Cidade das Mentiras: O fracasso que o streaming resgatou

Por Leandro Lopes 31/05/2026 às 22:27 4 min de leitura Atualizado: 03/06/2026
Cidade das Mentiras: O fracasso que o streaming resgatou
4 min de leitura

Cidade das Mentiras (City of Lies) voltou ao radar em 01/06/2026 com a chegada ao Plex. O thriller policial com Johnny Depp fracassou nos cinemas, dividiu a crítica e agora ganha uma chance rara: ser descoberto sem o peso de bilheteria.

Faz sentido. Esse sempre foi o tipo de filme que parecia destinado ao streaming, não ao multiplex.

O filme que falhou no caixa, mas não sumiu

Lançado em 2018 e dirigido por Brad Furman, Cidade das Mentiras acompanha o detetive Russell Poole, vivido por Depp, na investigação do assassinato de Christopher Wallace, o Notorious B.I.G.

Forest Whitaker entra como o jornalista que cutuca o caso ao lado dele. É uma dupla boa de assistir. Menos explosiva do que o cartaz sugere, mais cansada e amarga.

Nos EUA, o longa saiu de forma restrita pela Saban Films depois de um histórico de adiamentos. O resultado foi duro: bilheteria mundial de cerca de US$ 1,6 milhão para um filme com duas estrelas gigantes no elenco.

Isso pesa. Mas não mata um thriller quando o assunto continua vivo no imaginário do público.

Cidade das Estrelas
Cidade das Estrelas (Reprodução)

A crítica torceu o nariz. O público não

Os números contam uma história curiosa. No Rotten Tomatoes, o filme tem 49% entre os críticos e 86% com o público.

No Metacritic, a média dos críticos fica em torno de 41/100. Ou seja: imprensa fria, audiência bem mais aberta.

Mas por quê? Porque Cidade das Mentiras entrega um pacote que o streaming costuma valorizar melhor do que o cinema: caso real, corrupção policial, Los Angeles sufocante e um Johnny Depp segurando a atuação no freio.

Não é Zodíaco. Nem tenta ser. Só que também não é o desastre que a recepção inicial fez parecer.

Johnny Depp em modo contido

Quem chega esperando um Depp espalhafatoso vai tomar um susto. Aqui ele joga baixo, fala pouco e carrega o filme no desgaste físico do personagem.

É quase o oposto da imagem blockbuster que ficou grudada nele por anos. O Russell Poole de Cidade das Mentiras parece alguém que dorme mal há décadas.

Funciona. Principalmente porque o roteiro de Christian Contreras entende que obsessão investigativa fica mais forte no silêncio do que no discurso.

Whitaker ajuda a manter o eixo. Quando o filme ameaça cair em exposição demais, ele puxa tudo para um tom mais humano.

Ficha técnica de Cidade das Mentiras

Campo Informação
Título original City of Lies
Título no Brasil Cidade das Mentiras
Direção Brad Furman
Roteiro Christian Contreras
Baseado em LAbyrinth, de Randall Sullivan
Elenco principal Johnny Depp, Forest Whitaker, Rockmond Dunbar, Neil Brown Jr., Xander Berkeley
Gênero Thriller policial, drama
Duração 112 minutos
Classificação R nos EUA
Estreia original 19/09/2018
Bilheteria mundial aproximadamente US$ 1,6 milhão
Rotten Tomatoes 49% críticos / 86% público
Metacritic 41/100
Streaming citado Plex
Entrada no catálogo 01/06/2026

Essa ficha mostra bem o tamanho do contraste. Elenco de peso, tema quente e resultado comercial minúsculo.

Por que o Plex virou a casa certa para esse tipo de filme

O Plex não disputa conversa com estreias gigantes. Ele vive de redescoberta. E Cidade das Mentiras cabe perfeitamente nesse modelo.

Filmes assim ganham fôlego quando a barreira de entrada cai. Sem ingresso, sem aluguel isolado e sem campanha vendendo “evento”, sobra espaço para o público decidir com menos ruído.

Tem outro detalhe: true crime continua puxando clique e play em qualquer plataforma. Quando o caso envolve o assassinato de Notorious B.I.G., a curiosidade vem pronta.

Também ajuda o fato de Depp ainda ser um nome que chama atenção de catálogo. Mesmo num projeto menor, ele continua arrastando descoberta tardia.

No Brasil, a janela ainda pede checagem

O Plex opera por aqui em aplicativo e navegador, mas o catálogo varia conforme a região. A entrada de Cidade das Mentiras em 01/06/2026 foi anunciada pela plataforma, só que a disponibilidade no Brasil pode mudar de acordo com licenciamento local.

O mesmo vale para áudio e legenda. Até aqui, não houve padronização pública de dublagem em português para essa nova janela, então o ideal é abrir o app e conferir antes.

Se aparecer no catálogo brasileiro, é um achado interessante para quem gosta de investigação suja, caso real e filme que ficou melhor depois que o hype morreu. No fim, a dúvida boa é outra: o problema estava no longa ou no jeito torto como ele foi lançado?

Trailer