Depois de Obsessão (Obsession), Passageiro do Mal (Passenger) e Backrooms: Um Não-Lugar (Backrooms), 2026 segue pesado para o terror. O ano já juntou horror psicológico, estrada amaldiçoada e creepypasta de internet. Agora vêm os títulos maiores, e quase todos devem passar primeiro pelos cinemas no Brasil.
E o resto do ano? Tem franquia, tem reboot e tem filme de diretor que gosta de fazer o público suar frio sem depender de susto barato.
Os três filmes que já empurraram 2026
Obsessão entrou como surpresa de festival e ganhou espaço por um caminho que o terror recente conhece bem: desconforto, silêncio e clima ruim no ar. É o tipo de filme mais próximo de Hereditário e O Babadook do que de um slasher tradicional.
Passageiro do Mal, de André Øvredal, vai por outro lado. É terror sobrenatural de estrada, aquele em que a ameaça parece viajar junto. Quem gosta de tensão atmosférica e investigação do macabro já sabe o tipo de mão que o diretor costuma ter.
Backrooms: Um Não-Lugar foi o caso mais barulhento aqui no Brasil. Na abertura, vendeu 412 mil ingressos e fez R$ 9,5 milhões, ficando perto de Pânico 7, que abriu com 466,3 mil ingressos e R$ 10,6 milhões. Não é pouca coisa para um horror nascido de creepypasta.
No mercado brasileiro, esse detalhe pesa. Terror de internet costuma viralizar antes de vender ingresso. Backrooms conseguiu fazer os dois.
Agora entram as franquias pesadas
O calendário que ainda vem por aí mistura marcas gigantes e apostas bem diferentes entre si. Não é “terror” como pacote único. Tem survival horror, slasher, sobrenatural, ficção científica e gótico de época.
Resident Evil talvez seja o título mais curioso dessa leva. Zach Cregger assume a direção, com Austin Abrams no elenco, e a conversa em torno do reboot é simples: menos tiroteio, mais sobrevivência. Se funcionar, vai ficar mais perto do jogo Resident Evil 2 do que da fase mais explosiva do cinema.
Pânico 7 (Scream 7) entra em outra raia. É slasher de evento, com marca forte e apelo imediato. No Brasil, já virou referência de abertura para comparar qualquer terror comercial de 2026.
M3GAN 2.0, O Telefone Preto 2 (The Black Phone 2) e Five Nights at Freddy’s 2 falam com públicos diferentes, mas brigam pelo mesmo espaço. Um vem do horror pop viral, outro do sobrenatural mainstream e o terceiro do fandom gamer jovem. Multiplex lotado, agenda curta.
O lado autoral não saiu da sala escura
Se as franquias puxam bilheteria, o terror de autor continua mandando em discussão crítica. Werwulf, novo filme de Robert Eggers, é o melhor exemplo. Depois de A Bruxa, O Farol e Nosferatu, ele virou sinônimo de horror de época com textura, linguagem e paciência.
Filme de lobisomem com Eggers não pede pressa. Pede atmosfera. E isso já separa Werwulf de metade das estreias do ano.
A Noiva! (The Bride!) também entra nesse bloco mais estilizado. É releitura de monstro clássico, com apelo gótico e cara de produção que quer conversar tanto com o público de gênero quanto com quem acompanha elenco e direção.
Obsessão ajuda a lembrar que 2026 não depende só de continuação. O terror que incomoda mais do que grita ainda tem espaço. E, às vezes, é justamente ele que dura mais na cabeça.
Na ponta comercial, o jogo continua desigual. Backrooms saiu com a A24 nos EUA e distribuição da Imagem Filmes no Brasil, enquanto Pânico 7 segue ligado à Paramount. Já Invocação do Mal: Últimos Ritos chega com o peso de uma máquina de franquia da Warner Bros..
No Brasil, a briga deve acontecer primeiro no cinema
Até aqui, o desenho mais claro para o público brasileiro é esse: cinema antes de streaming. A maioria dos filmes ainda não teve plataforma confirmada no Brasil, e a dublagem em português também não foi detalhada para quase todos.
Isso não trava o hype. Só muda a rota. Em vez de maratona em casa, 2026 deve pedir ingresso, sessão de fim de semana e disputa por spoiler já na saída da sala.
Se Resident Evil acertar a mão no survival horror e Werwulf entregar o peso que Eggers costuma entregar, o terror vai chegar ao fim do ano com duas filas diferentes no Brasil: uma para a franquia barulhenta e outra para o filme estranho que ninguém consegue explicar direito. A pergunta é qual delas vai sair maior.