As Aventuras de Tintim (The Adventures of Tintin) voltou ao desenvolvimento 15 anos depois, com Peter Jackson escrevendo uma nova versão do roteiro ao lado de Fran Walsh. Steven Spielberg, que dirigiu o filme de 2011, fica fora da direção da continuação. O ponto crucial é este: o projeto andou, mas ainda não virou produção de fato.
Parece pouco? Para um filme que passou mais de uma década no limbo, não é.
Não é troca de comando. É uma promessa antiga voltando
Chamar Peter Jackson de “novo diretor” simplifica demais a história. O combinado desde o começo era Spielberg tocar o primeiro longa e Jackson assumir o segundo.
Isso nunca aconteceu no prazo imaginado. Agora, a mudança real é outra: Jackson retomou ativamente a continuação e voltou a escrever o projeto com Fran Walsh, enquanto a versão anterior de Anthony Horowitz foi deixada para trás.
Sem enrolação: ainda não existe data de estreia, título oficial, elenco confirmado ou informação sobre filmagens. O que existe hoje é desenvolvimento ativo de roteiro.
O filme de 2011 envelheceu melhor do que muita gente lembra
As Aventuras de Tintim, lançado em 25/10/2011, não virou franquia imediata. Mesmo assim, também não foi fracasso. Com orçamento de US$ 135 milhões, arrecadou cerca de US$ 374 milhões no mundo.
É um resultado bom, mas não no nível de saga incontestável. Talvez por isso a continuação tenha perdido força no calendário de Hollywood, que na década passada preferiu apostar em marcas mais fáceis de vender.
O curioso é que o primeiro longa ganhou um status quase cult com o tempo. Muita gente voltou para ele e percebeu o que havia ali: aventura clássica, ritmo de caça ao tesouro e uma captura de movimento que ainda segura bem a imagem.
Spielberg dirigia como se estivesse brincando de Indiana Jones em animação. Jackson entrava com a tecnologia da Weta. A mistura funcionou.
A adaptação ainda pegava pedaços de três álbuns de Hergé: O Caranguejo das Tenazes de Ouro, O Segredo do Licorne e O Tesouro de Rackham, o Terrível. Não era uma transposição literal. Era um remix esperto.
Ficha técnica de As Aventuras de Tintim
| Campo | Detalhe |
|---|---|
| Título original | The Adventures of Tintin |
| Título no Brasil | As Aventuras de Tintim |
| Direção | Steven Spielberg |
| Roteiro | Steven Moffat, Edgar Wright e Joe Cornish |
| Baseado em | HQs de Hergé |
| Elenco principal | Jamie Bell, Andy Serkis, Daniel Craig e Nick Frost |
| Gênero | Aventura, animação, ação e mistério |
| Duração | 107 minutos |
| Distribuição | Paramount Pictures |
| Classificação | PG |
| Estreia | 25/10/2011 |
| Orçamento | US$ 135 milhões |
| Bilheteria mundial | US$ 374 milhões |
| Streaming no Brasil | Paramount+ |
Vale lembrar outra peça importante: o longa nasceu de uma coprodução entre Amblin Entertainment, WingNut Films e Paramount Pictures. Não era uma aposta pequena.
Quinze anos depois, o mercado é outro
Em 2011, captura de movimento ainda vendia novidade. Hoje, o público já viu Avatar, viu animação híbrida, viu estilos mais ousados como Homem-Aranha no Aranhaverso. O sarrafo subiu.
Ao mesmo tempo, existe espaço para a volta de Tintim. Hollywood continua com poucas adaptações grandes de quadrinhos europeus, e o personagem ainda carrega apelo intergeracional.
No papel, a continuação chega atrasada. Na prática, ela pode reencontrar um nicho que ficou meio órfão: aventura familiar com cara de matinê, sem depender de super-herói.
Mas será que isso basta? Não sozinho.
Se Jackson voltar só para repetir a tecnologia de 2011, o impacto cai. Se ele usar a pausa de 15 anos para repensar o tom e escolher um álbum forte, a conversa muda rápido.
O que já sabemos sobre a continuação
O estágio atual é de roteiro. Jackson escreve com Fran Walsh, e a antiga versão de Anthony Horowitz foi abandonada.
O resto continua em aberto. Nada de data, nada de elenco confirmado e nada de definição sobre cinema ou streaming.
- 1983: Spielberg adquire os direitos de Tintim após a morte de Hergé.
- 2011: o primeiro filme estreia nos cinemas.
- 2011 a 2015: a continuação é citada várias vezes, mas não anda.
- 2016: Anthony Horowitz confirma que seu roteiro foi descartado.
- 2026: Jackson retoma a escrita com Fran Walsh.
Também não existe confirmação de qual álbum vai servir de base. Jackson já citou entre seus favoritos As Sete Bolas de Cristal, Prisioneiros do Sol, A Ilha Negra e O Caso Girassol.
Se ele seguir por As Sete Bolas de Cristal e Prisioneiros do Sol, faz sentido. É material que escala mistério e aventura de um jeito mais cinematográfico.
No Paramount+, o primeiro filme virou teste para essa volta
Para o público brasileiro, o efeito mais imediato é simples: dá para revisitar As Aventuras de Tintim agora mesmo no Paramount+. Isso pesa, porque a continuação ainda está na fase em que qualquer memória ajuda a recolocar a franquia no radar.
O primeiro filme continua sendo uma boa vitrine do que essa parceria Spielberg-Jackson tinha de especial. Ele corre, inventa e não trata aventura como piada cínica.
Falta saber se Jackson vai mesmo dirigir ou se ficará só no roteiro e na produção. Essa diferença muda bastante o tamanho da notícia. Por enquanto, Tintim saiu do congelador — mas ainda ninguém disse qual álbum vai abrir a próxima página.