Sinopse
Reino Unido, presente. Charlie Thompson (Robert Pattinson) e Emma Harwood (Zendaya) são um casal jovem em vésperas do próprio casamento — Charlie, britânico com família tradicional; Emma, americana mudada para Londres pelo amor. Os dois moram juntos há tempo suficiente para conhecer cada cicatriz do parceiro, e o casamento é celebração de uma relação que sobreviveu a anos de afastamento e reconciliação.
Quando Charlie encontra um documento que Emma havia escondido — algo que ela nunca contou e que pode comprometer a base da relação —, a semana antes da cerimônia vira espiral. O casal é forçado a confrontar o segredo e a forma como ambos lidam com transparência e perdão. À medida que parentes chegam para a cerimônia sem saber do que está acontecendo, Charlie e Emma precisam decidir se a verdade salva ou destrói o que construíram.
Dirigido por Kristoffer Borgli (Dream Scenario), com produção da A24 e da Square Peg de Ari Aster, O Drama estreou em 17 de março de 2026 e cruzou US$ 100 milhões mundiais em abril — quinto filme da A24 a atingir essa marca, sobre orçamento de US$ 28 milhões.
Análise — Notícias Flix
O Drama é o tipo de filme que prova que a A24, em 2026, conseguiu o que poucos estúdios independentes conseguiram na década anterior: levantar capital de produção médio (US$ 28 milhões) e entregar bilheteria de blockbuster comercial (US$ 116 milhões em circulação) sem trair a estética autoral que construiu sua marca. Kristoffer Borgli, diretor norueguês vindo de Dream Scenario (2023), entregou aqui sua primeira produção em larga escala em inglês — exercício que combina a ironia psicológica que ele já dominava com produção elegante de comédia romântica adulta.
A escolha mais inteligente do filme é o casting principal. Zendaya e Robert Pattinson, juntos pela primeira vez em tela, não são apenas dois atores hollywoodianos sendo escalados em romance. Os dois construíram a década anterior aprendendo cinema autoral — Zendaya com Euphoria, Desafiantes (Luca Guadagnino, 2024) e a franquia Duna; Pattinson com Os Farois, Tenet, O Diabo de Cada Dia, Mickey 17 e Morra, Amor (Lynne Ramsay, 2025). A química entre eles é raríssima no cinema mainstream americano contemporâneo: dois atores tecnicamente iguais, ambos calibrados em escala milimétrica, alternando entre humor seco e silêncios devastadores.
A direção de Borgli é o que mantém o filme acima da média do gênero. Em vez de cair na fórmula de comédia romântica clássica (encontro fofo, desentendimento, reconciliação no aeroporto), o roteiro estrutura o filme em ato único quase contínuo de 106 minutos — a semana antes do casamento como cápsula temporal pressurizada onde cada decisão emocional vira drama de alta voltagem. A fotografia do armênio Arseni Khachaturov captura interiores britânicos em luz dourada quente que dialoga ironicamente com a temperatura emocional dos protagonistas. Daniel Pemberton (Aranhaverso) entrega trilha minimalista que resiste a sublinhar.
O ponto que dividiu a recepção crítica foi o desfecho. Sem revelar detalhes, o filme escolhe não dar resolução convencional aos conflitos — Borgli prefere deixar o casal em ambiguidade aberta que ressoa o tom autoral europeu (Bergman, Ingmar; Östlund, Ruben) acima do romântico americano. Para parte do público, a escolha é genial; para outra parte, frustração de não receber catarse esperada. 77% no Rotten Tomatoes (262 críticas) — recepção crítica claramente positiva mas não unânime. Roger Ebert classificou como "choques rasos em comédia escura tabu.
US$ 116 milhões mundiais sobre US$ 28 milhões — um dos maiores sucessos comerciais da A24 desde Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo (2022). Quinto filme da história do estúdio a cruzar US$ 100 milhões de bilheteria mundial. Para fãs de Pattinson em fase autoral pós-Crepúsculo, é peça obrigatória. Para fãs de Zendaya além do mainstream Marvel/Duna, é confirmação de versatilidade. Para A24, é prova de que cinema autoral pode escalar sem perder voz.
Pontos fortes
- Química inédita entre Zendaya e Robert Pattinson em primeira parceria de tela
- Direção de Kristoffer Borgli mantém ironia psicológica de Dream Scenario
- Produção da A24 + Square Peg de Ari Aster preserva tom autoral em escala maior
- Trilha minimalista de Daniel Pemberton resiste a sublinhar emoções
- Bilheteria de US$ 116 milhões — quinto A24 a cruzar US$ 100 milhões
Pontos fracos
- Final ambíguo divide opinião sobre catarse vs. tom autoral europeu
- Roger Ebert classificou como "choques rasos em comédia escura tabu"
- Estrutura de ato único pressurizado pode parecer clausurofóbica
- Recepção crítica positiva mas não unânime — 77% Rotten Tomatoes
- Espectadores buscando rom-com tradicional saem sem a resolução esperada
Bilheteria
- Orçamento
- US$ 28 mi
- Arrecadação mundial
- US$ 116 mi
- Retorno
- 4,1× o orçamento
Ficha técnica
- Roteiro
- Kristoffer Borgli
- Fotografia
- Арсений Хачатурян
- Trilha sonora
- Daniel Pemberton
- Edição
- Joshua Raymond Lee
- Duração
- 106 min
Curiosidades sobre O Drama
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Direção de Kristoffer Borgli, vindo de Dream Scenario
O diretor norueguês Kristoffer Borgli vinha de Dream Scenario (2023), comédia psicológica com Nicolas Cage que estabeleceu sua voz autoral irônica. O Drama é seu primeiro projeto em larga escala em inglês, mantendo a estética irônica de Dream Scenario em produção comercial maior.
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Produzido por Ari Aster pela Square Peg
A produção é da A24 em parceria com a Square Peg, produtora de Ari Aster (Hereditário, Midsommar, Beau Is Afraid). Aster atua como produtor executivo. A parceria entre o estúdio A24 e a Square Peg vem rendendo várias colaborações desde 2018, especialmente em comédias-dramas com tom autoral.
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Quinto filme A24 a cruzar US$ 100 milhões
O Drama atingiu US$ 100 milhões de bilheteria mundial em 22 de abril de 2026 — apenas cinco semanas após a estreia. É apenas o quinto filme da história da A24 a alcançar essa marca, depois de Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo (2022), Hereditário (2018), Civil War (2024) e Uncut Gems (2019).
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Anúncio de casamento falso no Boston Globe
A campanha de marketing do filme incluiu um anúncio falso de casamento publicado no jornal Boston Globe em janeiro de 2026 — peça que parecia anúncio real de cerimônia mas era confirmação da estreia do filme em 3 de abril. A estratégia gerou viralização significativa nas redes sociais antes do lançamento.
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Trilha de Daniel Pemberton, compositor de Aranhaverso
A trilha sonora foi composta por Daniel Pemberton — britânico vencedor do BAFTA e indicado ao Oscar pela música de Homem-Aranha: Através do Aranhaverso (2023). Para O Drama, Pemberton entregou trilha minimalista distante do tom maior das franquias de animação, em registro mais íntimo.
Datas-chave
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Lançamento mundial
Elenco principal