O Diabo Veste Prada (The Devil Wears Prada) pode nem ter um terceiro filme confirmado, mas Stanley Tucci já deixou claro qual seria a regra do jogo. Com O Diabo Veste Prada 2 em cartaz nos cinemas brasileiros, a fala do ator ajuda a separar continuação com motivo de continuação feita só na nostalgia.
Não é detalhe. Nigel Kipling virou uma peça grande demais para ficar fora dessa conversa.
O que Stanley Tucci abriu sobre Nigel
Em entrevista ao THR, Stanley Tucci disse que adoraria voltar como Nigel em um possível terceiro filme. Mas colocou um freio importante: ele só toparia se o roteiro realmente justificasse esse retorno.
A fala parece simples. Não é. Ela corta a ideia de que qualquer continuação dessa franquia sairia no automático.
Tucci conhece o peso do personagem. Nigel não era só o cara das melhores tiradas do filme de 2006. Ele funcionava como ponte entre o cinismo de Miranda, a ambição de Andy e o mundo da moda como campo de guerra.
| Ficha técnica | O Diabo Veste Prada 2 |
|---|---|
| Título original | The Devil Wears Prada 2 |
| Direção | David Frankel |
| Elenco confirmado | Meryl Streep, Anne Hathaway, Emily Blunt e Stanley Tucci |
| Personagens centrais | Miranda Priestly, Andy Sachs, Emily Charlton e Nigel Kipling |
| Base literária | Elementos de A Vingança Veste Prada, de Lauren Weisberger |
| Orçamento estimado | US$ 100 milhões |
| Situação no Brasil | Em cartaz nos cinemas |
Isso pesa ainda mais porque O Diabo Veste Prada 2 recolocou o elenco original na tela. Meryl Streep, Anne Hathaway, Emily Blunt e o próprio Tucci voltaram sob direção de David Frankel, o mesmo nome do primeiro longa.

Nigel ainda manda na conversa
Tem personagem coadjuvante que some quando o filme acaba. Nigel fez o contrário. Virou personagem cult.
Boa parte disso vem do jeito como Tucci segurou o papel. Nigel era engraçado, ácido e afetuoso ao mesmo tempo. Num filme cheio de gente performando poder, ele parecia o único que entendia o preço real daquela máquina.
Por isso a condição do ator faz sentido. Um terceiro filme sem espaço narrativo para Nigel soaria artificial. E, convenhamos, continuação tardia sem uma boa ideia costuma envelhecer em uma semana de internet.
Tem outra camada aí. Quando um ator fala “eu volto, se fizer sentido”, ele também está medindo a saúde da franquia. Não é um “sim” automático. É um “me prove que ainda existe história”.
Por que um terceiro filme já não soa absurdo
O original de 2006 nunca foi só um sucesso passageiro. O Diabo Veste Prada fez cerca de US$ 326,7 milhões no mundo, abriu com cerca de US$ 27,5 milhões nos EUA e ficou com 75% da crítica no Rotten Tomatoes.
No Metacritic, fechou com 62/100. Não são números de unanimidade. São números de filme popular que resistiu ao tempo.
Resistiu por um motivo claro: moda, humor ácido e ambiente corporativo tóxico formam uma mistura rara no cinema de estúdio. Não é rom-com pura. Também não é drama pesado. Fica naquele meio-termo adulto que Hollywood quase abandonou.
Agora essa marca volta ao centro da conversa com O Diabo Veste Prada 2. Quando uma franquia desse tipo consegue reunir elenco, diretor e uma continuação literária conhecida, a ideia de um terceiro capítulo deixa de parecer delírio de fã.

| Filme | Direção | Base | Números | Situação |
|---|---|---|---|---|
| O Diabo Veste Prada | David Frankel | Livro de Lauren Weisberger | US$ 326,7 milhões no mundo; 75% no RT; 62 no Metacritic | Lançado em 2006 |
| O Diabo Veste Prada 2 | David Frankel | Elementos de A Vingança Veste Prada | Orçamento estimado em US$ 100 milhões | Em cartaz no Brasil |
Também existe um fator que Hollywood adora: reconhecimento imediato. O público olha para esse título e sabe exatamente o que esperar. Isso reduz risco comercial, ainda mais numa faixa de filmes adultos que hoje briga por espaço com super-herói, terror e animação.
Mas será que isso basta? Não. O segundo filme pode reacender a marca, mas o terceiro só se sustenta se houver conflito novo, e não apenas mais uma rodada de looks e frases cortantes.
Nos cinemas do Brasil, a resposta começa agora
Para o público brasileiro, a conversa deixou de ser teórica porque O Diabo Veste Prada 2 já está em cartaz. É ali que a indústria vai medir a temperatura real desse retorno.
Se a química entre Miranda, Andy, Emily e Nigel continuar inteira, o assunto cresce rápido. Se o filme parecer só reencontro bonito, a empolgação para um terceiro longa esfria na mesma velocidade.
Tem um detalhe bom para a franquia. David Frankel segue na direção, e isso ajuda a manter o mesmo pulso de sátira, ritmo e elegância do original. Reunir o elenco já era difícil. Repetir o tom era mais ainda.
Por enquanto, o dado concreto é este: O Diabo Veste Prada 2 está em exibição nos cinemas brasileiros, com Tucci novamente como Nigel. O próximo passo depende menos de figurino e mais de roteiro — e isso talvez seja a melhor notícia possível para quem não quer ver essa franquia virar vitrine vazia.