O Último Duelo reaparece — e merece outra chance

Por Leandro Lopes 01/06/2026 às 05:31 5 min de leitura Atualizado: 03/06/2026
O Último Duelo reaparece — e merece outra chance
5 min de leitura

O Último Duelo (The Last Duel) entrou no Paramount+ em 1º de junho de 2026 e ganhou a chance que não teve nos cinemas. O filme de Ridley Scott foi bem recebido pela crítica, afundou na bilheteria e agora volta ao radar num lugar que faz mais sentido para ele: o sofá.

Demorou cinco anos. Mas esse tipo de filme costuma envelhecer melhor do que muita estreia da semana.

Ficha rápida de O Último Duelo

Item Detalhe
Título original The Last Duel
Título no Brasil O Último Duelo
Direção Ridley Scott
Roteiro Matt Damon, Ben Affleck e Nicole Holofcener
Base literária The Last Duel: A True Story of Trial by Combat in Medieval France, de Eric Jager
Elenco principal Matt Damon, Adam Driver, Jodie Comer, Ben Affleck
Gênero Épico histórico, drama, filme de época
Duração 152 minutos
Ano de estreia 2021
Estúdio 20th Century Studios
Plataforma no Brasil Paramount+
Entrada no catálogo 1º de junho de 2026
Rotten Tomatoes 85%
Metacritic 67/100
Bilheteria mundial US$ 30,6 milhões
Orçamento estimado US$ 100 milhões

Os números explicam o contraste. US$ 30,6 milhões no mundo todo para um filme que custou cerca de US$ 100 milhões é fracasso comercial, sem rodeio.

Já a recepção crítica contou outra história: 85% no Rotten Tomatoes e 67/100 no Metacritic. Não é unanimidade, mas está longe de ser rejeição.

Cena do tribunal medieval em O Último Duelo, com Jodie Comer ao centro e nobres ao redor
Cena do tribunal medieval em O Último Duelo, com Jodie Comer ao centro e nobres ao redor (Reprodução)

Por que o cinema rejeitou um filme que a crítica comprou

O Último Duelo nunca teve cara de blockbuster. São 2h32 de drama medieval, violência seca, debate sobre poder e uma estrutura em múltiplos pontos de vista.

É o tipo de projeto que lembra a fase mais séria de Ridley Scott, entre Gladiador, Cruzada e seus filmes históricos mais pesados. Bonito de ver, adulto no tema e pouco interessado em agradar rápido.

Também ajuda a entender o tropeço. Matt Damon, Adam Driver e Ben Affleck vendem ingresso, claro, mas esse aqui não é um filme de estrela salvando o dia.

Na prática, o centro da história está com Jodie Comer, como Marguerite de Carrouges. E porque o longa sai do duelo em si e entra na disputa pelo controle da narrativa.

O truque do roteiro continua forte

Ridley Scott conta o mesmo caso por versões diferentes. Quem conhece Rashomon vai sacar a lógica rápido.

Primeiro vem Jean de Carrouges, vivido por Matt Damon. Depois, Jacques Le Gris, com Adam Driver. Por fim, a versão de Marguerite — e é aí que o filme realmente encaixa suas peças.

Funciona melhor numa plataforma porque pede atenção, não pressa. Você pausa, volta, repara num gesto, numa frase, num enquadramento. Reassistir faz sentido.

Esse formato também segura o interesse mesmo sabendo o destino da história. Pouca coisa envelhece tão bem no streaming quanto filme construído para ser revisto.

Ridley Scott em modo adulto

Nem todo épico histórico precisa virar parque de diversões. O Último Duelo é quase o oposto disso.

A direção de Scott pesa mais no clima do que na grandiosidade. Tem batalha, tem cavalo, tem lama. Mas o que fica é o desconforto.

Ben Affleck entra como o Conde Pierre d’Alençon e rouba a cena por outro caminho. Está espalhafatoso, debochado, quase venenoso. É uma energia estranha no melhor sentido.

Harriet Walter, Alex Lawther e Marton Csokas completam um elenco que dá densidade ao mundo medieval. Nada soa de fantasia limpinha. Tudo parece áspero, sujo e hierárquico.

Mas será que isso conversa com o público de catálogo? Hoje, mais do que em 2021, sim. Streaming virou abrigo de filme adulto que o cinema grande já não sabe vender.

O que o Paramount+ ganha com esse resgate

Catálogo vive de chamariz imediato, mas também de descoberta tardia. O Último Duelo entra nesse segundo grupo.

É um título de diretor gigante, elenco conhecido e reputação crítica sólida. Mesmo quem ignorou no lançamento pode topar dar play agora pela curiosidade de ver “o fracasso bom” de Ridley Scott.

E tem outro detalhe: não parece descartável. Num mar de filme que some da cabeça em dois dias, esse aqui volta em conversa de bar, thread de rede social e lista de “como isso passou batido?”.

Já está no catálogo brasileiro do Paramount+

O Último Duelo está disponível no catálogo brasileiro do Paramount+ desde 1º de junho de 2026. São 152 minutos de filme, com perfil mais adulto e bem menos amigável do que o pôster de épico de guerra pode sugerir.

Se no cinema ele pareceu grande demais, solene demais e caro demais para o momento, no streaming a conta muda. A bilheteria de US$ 30,6 milhões virou passado; a pergunta agora é outra: quantos filmes desse porte ainda conseguem ganhar uma segunda vida depois de morrer na primeira?