O Último Duelo (The Last Duel) entrou no Paramount+ em 1º de junho de 2026 e ganhou a chance que não teve nos cinemas. O filme de Ridley Scott foi bem recebido pela crítica, afundou na bilheteria e agora volta ao radar num lugar que faz mais sentido para ele: o sofá.
Demorou cinco anos. Mas esse tipo de filme costuma envelhecer melhor do que muita estreia da semana.
Ficha rápida de O Último Duelo
| Item | Detalhe |
|---|---|
| Título original | The Last Duel |
| Título no Brasil | O Último Duelo |
| Direção | Ridley Scott |
| Roteiro | Matt Damon, Ben Affleck e Nicole Holofcener |
| Base literária | The Last Duel: A True Story of Trial by Combat in Medieval France, de Eric Jager |
| Elenco principal | Matt Damon, Adam Driver, Jodie Comer, Ben Affleck |
| Gênero | Épico histórico, drama, filme de época |
| Duração | 152 minutos |
| Ano de estreia | 2021 |
| Estúdio | 20th Century Studios |
| Plataforma no Brasil | Paramount+ |
| Entrada no catálogo | 1º de junho de 2026 |
| Rotten Tomatoes | 85% |
| Metacritic | 67/100 |
| Bilheteria mundial | US$ 30,6 milhões |
| Orçamento estimado | US$ 100 milhões |
Os números explicam o contraste. US$ 30,6 milhões no mundo todo para um filme que custou cerca de US$ 100 milhões é fracasso comercial, sem rodeio.
Já a recepção crítica contou outra história: 85% no Rotten Tomatoes e 67/100 no Metacritic. Não é unanimidade, mas está longe de ser rejeição.

Por que o cinema rejeitou um filme que a crítica comprou
O Último Duelo nunca teve cara de blockbuster. São 2h32 de drama medieval, violência seca, debate sobre poder e uma estrutura em múltiplos pontos de vista.
É o tipo de projeto que lembra a fase mais séria de Ridley Scott, entre Gladiador, Cruzada e seus filmes históricos mais pesados. Bonito de ver, adulto no tema e pouco interessado em agradar rápido.
Também ajuda a entender o tropeço. Matt Damon, Adam Driver e Ben Affleck vendem ingresso, claro, mas esse aqui não é um filme de estrela salvando o dia.
Na prática, o centro da história está com Jodie Comer, como Marguerite de Carrouges. E porque o longa sai do duelo em si e entra na disputa pelo controle da narrativa.
O truque do roteiro continua forte
Ridley Scott conta o mesmo caso por versões diferentes. Quem conhece Rashomon vai sacar a lógica rápido.
Primeiro vem Jean de Carrouges, vivido por Matt Damon. Depois, Jacques Le Gris, com Adam Driver. Por fim, a versão de Marguerite — e é aí que o filme realmente encaixa suas peças.
Funciona melhor numa plataforma porque pede atenção, não pressa. Você pausa, volta, repara num gesto, numa frase, num enquadramento. Reassistir faz sentido.
Esse formato também segura o interesse mesmo sabendo o destino da história. Pouca coisa envelhece tão bem no streaming quanto filme construído para ser revisto.
Ridley Scott em modo adulto
Nem todo épico histórico precisa virar parque de diversões. O Último Duelo é quase o oposto disso.
A direção de Scott pesa mais no clima do que na grandiosidade. Tem batalha, tem cavalo, tem lama. Mas o que fica é o desconforto.
Ben Affleck entra como o Conde Pierre d’Alençon e rouba a cena por outro caminho. Está espalhafatoso, debochado, quase venenoso. É uma energia estranha no melhor sentido.
Harriet Walter, Alex Lawther e Marton Csokas completam um elenco que dá densidade ao mundo medieval. Nada soa de fantasia limpinha. Tudo parece áspero, sujo e hierárquico.
Mas será que isso conversa com o público de catálogo? Hoje, mais do que em 2021, sim. Streaming virou abrigo de filme adulto que o cinema grande já não sabe vender.
O que o Paramount+ ganha com esse resgate
Catálogo vive de chamariz imediato, mas também de descoberta tardia. O Último Duelo entra nesse segundo grupo.
É um título de diretor gigante, elenco conhecido e reputação crítica sólida. Mesmo quem ignorou no lançamento pode topar dar play agora pela curiosidade de ver “o fracasso bom” de Ridley Scott.
E tem outro detalhe: não parece descartável. Num mar de filme que some da cabeça em dois dias, esse aqui volta em conversa de bar, thread de rede social e lista de “como isso passou batido?”.
Já está no catálogo brasileiro do Paramount+
O Último Duelo está disponível no catálogo brasileiro do Paramount+ desde 1º de junho de 2026. São 152 minutos de filme, com perfil mais adulto e bem menos amigável do que o pôster de épico de guerra pode sugerir.
Se no cinema ele pareceu grande demais, solene demais e caro demais para o momento, no streaming a conta muda. A bilheteria de US$ 30,6 milhões virou passado; a pergunta agora é outra: quantos filmes desse porte ainda conseguem ganhar uma segunda vida depois de morrer na primeira?