Os livros que inspiraram Star Wars viraram a melhor ficção científica da TV. Fundação, do Apple TV+, é apontada pela crítica como capaz de fazer o que a saga de George Lucas já não consegue: apostar em mundo e mitologia, não em nostalgia.
A terceira temporada fechou com 91% no Rotten Tomatoes, a melhor recepção da série até agora. E a Apple não perdeu tempo: renovou para uma quarta temporada um dia antes mesmo de o último episódio ir ao ar.
A série que supera o próprio Asimov

A base é a obra de Isaac Asimov, um dos pilares da ficção científica. A série, porém, não se limita a transpor as páginas. Para a crítica, ela captura a escala e o mito dos romances e, em alguns pontos, vai além deles.
O elogio da Collider é direto. Segundo a publicação, a série às vezes supera os livros nas implicações sobre a cultura galáctica e o poder imperial. É uma afirmação ousada sobre uma obra tão reverenciada.
Por isso, a comparação com Star Wars ganhou força. Enquanto a galáxia de Lucas se apoia cada vez mais em personagens conhecidos, Fundação constrói um universo novo a cada temporada. A ambição é o seu maior trunfo.
| Título original | Foundation |
| Título no Brasil | Fundação |
| Base | Livros de Isaac Asimov |
| Criador | David S. Goyer |
| Elenco | Jared Harris, Lee Pace, Lou Llobell |
| Temporadas | 3 (4ª confirmada) |
| Onde assistir (Brasil) | Apple TV+ |
| Rotten Tomatoes | 91% (3ª temporada) |
A psico-história no centro de tudo
A premissa é fascinante. Hari Seldon, vivido por Jared Harris, é um matemático que cria a psico-história, uma ciência capaz de prever o futuro da humanidade em escala estatística. E a previsão é sombria: o Império Galáctico vai cair.
O plano de Seldon não é evitar o colapso, mas encurtar a era de barbárie que viria depois. A série acompanha esse jogo de séculos, com saltos temporais enormes entre os episódios. A terceira temporada deu um salto de 152 anos.
No comando do Império estão os clones de Cleon. Lee Pace brilha como o Irmão Dia, a face mais imponente desse poder hereditário. Ao lado dele, Lou Llobell vive Gaal Dornick, peça-chave do plano de Seldon ao longo do tempo. A dinastia genética dos Cleon é uma das ideias visuais mais marcantes da série.
O elo escondido com Star Wars
A conexão entre as duas obras é mais profunda do que parece. Os livros de Asimov, publicados a partir dos anos 1940, influenciaram diretamente George Lucas na criação de Star Wars. O Império Galáctico é herança direta dessa linhagem literária.
Por isso, ver Fundação em tela ganha um sabor especial. É como assistir à fonte original ganhar vida décadas depois da cópia mais famosa. A série honra essa raiz sem se prender a ela, criando identidade própria.
A escala visual ajuda nessa missão. Planetas inteiros, naves imperiais e cidades futuristas dão à produção um porte de cinema. O orçamento do Apple TV+ aparece em cada quadro, e isso sustenta a ambição da história.
O Mula chegou para assombrar

O grande destaque da terceira temporada é o vilão. O Mula, interpretado por Pilou Asbæk, é um dos antagonistas mais temidos da obra de Asimov. Sua chegada deu à série uma ameaça concreta e pessoal.
A recepção refletiu esse acerto. A temporada estreou com 100% de aprovação no Rotten Tomatoes antes de assentar nos 91%. Em outras palavras, foi a virada que redimiu a primeira temporada, considerada mais morna pelo público.
O Mula é especial porque quebra a lógica da série. A psico-história de Seldon prevê comportamentos em massa, mas não consegue prever um único indivíduo com poderes extraordinários. O vilão é, literalmente, a falha no plano matemático perfeito.
A quarta temporada já está em marcha
A confiança da Apple é total. A renovação para a quarta temporada veio em setembro de 2025, e as filmagens começam em janeiro de 2026, em Praga. A produção deve durar cerca de 120 dias.
Com esse cronograma, a estreia da nova temporada deve ficar para 2027. Haverá uma mudança importante nos bastidores: David Goyer, criador e showrunner original, vira produtor executivo. Ian Goldberg e David Kob assumem como co-showrunners.
Os novos comandantes não escondem o respeito pela missão. Para eles, não existe série como Fundação, e carregar a tocha como showrunners da quarta temporada é uma honra. A pressão de manter o nível, porém, é enorme.
Trocar de showrunner numa série tão complexa é sempre arriscado. A continuidade de tom e visão fica em jogo. Ainda assim, a base sólida deixada por Goyer e a fidelidade ao material de Asimov dão alguma garantia de que o rumo será mantido.
Trailer
No Brasil, todas as três temporadas estão no Apple TV+. Fundação virou prova de que ficção científica densa e ambiciosa ainda tem espaço na TV. A pergunta que fica: até onde a série consegue ir antes que o peso da própria escala a alcance?