Resident Evil encosta em Final Fantasy após 200 milhões

Por Leandro Lopes 18/05/2026 às 20:29 5 min de leitura
Resident Evil encosta em Final Fantasy após 200 milhões
5 min de leitura

Resident Evil passou de 200 milhões de unidades vendidas e agora está a só 8 milhões de Final Fantasy. O número, confirmado no relatório financeiro da Capcom, mostra uma virada forte da franquia nos últimos anos.

Não é detalhe de planilha. É uma corrida histórica entre duas marcas gigantes do Japão.

A diferença despencou em quatro anos

Os números atuais colocam Resident Evil em 201 milhões de cópias vendidas no mundo. Final Fantasy segue na frente, com 209 milhões.

Só que o recorte mais interessante está no ritmo. Em 2022, Resident Evil tinha cerca de 125 milhões, enquanto Final Fantasy estava em 168 milhões. A vantagem caiu de mais de 40 milhões para apenas 8.

Franquia Vendas em 2022 Vendas atuais Diferença hoje
Resident Evil 125 milhões 201 milhões -8 milhões para Final Fantasy
Final Fantasy 168 milhões 209 milhões Lidera por 8 milhões

Vale olhar isso com calma. Resident Evil saiu de coadjuvante nessa disputa para ameaça real em pouco tempo.

Resident Evil encosta em Final Fantasy após 200 milhões — foto de divulgação
Resident Evil encosta em Final Fantasy após 200 milhões — foto de divulgação (Reprodução)

Village, RE4 Remake e um catálogo que não para de vender

Esse salto recente tem três motores claros: Resident Evil Village, Resident Evil 4 Remake e o momento criado por Resident Evil Requiem. No caso de Requiem, o peso parece vir mais do lançamento recente e da força de marketing do que de um ciclo longo de vendas.

Os dois outros, aí sim, explicam muita coisa. Village segurou a marca no topo da geração passada. RE4 Remake trouxe um público enorme de volta e ainda puxou quem nunca tinha encostado no original.

Mas não foi só jogo novo. A Capcom virou especialista em manter Resident Evil respirando fora da janela de estreia.

Remakes, relançamentos, bundles e promoções constantes no PC e consoles criaram aquele efeito que toda empresa quer. O jogo vende no lançamento, vende no Natal, vende em promoção e volta a vender quando um capítulo novo aparece.

Funciona porque a franquia consegue falar com públicos diferentes ao mesmo tempo. Tem quem prefira terror mais lento, quem goste da fase mais voltada para ação e quem entrou agora pelos remakes.

Final Fantasy também é gigante, claro. Só que seu ciclo costuma depender mais de grandes eventos e lançamentos espaçados. Resident Evil, hoje, opera em fluxo contínuo.

Arte promocional de Resident Evil 4 Remake com Leon em destaque e clima sombrio
Arte promocional de Resident Evil 4 Remake com Leon em destaque e clima sombrio (Reprodução)

A Capcom achou uma fórmula que pouca gente consegue repetir

Nem toda franquia clássica sobrevive bem ao próprio passado. Resident Evil sobreviveu. E mais: transformou nostalgia em venda recorrente.

A Capcom entendeu cedo que o catálogo antigo ainda tinha muito dinheiro na mesa. Em vez de só republicar os mesmos jogos, ela modernizou títulos-chave e manteve a marca sempre visível.

Resident Evil 2 Remake já tinha mostrado esse caminho antes. Depois vieram Village e RE4 Remake, reforçando uma ideia simples: cada lançamento novo puxa o antigo, e cada remake fortalece o próximo.

Mas será que isso basta para passar Final Fantasy? Hoje, parece mais possível do que parecia em 2022.

O peso simbólico dessa aproximação é enorme. Não estamos falando de qualquer série. É terror de um lado, RPG do outro, ambas com décadas de história e alcance mundial.

Marca Vendas acumuladas Força recente Leitura rápida
Resident Evil 201 milhões Alta Remakes e catálogo girando forte
Final Fantasy 209 milhões Estável Ainda lidera, mas com folga bem menor
Monster Hunter Menor que as duas no acumulado geral da comparação Alta Mostra como o catálogo da Capcom vive grande fase

Até por isso, esse assunto deve voltar em relatório trimestral. A distância ficou pequena demais para passar batido.

Nas lojas brasileiras, Resident Evil continua muito acessível

Para quem joga no Brasil, a notícia faz sentido na prática. Os principais títulos recentes da franquia seguem disponíveis oficialmente nas lojas digitais de PlayStation, Xbox e Steam, o que facilita a entrada de novos jogadores.

E tem outro fator. Resident Evil aparece com frequência em promoções, coleções e versões atualizadas. Isso derruba a barreira de entrada de uma série longa e ajuda muito no tal “rabo longo” de vendas.

Quem ficou de fora por anos consegue entrar por mais de uma porta. Pode começar por Resident Evil 7 biohazard, ir para Village, pular para os remakes ou seguir pela linha clássica. Poucas franquias de terror oferecem esse tipo de caminho tão claro.

No Brasil, isso pesa ainda mais porque a marca sempre teve base forte desde a era do primeiro PlayStation. Não é uma série distante do público daqui. É uma franquia que muita gente já conhece pelo nome, mesmo sem ter jogado todos.

Subnautica 2 vende 2 milhões de cópias em apenas 12 horas após lançamento antecipado
Subnautica 2 vende 2 milhões de cópias em apenas 12 horas após lançamento antecipado (Reprodução)

O próximo relatório pode transformar perseguição em ultrapassagem

Hoje, Final Fantasy ainda está na frente. Fato. Só que a margem caiu para um nível que muda a conversa.

Se a Capcom mantiver esse ritmo com remakes, relançamentos e o impulso de Resident Evil Requiem, a conta pode virar rápido. O que parecia impossível há poucos anos agora cabe em um único número: 8 milhões.