim Lessing e Amy Poehler |
| Elenco de voz | Bette Midler, Ali Wong, Stephanie Hsu e Amanda Seyfried |
| Estúdio | Netflix Animation Studios |
| Status | Em produção |
| Estreia | 2026 |
| Plataforma no Brasil | Netflix |
A parte industrial chama atenção logo de cara. Steps é o primeiro longa totalmente produzido dentro da Netflix Animation Studios, sem depender de um estúdio externo para tocar o filme inteiro.
Não é detalhe pequeno. É a Netflix dizendo que quer ter uma cara própria em animação.

Bette Midler puxa um elenco que faz sentido
Bette Midler entra como Fada Madrinha, e a escalação conversa direto com a imagem dela em Abracadabra (Hocus Pocus). Não porque o filme vá repetir aquela energia, mas porque Midler sabe vender exagero, ironia e presença só com a voz.
Ao lado dela, Ali Wong vive Lilith, Stephanie Hsu dubla Margot e Amanda Seyfried será a própria Cinderela. É um trio forte: Wong tem timing cômico afiado, Hsu adora personagens caóticos e Seyfried segura bem o lado mais clássico.
Tem mais gente importante atrás das câmeras. John Ripa foi co-diretor de Raya e o Último Dragão (Raya and the Last Dragon), e Amy Poehler aparece como produtora via Paper Kite Productions.
Boa sacada. Você mistura elenco pop, direção experiente em animação e uma produtora que entende comédia. Já é mais do que “filme novo da Netflix”.
Cinderela sai do centro e as irmãs tomam a história
A sinopse oficial publicada no Tudum deixa claro que a ideia aqui não é refazer Cinderela com maquiagem nova. Lilith e Margot estão cansadas de viver à sombra da irmã.
Lilith então rouba a varinha da Fada Madrinha e interrompe o Baile Real. A bagunça abre espaço para Priscilla, uma vilã oportunista, tomar o trono e empurrar o reino para a tirania.
Depois, a trama vai para um lado ainda mais estranho. Lilith precisa se juntar à própria Cinderela para enfrentar trolls motociclistas, capangas malignos e a tal Screaming Woods.
Sim, parece maluquice. E isso joga Steps para mais perto de Shrek do que de uma versão certinha da Disney.
Esse é o melhor sinal até agora. Releitura de conto de fadas virou fórmula faz tempo, então o filme precisa de personalidade logo no conceito. Irmãs postiças ressentidas, baile sabotado e trolls de moto já entregam algum tempero.
A Netflix tenta acertar onde ainda não tem identidade forte
A plataforma já emplacou séries animadas e alguns títulos elogiados, mas em longas ela ainda não virou referência do jeito que Pixar, Disney e DreamWorks viraram. Steps parece uma tentativa bem calculada de mudar isso.
Tem um conto reconhecível, mas sem ser adaptação direta. Tem humor. Tem elenco famoso. E tem cara de obra original, não de produto montado no piloto automático.
Também ajuda o momento do mercado. Depois de filmes como Malévola (Maleficent), Enrolados (Tangled) e Wish: O Poder dos Desejos (Wish), o público já aceitou que conto de fadas pode ser mexido sem pedir desculpas.
A diferença é o foco. Em vez de tentar “humanizar a vilã” do jeito mais óbvio, Steps coloca as irmãs no volante e parece usar a rivalidade familiar como motor. Isso lembra mais Encanto na dinâmica entre personagens do que um remake clássico de princesa.
E tem outra camada. Se esse filme funcionar, a Netflix ganha não só um lançamento forte, mas um cartão de visitas para a sua própria divisão de animação. A empresa quer franquias. Todo streaming quer. A pergunta é se Steps nasce como filme fechado ou como semente de algo maior.
Chega à Netflix em 2026, mas o calendário ainda está vazio
Por enquanto, a Netflix só cravou 2026. Não há mês, dia ou janela mais precisa, e o filme ainda não aparece como disponível no catálogo brasileiro.
Quando estrear, entra direto na Netflix no Brasil. Falta saber se o visual vai acompanhar a ideia, porque elenco bom e conceito esperto chamam atenção rápido — sustentar isso por um longa inteiro já é outra história.