The Buried Giant segue vivo na Netflix em 2026, e Guillermo del Toro tratou de deixar isso claro. O diretor voltou a falar do filme em maio, reforçou o tom adulto da animação e confirmou que o projeto continua em desenvolvimento ativo.
Isso não é detalhe pequeno. Em catálogo de streaming, projeto que some por tempo demais costuma virar silêncio. Aqui aconteceu o contrário.
O que del Toro confirmou agora
Durante uma homenagem do BFI, em Londres, del Toro atualizou o status do longa e falou dele como um projeto que ainda está andando. Não saiu teaser. Não saiu arte oficial. Mas saiu algo melhor: sinal de vida público.
Está girando as engrenagens” e será um stop-motion “sem concessões para audiência familiar”.
A outra confirmação importante veio no elenco. Ron Perlman é, até aqui, o primeiro nome oficialmente ligado ao filme, ainda sem personagem revelado.
Convém separar fato de torcida. Nomes como Cate Blanchett e Doug Jones circulam como possibilidade entre fãs, mas isso não foi anunciado pela Netflix nem pelo diretor.

Ficha rápida do projeto
| Item | Detalhe confirmado |
|---|---|
| Título | The Buried Giant |
| Formato | Longa-metragem animado em stop-motion |
| Direção | Guillermo del Toro |
| Roteiro | Guillermo del Toro e Dennis Kelly |
| Baseado em | Romance de Kazuo Ishiguro, lançado em 2015 |
| Estúdio de animação | ShadowMachine |
| Plataforma | Netflix |
| Elenco confirmado | Ron Perlman |
| Perfil do projeto | Animação adulta |
| Status em 2026 | Em desenvolvimento ativo |
Um livro difícil de adaptar
Mas que história é essa, afinal? The Buried Giant adapta o romance de Kazuo Ishiguro, vencedor do Nobel, publicado em 2015.
A trama acompanha o casal idoso Axl e Beatrice por uma Inglaterra mítica, pós-arturiana, coberta por uma névoa que apaga memórias. Parece fantasia clássica. Não é bem isso.
O livro fala menos de aventura e mais de memória, culpa histórica, trauma e luto. Tem cavaleiros, criaturas e jornada. Só que o motor real da história é outro: o que um povo escolhe esquecer para continuar vivendo.
Isso explica por que a adaptação chama atenção e assusta ao mesmo tempo. Não é material simples de vender como filme grande de plataforma. Falta o apelo imediato de fantasia de ação, sobra simbolismo e silêncio.

Por que o stop-motion faz mais sentido que o live-action
Del Toro também explicou a escolha estética. Em live-action, misturar atores reais com criaturas fantásticas poderia cair no vale da estranheza, aquele efeito artificial de algo quase humano que soa errado na tela.
No stop-motion, tudo nasce da mesma matéria. Personagem, cenário, criatura e luz dividem o mesmo peso tátil. Para um mundo de memória rachada e fantasia melancólica, isso faz bastante sentido.
Quem viu Pinóquio por Guillermo del Toro sabe do que ele é capaz nesse terreno. A diferença agora é o alvo. The Buried Giant parece ainda menos comercial e mais áspero.
A parceira com a ShadowMachine reduz parte do risco técnico. O estúdio já trabalhou com del Toro e carrega no currículo títulos como BoJack Horseman, The Tiny Chef Show e Long Story Short.
Depois de Pinóquio, del Toro sobe a aposta
Na Netflix, esse filme parece entrar mais como projeto de prestígio do que como peça de volume. É o tipo de produção que ajuda a plataforma a dizer que ainda banca animação autoral premium, mesmo num mercado cada vez mais guiado por franquia rápida.
E tem outro fator. Stop-motion demora. Muito. Entre desenvolvimento, construção de bonecos, animação quadro a quadro e pós-produção, anos passam fácil.
Por isso, a ausência de data não chega a assustar. Ela só mostra que o cronograma ainda é longo. Até maio de 2026, a Netflix não anunciou janela de estreia.
| Título | Plataforma no Brasil | Perfil |
|---|---|---|
| Pinóquio por Guillermo del Toro | Netflix | Stop-motion autoral com tom mais sombrio |
| Wendell & Wild | Netflix | Animação sombria com humor ácido |
| Coraline e o Mundo Secreto | Aluguel e compra digital | Fantasia sombria para público amplo |
| Kubo e as Cordas Mágicas | Aluguel e compra digital | Aventura emocional em stop-motion |
Na Netflix no Brasil, mas ainda fora do catálogo
Para o público brasileiro, a informação prática é esta: The Buried Giant deve estrear na Netflix, mas ainda não está disponível no catálogo e segue sem data oficial. A dublagem em português também não foi anunciada.
Mesmo assim, o caminho está desenhado. Del Toro, Netflix, ShadowMachine e um livro de Ishiguro que quase pede uma adaptação difícil. Se esse pacote sair inteiro do papel, pode virar o filme mais ambicioso — e menos amigável — da fase do diretor no streaming. A dúvida é se a Netflix vai segurar essa aposta até a última etapa do stop-motion.