Depois de sete anos, Euphoria chegou ao fim. A terceira temporada foi confirmada como a última pelo criador Sam Levinson, e o episódio final dividiu o público de um jeito que ninguém esperava.
O encerramento trouxe uma morte chocante, uma virada radical de tom e uma despedida amarga para Rue, a personagem de Zendaya. E nada disso foi acidente: a vida real interferiu diretamente nessa reta final.
O final que mudou de gênero

O último episódio, intitulado In God We Trust, abandonou o drama adolescente que definiu a série. No lugar, entrou um neo-faroeste com cara de thriller criminal. As referências apontam para Tarantino, de Jackie Brown a Era Uma Vez em Hollywood.
A mudança foi ousada e arriscada. Houve duelos, cartéis e ajustes de contas, num tom quase de filme de ação. Para parte da crítica, esse clima cartunesco acabou ofuscando o peso emocional que o destino de Rue pedia.
O resultado nos números foi duro. A temporada final fechou com apenas 37% de aprovação no Rotten Tomatoes. É a pior recepção da série, sinal de que a aposta de Levinson não convenceu a maioria dos especialistas.
A defesa do criador, por outro lado, é coerente. Levinson sempre tratou Euphoria como obra autoral, livre para arriscar. Terminar fiel a essa lógica, mesmo correndo o risco de desagradar, é uma decisão artística legítima, ainda que polêmica.
| Título | Euphoria |
| Criador | Sam Levinson |
| Protagonista | Zendaya (Rue Bennett) |
| Temporadas | 3 (encerrada) |
| Episódio final | In God We Trust |
| Onde assistir (Brasil) | HBO Max |
| Rotten Tomatoes | 37% (3ª temporada) |
| Gênero | Drama |
A tragédia real por trás do roteiro
Há uma dor verdadeira por trás dessas escolhas. Angus Cloud, o inesquecível Fezco, morreu em 2023 de overdose acidental de fentanil. A perda forçou Sam Levinson a reescrever toda a temporada final.
O criador foi direto sobre o impacto. Segundo ele, depois que Cloud faleceu, foi preciso reconceber o roteiro do zero. A ausência do ator deixou um buraco impossível de ignorar na história que estava sendo construída.
Levinson transformou a perda em mensagem. Para ele, o fentanil pode tirar alguém num instante, e a maioria das pessoas não ganha uma segunda chance. A série virou, assim, um alerta sobre a droga que matou um de seus próprios atores.
O fenômeno que lançou Zendaya
É impossível falar de Euphoria sem falar de Zendaya. A série rendeu a ela dois prêmios Emmy e a transformou de estrela teen da Disney em atriz dramática respeitada. Rue Bennett foi o papel que mudou a carreira dela para sempre.
Mas o impacto foi além da protagonista. A série revelou nomes como Sydney Sweeney, Alexa Demie e Hunter Schafer, hoje rostos requisitados de Hollywood. Foi uma verdadeira fábrica de novos talentos para o cinema e a TV.
A estética também marcou época. A fotografia neon, a maquiagem com glitter e a trilha sonora viraram referência cultural imediata. Euphoria definiu o visual de uma geração, copiado em redes sociais e campanhas de moda.
O destino de Rue

O ponto mais comentado é o desfecho da protagonista. Sem entrar em todos os detalhes, o final de Rue é sombrio e ligado justamente ao vício que a acompanhou desde o primeiro episódio. O vilão Alamo Brown tem papel central nisso.
Sam Levinson defendeu a escolha com firmeza. Para ele, o desfecho é honesto e cheio de graça, não pessimista. É o retrato cru de quem luta contra a dependência, sem o final feliz que o público talvez esperasse.
Adewale Akinnuoye-Agbaje, que vive Alamo, explicou o antagonista. O personagem planeja a queda de Rue e acaba morto por Ali, vivido por Colman Domingo, num confronto que sela o tom violento do encerramento. Foi a forma que Levinson encontrou de amarrar a violência do mundo das drogas ao destino da protagonista.
Vai ter quarta temporada?
Aqui mora a maior polêmica dos bastidores. Uma quarta temporada só seria possível sob uma condição controversa: sem Sam Levinson no comando, e centrada em Cassie e Maddy. O criador anunciou de última hora que a série tinha cumprido seu ciclo.
Para Zendaya, o fim abre portas. Livre da série, a atriz mergulha numa fase de superastro do cinema. Tem The Odyssey, de Christopher Nolan, Homem-Aranha: Um Novo Dia e Duna 3 no horizonte próximo. O encerramento de Euphoria, nesse sentido, libera a agenda de uma das atrizes mais disputadas de Hollywood.
No Brasil, Euphoria está completa na HBO Max. A série encerra um ciclo que marcou uma geração e transformou Zendaya numa das maiores estrelas de sua época. A pergunta que fica: valeu a pena terminar com uma virada tão divisiva, ou o público merecia uma despedida mais fiel ao tom original?