Euphoria acabou na HBO com o último episódio exibido em 31/05/2026, mas a despedida não virou assunto pelo drama. Virou pelo excesso de Coca-Cola em cena. No fim, uma série que ficou famosa pela estética agressiva terminou acusada de parecer vitrine de marca.
Foi um encerramento barulhento. E por um motivo bem específico: muita gente saiu do episódio final com a sensação de ter assistido menos a um desfecho emocional e mais a um anúncio esticado.
Ficha rápida de Euphoria
Na prática, o dado bruto é simples: acabou depois de três temporadas. O detalhe espinhoso é outro. O último capítulo foi recebido com reclamações sobre product placement, a publicidade inserida dentro da narrativa, com a Coca-Cola aparecendo de um jeito chamativo demais.

Quando a marca entra mais do que o drama
Não foi a velha lata perdida no canto da mesa. A reação nas redes apontou algo maior. Teve fã resumindo a irritação como “um comercial de uma hora”, e essa frase pegou porque traduz a sensação do episódio.
Isso pesa mais em Euphoria do que pesaria em muita outra série. O público comprou a ideia de uma obra autoral, intensa e desconfortável. Quando a marca começa a chamar mais atenção do que o conflito, a mágica quebra.
Pior: a série sempre viveu de imagem. Luz, maquiagem, música, enquadramento, corpos em colapso. Tudo em Euphoria foi pensado para bater primeiro no olho e depois no estômago. Se o olho para na publicidade, o resto perde força.
Vale lembrar uma coisa. Inserção de marca não é pecado automático. Cinema e TV fazem isso há décadas. O problema nasce quando a presença comercial parece dominar a cena, e não apenas existir dentro dela.
Foi isso que virou a polêmica final. Ninguém ficou discutindo apenas o destino dos personagens. Muita conversa foi sequestrada pela Coca-Cola. Para uma despedida, é um tipo bem ingrato de legado imediato.
A terceira temporada já chegava cansada
Dói admitir, mas a crítica de que Euphoria talvez não precisasse de uma 3ª temporada faz sentido. O episódio final acabou reforçando essa leitura. Em vez de ampliar o impacto da série, o retorno pareceu esgotado em vários momentos.
A recepção da fase final também caiu. Sem entrar em percentuais soltos e confusos, o retrato geral é claro: a conversa em torno da série já não tinha o mesmo entusiasmo do auge, algo visível inclusive no histórico de Euphoria no Rotten Tomatoes.

Esse desgaste não nasceu só agora. A produção passou por atrasos, mudanças de rumo e um intervalo longo entre temporadas. No meio disso, o elenco cresceu muito fora da série. Zendaya virou nome de blockbuster. Sydney Sweeney explodiu de vez. Jacob Elordi saiu de galã teen para agenda de cinema pesado.
Resultado? O retorno já vinha cercado por uma pergunta incômoda. Ainda existia história nova ali ou só a tentativa de ressuscitar um fenômeno cultural? O final não matou essa dúvida. Na verdade, deixou ela ainda mais exposta.
Sam Levinson também chegou mais observado. Depois de The Idol, parte do público já olhava para qualquer projeto dele esperando excesso de estilo e menos controle dramático. Quando Euphoria encerra em meio a reclamações de publicidade invasiva, o ruído cresce rápido.
O legado continua forte, mesmo com a saída torta
Seria injusto reduzir Euphoria a essa última controvérsia. A série ajudou a redefinir o drama adolescente da TV premium. Influenciou maquiagem, figurino, linguagem visual e até o jeito de filmar festas, vício e solidão em produções da HBO e do streaming.
Zendaya saiu dali com um papel geracional. Hunter Schafer ganhou espaço que poucas séries teen dariam a uma atriz trans com essa centralidade. E o elenco inteiro virou radar constante de Hollywood. Isso não some porque o capítulo final tropeçou feio.
Mas o tropeço existe. E fica. Séries grandes costumam ser lembradas também pela última impressão. Game of Thrones sabe bem como isso funciona. Quando o fechamento divide o público, a discussão muda de lugar e o legado passa a vir sempre com asterisco.

Na Max, Euphoria vira pacote fechado no Brasil
As três temporadas de Euphoria estão no catálogo brasileiro da Max, plataforma que concentra a série por aqui. O título segue disponível para maratona completa, com opções em português para o público brasileiro.
Agora muda o jeito de assistir. Não é mais uma série em espera. É um pacote fechado, com começo, meio e um fim que vai incomodar muita gente. E essa é a pergunta que fica: quando a poeira baixar, Euphoria será lembrada pelo que inventou na TV ou pela Coca-Cola invadindo a despedida?