Fassbender e Brady Corbet: O projeto mais arriscado do ano?

Por Leandro Lopes 16/05/2026 às 14:37 6 min de leitura Atualizado: 16/05/2026
Fassbender e Brady Corbet: O projeto mais arriscado do ano?
6 min de leitura

Michael Fassbender pode liderar o próximo filme de Brady Corbet, diretor de O Brutalista, e a combinação já chama atenção por um motivo simples: não parece um projeto pensado para agradar todo mundo. A Origem do Mundo (The Origin of the World) nasce com cara de cinema de festival, classificação adulta e ambição visual rara.

Selena Gomez também está no radar do elenco. E o pacote fica ainda mais curioso quando entra outro detalhe: a história deve atravessar do século XIX até os dias atuais, com foco nos anos 1970.

Ficha rápida de A Origem do Mundo

Item Detalhe
Título provisório A Origem do Mundo (The Origin of the World)
Direção Brady Corbet
Roteiro Brady Corbet e Mona Fastvold
Elenco cotado Michael Fassbender, Selena Gomez
Gênero Drama autoral / experimental / adulto
Classificação pretendida Maiores de 18 anos
Recorte temporal Do século XIX aos dias atuais, com foco nos anos 1970
Formato de filmagem 65mm de oito perfurações
Produção executiva Kaplan Morrison
Status Em desenvolvimento

O próximo passo depois de O Brutalista

Brady Corbet não saiu pequeno de O Brutalista. O filme virou peça forte da temporada de premiações, recebeu 10 indicações ao Oscar e ainda deu a Adrien Brody o prêmio de Melhor Ator.

Isso explica o tamanho do interesse agora. Quando um diretor vem de um filme desse porte, qualquer projeto seguinte passa a ser lido como teste de fôlego: ele vai repetir a fórmula ou dobrar a aposta?

Pelo que já apareceu, a resposta parece clara. Corbet quer dobrar a aposta.

A Origem do Mundo é descrito como um filme para adultos, com estrutura temporal ampla e linguagem formal ambiciosa. Não é o tipo de anúncio que lembra estúdio correndo atrás de franquia. Lembra diretor tentando fazer algo grande, estranho e difícil de vender.

Faz sentido. A carreira de Corbet já vinha nessa linha com A Infância de um Líder e Vox Lux: O Preço da Fama, dois filmes que preferem risco a conforto.

Fassbender entra como peça de prestígio

Michael Fassbender em negociação para estrelar esse filme não é um detalhe qualquer. Ele virou, faz tempo, um nome associado a projetos que pedem presença pesada em cena, mesmo quando o filme não joga no modo mais comercial.

Nos trabalhos recentes, ele circulou por Kneecap, Código Preto (Black Bag) e a série A Agência (The Agency). É um ator que consegue carregar suspense, drama e personagem quebrado sem precisar forçar o tom.

Mas será que combina com Corbet? Combina bastante.

Os filmes de Corbet costumam pedir intérpretes que segurem ambiguidade. Fassbender faz isso muito bem. Ele pode parecer frio num plano e devastado no seguinte. Para um projeto que atravessa épocas e mira os anos 1970, esse tipo de presença ajuda muito.

Selena Gomez muda a conversa por outro caminho. Se o nome dela for confirmado, o filme ganha um alcance imediato fora da bolha de cinéfilo. É o tipo de escalação que mistura prestígio autoral com atenção pop.

E isso não é pouco. Um filme desse perfil precisa de repercussão para existir além do circuito de festival.

65mm, classificação 18 e uma história que atravessa séculos

O dado técnico mais chamativo é a filmagem em 65mm de oito perfurações. Isso é raro. Muito raro.

Na prática, esse formato aponta para uma imagem mais detalhada, mais larga e mais cara de produzir. Não garante filme melhor, claro. Mas sinaliza ambição visual séria e uma produção que quer ser percebida também pela forma, não só pelo roteiro.

Corbet já demonstrou interesse por escala e composição. Em 65mm, essa característica pode crescer bastante. Se der certo, vira um daqueles filmes que pedem tela grande. Se der errado, fica só com pose de grandeza.

Tem ainda a classificação pretendida para maiores de 18 anos. O termo “X-rated”, na descrição inicial, deixa claro que a proposta passa longe de um drama domesticado. O foco adulto aqui não parece jogada de marketing. Parece parte da identidade do projeto.

Somando isso à linha do tempo que vai do século XIX até hoje, com concentração nos anos 1970, o cenário fica ainda mais curioso. É um recorte amplo demais para caber em cinema convencional e específico demais para blockbuster.

Ou seja: pode sair algo enorme. Ou algo completamente divisivo.

O tamanho da aposta no mercado

Filme assim não nasce mirando bilheteria fácil. Nasce mirando conversa de crítica, festival e temporada de prêmios.

O histórico recente ajuda. Depois de O Brutalista, Corbet deixou de ser apenas um nome admirado em circuito mais nichado e passou a entrar em outro patamar de expectativa. A imprensa cobre diferente. O mercado olha diferente. O elenco também.

Fassbender reforça esse peso. Selena Gomez, se entrar de fato, amplia o alcance. E o formato em 65mm transforma o projeto em algo que já chama atenção antes mesmo de existir um trailer.

Nem todo filme de prestígio consegue atravessar essa ponte. Alguns param no festival. Outros ganham a conversa cultural que faltava. A Origem do Mundo parece querer a segunda opção.

Enquanto A Origem do Mundo não ganha data

Por enquanto, o filme segue sem previsão de estreia e sem distribuidora anunciada para o Brasil. Então o movimento mais útil para o leitor brasileiro é outro: acompanhar qual festival vai receber o projeto primeiro e quem vai bancar a distribuição por aqui.

Enquanto isso, O Brutalista está disponível no Prime Video no Brasil, e A Agência, uma das séries recentes de Fassbender, está no Paramount+. Dá para medir por aí o tipo de escala que esse encontro entre diretor e ator pode alcançar.

Se quiser entender por que o próximo filme de Corbet já nasceu sob holofote, basta olhar o rastro de premiações e repercussão crítica acompanhadas pelo Rotten Tomatoes. A pergunta agora não é se A Origem do Mundo vai chamar atenção. É se esse projeto vai chegar ao Brasil como evento de cinema ou ficar preso ao circuito mais fechado.