Pela primeira vez em 31 anos, um filme de Toy Story não é classificação livre. Toy Story 5 chega aos cinemas em 19 de junho com selo PG, algo que nenhuma das quatro animações anteriores teve desde 1995.
A mudança não é por acaso. A própria classificação indústria citou elementos temáticos e humor mais ácido. E o filme traz outra novidade que vai mexer com a memória afetiva de toda uma geração.
Por que deixou de ser livre

A classificação PG pegou os fãs de surpresa. Os quatro filmes anteriores eram todos G, o equivalente ao livre para todos os públicos. A justificativa oficial fala em alguns elementos temáticos e humor rude.
Na prática, isso inclui piadas mais ousadas que o normal da franquia. Há brincadeiras sobre a barriga de cerveja e a calvície do Woody, por exemplo. É um tom levemente mais adulto, sinal de que a Pixar mira também os fãs que cresceram com a série.
A duração também aumentou. São 102 minutos, o segundo filme mais longo da franquia. Tudo aponta para uma sequência mais ambiciosa, que tenta dialogar com um público que envelheceu junto com Woody e Buzz.
Brinquedos contra a tecnologia
A premissa é dolorosamente atual. A pequena Bonnie larga os brinquedos por um tablet com personalidade forte, chamado Lilypad. Woody, Buzz e Jessie precisam se virar contra um inimigo que não é vilão clássico, mas a tela que hipnotiza as crianças.
O tablet Lilypad é dublado por Greta Lee, de Vidas Passadas. Ele tem opiniões próprias e ameaça dominar o mundo de Bonnie. É a Pixar encarando de frente o medo de toda família moderna: a competição entre o brinquedo físico e a tela infinita.
Esse tema dá peso à sequência. Mais do que uma nova aventura, o filme é um comentário sobre infância na era digital. Os brinquedos enfrentam, literalmente, a obsolescência diante da tecnologia.
A versão brasileira do elenco
No Brasil, o filme chega com dublagem caprichada, tradição da franquia por aqui. Os brinquedos sempre tiveram vozes marcantes na versão nacional, e a quinta parte mantém esse cuidado com a localização.
A dublagem brasileira de Toy Story é parte do carinho do público local pela série. Gerações inteiras conhecem Woody e Buzz pelas vozes em português. Para o espectador daqui, essa familiaridade é parte essencial da experiência.
Por isso, a estreia nacional é tão aguardada quanto a americana. A Disney costuma investir pesado na versão brasileira de seus grandes lançamentos animados, cientes do tamanho do mercado infantil no país.
Jessie no centro da história

Desta vez, o protagonismo é da Jessie. A trama volta à infância da boneca caubói e traz de volta Emily, sua dona original, vista pela última vez em Toy Story 2, lá em 1999.
Um clipe oficial da Disney revelou algo inédito: o rosto de Emily. No filme de 1999, ela só aparecia dos ombros para baixo, na célebre e melancólica sequência da música When She Loved Me. Agora, finalmente vemos quem foi a dona que abandonou Jessie.
A revelação reacende uma das maiores teorias de fãs da franquia. Muita gente acredita que Emily seria a mãe do Andy, dono de Woody. O filme parece disposto a brincar com essa conexão, mexendo direto na nostalgia do público.
Taylor Swift assina a música tema
A trilha ganhou reforço de peso. Taylor Swift compôs e gravou I Knew It, I Knew You, a música tema ligada à história da Jessie. A faixa foi lançada em 5 de junho e gerou enorme repercussão entre os fãs da cantora.
A escolha é estratégica. Unir o maior fenômeno pop do momento à nostalgia de Toy Story garante alcance fora do público infantil. É o tipo de jogada que transforma a estreia num evento cultural, não só num lançamento de animação.
O peso de continuar uma despedida perfeita
Há um desafio grande pela frente. Toy Story 3 entregou um dos finais mais emocionantes da animação, e Toy Story 4 deu a Woody uma despedida tocante. Continuar essa história sem estragar o que veio antes é arriscado.
A Pixar, porém, parece consciente disso. Ao colocar Jessie no centro e abordar a tecnologia, o estúdio busca um ângulo novo em vez de repetir a fórmula. A aposta é dar à franquia um motivo real para existir mais uma vez.
No Brasil, Toy Story 5 estreia nos cinemas e depois deve chegar ao Disney+, como toda animação da Pixar. A pergunta que fica: depois de despedidas tão perfeitas, a turma de Woody ainda tem uma história nova que vale ser contada?