Michael Fassbender pode liderar o próximo filme de Brady Corbet, diretor de O Brutalista, e a combinação já chama atenção por um motivo simples: não parece um projeto pensado para agradar todo mundo. A Origem do Mundo (The Origin of the World) nasce com cara de cinema de festival, classificação adulta e ambição visual rara.
Selena Gomez também está no radar do elenco. E o pacote fica ainda mais curioso quando entra outro detalhe: a história deve atravessar do século XIX até os dias atuais, com foco nos anos 1970.
Ficha rápida de A Origem do Mundo
| Item | Detalhe |
|---|---|
| Título provisório | A Origem do Mundo (The Origin of the World) |
| Direção | Brady Corbet |
| Roteiro | Brady Corbet e Mona Fastvold |
| Elenco cotado | Michael Fassbender, Selena Gomez |
| Gênero | Drama autoral / experimental / adulto |
| Classificação pretendida | Maiores de 18 anos |
| Recorte temporal | Do século XIX aos dias atuais, com foco nos anos 1970 |
| Formato de filmagem | 65mm de oito perfurações |
| Produção executiva | Kaplan Morrison |
| Status | Em desenvolvimento |
O próximo passo depois de O Brutalista
Brady Corbet não saiu pequeno de O Brutalista. O filme virou peça forte da temporada de premiações, recebeu 10 indicações ao Oscar e ainda deu a Adrien Brody o prêmio de Melhor Ator.
Isso explica o tamanho do interesse agora. Quando um diretor vem de um filme desse porte, qualquer projeto seguinte passa a ser lido como teste de fôlego: ele vai repetir a fórmula ou dobrar a aposta?
Pelo que já apareceu, a resposta parece clara. Corbet quer dobrar a aposta.
A Origem do Mundo é descrito como um filme para adultos, com estrutura temporal ampla e linguagem formal ambiciosa. Não é o tipo de anúncio que lembra estúdio correndo atrás de franquia. Lembra diretor tentando fazer algo grande, estranho e difícil de vender.
Faz sentido. A carreira de Corbet já vinha nessa linha com A Infância de um Líder e Vox Lux: O Preço da Fama, dois filmes que preferem risco a conforto.
Fassbender entra como peça de prestígio
Michael Fassbender em negociação para estrelar esse filme não é um detalhe qualquer. Ele virou, faz tempo, um nome associado a projetos que pedem presença pesada em cena, mesmo quando o filme não joga no modo mais comercial.
Nos trabalhos recentes, ele circulou por Kneecap, Código Preto (Black Bag) e a série A Agência (The Agency). É um ator que consegue carregar suspense, drama e personagem quebrado sem precisar forçar o tom.
Mas será que combina com Corbet? Combina bastante.
Os filmes de Corbet costumam pedir intérpretes que segurem ambiguidade. Fassbender faz isso muito bem. Ele pode parecer frio num plano e devastado no seguinte. Para um projeto que atravessa épocas e mira os anos 1970, esse tipo de presença ajuda muito.
Já Selena Gomez muda a conversa por outro caminho. Se o nome dela for confirmado, o filme ganha um alcance imediato fora da bolha de cinéfilo. É o tipo de escalação que mistura prestígio autoral com atenção pop.
E isso não é pouco. Um filme desse perfil precisa de repercussão para existir além do circuito de festival.
65mm, classificação 18 e uma história que atravessa séculos
O dado técnico mais chamativo é a filmagem em 65mm de oito perfurações. Isso é raro. Muito raro.
Na prática, esse formato aponta para uma imagem mais detalhada, mais larga e mais cara de produzir. Não garante filme melhor, claro. Mas sinaliza ambição visual séria e uma produção que quer ser percebida também pela forma, não só pelo roteiro.
Corbet já demonstrou interesse por escala e composição. Em 65mm, essa característica pode crescer bastante. Se der certo, vira um daqueles filmes que pedem tela grande. Se der errado, fica só com pose de grandeza.
Tem ainda a classificação pretendida para maiores de 18 anos. O termo “X-rated”, na descrição inicial, deixa claro que a proposta passa longe de um drama domesticado. O foco adulto aqui não parece jogada de marketing. Parece parte da identidade do projeto.
Somando isso à linha do tempo que vai do século XIX até hoje, com concentração nos anos 1970, o cenário fica ainda mais curioso. É um recorte amplo demais para caber em cinema convencional e específico demais para blockbuster.
Ou seja: pode sair algo enorme. Ou algo completamente divisivo.
O tamanho da aposta no mercado
Filme assim não nasce mirando bilheteria fácil. Nasce mirando conversa de crítica, festival e temporada de prêmios.
O histórico recente ajuda. Depois de O Brutalista, Corbet deixou de ser apenas um nome admirado em circuito mais nichado e passou a entrar em outro patamar de expectativa. A imprensa cobre diferente. O mercado olha diferente. O elenco também.
Fassbender reforça esse peso. Selena Gomez, se entrar de fato, amplia o alcance. E o formato em 65mm transforma o projeto em algo que já chama atenção antes mesmo de existir um trailer.
Nem todo filme de prestígio consegue atravessar essa ponte. Alguns param no festival. Outros ganham a conversa cultural que faltava. A Origem do Mundo parece querer a segunda opção.
Enquanto A Origem do Mundo não ganha data
Por enquanto, o filme segue sem previsão de estreia e sem distribuidora anunciada para o Brasil. Então o movimento mais útil para o leitor brasileiro é outro: acompanhar qual festival vai receber o projeto primeiro e quem vai bancar a distribuição por aqui.
Enquanto isso, O Brutalista está disponível no Prime Video no Brasil, e A Agência, uma das séries recentes de Fassbender, está no Paramount+. Dá para medir por aí o tipo de escala que esse encontro entre diretor e ator pode alcançar.
Se quiser entender por que o próximo filme de Corbet já nasceu sob holofote, basta olhar o rastro de premiações e repercussão crítica acompanhadas pelo Rotten Tomatoes. A pergunta agora não é se A Origem do Mundo vai chamar atenção. É se esse projeto vai chegar ao Brasil como evento de cinema ou ficar preso ao circuito mais fechado.