A segunda temporada de Sugar estreia em 19 de junho no Apple TV+. Antes dela, vale revisitar por que esse thriller com Colin Farrell virou um dos noirs mais comentados da plataforma. E por que o final da primeira temporada dividiu tanta gente.
John Sugar não é um detetive comum. Farrell entrega um investigador elegante e melancólico, que persegue pessoas desaparecidas numa Los Angeles ensolarada. Mas há algo estranho nele desde o primeiro episódio.
Um noir à luz do sol

A série bebe direto do cinema noir clássico, mas inverte a estética. Em vez da escuridão chuvosa de sempre, temos uma LA banhada de sol. O contraste cria um clima único, ao mesmo tempo familiar e desconcertante.
As comparações com True Detective são inevitáveis. Há o detetive atormentado, o mistério que se aprofunda a cada episódio e os ecos de obras clássicas do gênero. Para quem ama investigação densa, é maratona certa. A ambientação californiana, porém, dá à série uma identidade visual só dela.
Colin Farrell sustenta tudo isso com uma atuação contida. Seu Sugar é gentil, cinéfilo e cheio de segredos. A elegância do personagem esconde camadas que a série revela com paciência calculada.
O twist que dividiu a crítica
Aqui mora a maior polêmica. Na metade da temporada, no sexto episódio, Sugar dá uma guinada radical. O gênero muda no meio do caminho, e o que parecia um noir tradicional vira outra coisa completamente.
O criador Mark Protosevich planejou isso desde o início. Segundo ele, a ideia era puxar o tapete do espectador, apresentar o personagem e a história e então virar tudo de cabeça para baixo. É uma aposta ousada de roteiro.
A reação se dividiu. Parte do público amou a coragem da virada. Outra parte achou que ela prejudicou os episódios iniciais. De um jeito ou de outro, ninguém ficou indiferente, e isso é raro na TV atual.
Colin Farrell em estado de graça
O ator vive uma fase notável na carreira. Depois de O Pinguim e Os Banshees de Inisherin, Farrell escolhe papéis que fogem do óbvio. Sugar entra nessa lista como um de seus trabalhos mais sutis.
O personagem é um cinéfilo apaixonado, que vê o mundo através das lentes do cinema clássico. Essa paixão se reflete na própria linguagem visual da série, recheada de referências. É um detetive que parece ter saído de um filme antigo.
No elenco de apoio aparecem nomes como Amy Ryan, James Cromwell e Anna Gunn. Eles dão densidade ao mistério que Sugar investiga. Mas é sempre Farrell quem ancora a tela, com seu charme melancólico característico.
Quando um detetive vira outra coisa
O que torna Sugar especial é a recusa em ser apenas mais um procedural. A série usa o molde do detetive particular como ponto de partida, não como destino. Ela quer surpreender, e aceita o risco que vem com isso.
Essa ambição cobra um preço. Reviravoltas grandes sempre alienam parte do público, que assina por um tipo de história e recebe outro. Mas é justamente essa ousadia que separa Sugar da enxurrada de séries policiais genéricas.
Colin Farrell, em entrevista, deu a chave de leitura. Ele disse ter abordado o personagem como um ser, fosse ele humano ou de outro mundo. A frase, vista hoje, faz todo sentido para quem chegou ao fim da primeira temporada.
O que esperar da segunda temporada

A nova temporada traz Sugar de volta a Los Angeles. Ele aceita outro caso de pessoa desaparecida, mas o fio condutor pessoal continua: a busca por respostas sobre a própria irmã, sumida há tempos.
Os episódios saem semanalmente, do dia 19 de junho até 7 de agosto. São oito capítulos, o mesmo formato enxuto da primeira temporada. Quem ficou intrigado com a virada anterior agora tem a chance de ver onde a história vai parar.
O formato semanal, aliás, combina com o tipo de mistério da série. Cada episódio dá tempo para o espectador especular e montar teorias. É uma escolha que aposta na conversa entre os fãs a cada quarta-feira de lançamento.
Vale a maratona antes da estreia?
Os números ajudam a decidir. A primeira temporada tem 81% no Rotten Tomatoes, com 80% de aprovação do público. Não é unanimidade, mas é um índice sólido para um thriller que se arrisca tanto.
No Brasil, Sugar está completo no Apple TV+, pronto para maratona antes da segunda temporada. A série é a prova de que dá para reinventar o noir sem trair sua essência. A pergunta que fica: a virada sci-fi vai se aprofundar, ou Sugar volta ao território clássico do detetive?