Cinema brasileiro bate recorde com novo fôlego nas salas

Por Leandro Lopes 17/05/2026 às 00:31 5 min de leitura
Cinema brasileiro bate recorde com novo fôlego nas salas
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O Diabo Veste Prada 2 (The Devil Wears Prada 2) virou mais do que uma continuação nostálgica: o filme puxou a melhor semana de 2026 nos cinemas do Brasil. Entre 30/04 e 06/05, mais de 5,2 milhões de pessoas passaram pelas salas. Abaixo, o que esses números contam e por que Miranda Priestly voltou maior do que muita gente imaginava.

Não é um detalhe pequeno. É a melhor semana em número de ingressos no país desde 04/07/2024, segundo o recorte de mercado que cruza dados do Filme B com a venda da Ingresso.com.

Cinco milhões em sete dias

A semana foi puxada quase inteira por um título só. O Diabo Veste Prada 2 respondeu por 64% dos ingressos vendidos na Ingresso.com no período analisado.

Sozinho, o filme já soma 3,3 milhões de ingressos no Brasil. Para uma sequência de comédia dramática, é um número fora da curva. Ainda mais num mercado que costuma depender de super-herói, animação e ação barulhenta.

Tem mais. Quando se junta O Diabo Veste Prada 2 com Michael, os dois títulos chegaram a 93% dos tíquetes vendidos nas plataformas da Ingresso.com na última cinessemana.

Ou seja: foi uma semana excelente para o circuito exibidor, mas muito concentrada. O caixa sorriu. A diversidade de títulos em cartaz, nem tanto.

Por que essa sequência virou um caso de bilheteria

A explicação mais óbvia é a nostalgia. O primeiro O Diabo Veste Prada (The Devil Wears Prada), lançado em 2006 e baseado no livro de Lauren Weisberger, fez mais de US$ 326 milhões no mundo.

Mas só nostalgia não carrega 3,3 milhões de ingressos. O que vende aqui é o pacote inteiro: Meryl Streep, Anne Hathaway, Emily Blunt e Stanley Tucci de volta, mais um elenco novo cheio de nome conhecido.

E tem outro fator. Faz tempo que uma comédia dramática adulta não entra em cartaz com cara de evento. Quando isso acontece, o público mais velho reaparece. E o jovem vai junto pela curiosidade, pelo meme e pelo peso do elenco.

Ficha técnica O Diabo Veste Prada 2
Título original The Devil Wears Prada 2
Direção David Frankel
Roteiro Aline Brosh McKenna
Estúdio 20th Century Studios
Produção Sunswept Entertainment, Wendy Finerman Productions
Gênero Comédia dramática, sátira de moda
Elenco principal Meryl Streep, Anne Hathaway, Emily Blunt, Stanley Tucci
Personagens confirmados Miranda Priestly, Nigel, Lily, Irv Ravitz
Novos nomes no elenco Kenneth Branagh, Lucy Liu, Simone Ashley, Justin Theroux, Caleb Hearon, B.J. Novak, Pauline Chalamet, Lady Gaga
Público no Brasil 3,3 milhões de ingressos
Bilheteria global US$ 247 milhões

David Frankel e Aline Brosh McKenna também voltaram. Isso pesa. Não é só o elenco reprisando sucesso; é a equipe criativa retomando a mesma marca que fez o original funcionar.

Michael corre junto, mas Miranda puxou a semana

Michael ainda está acima no total de público no Brasil, com mais de 3,8 milhões de espectadores. No mundo, também leva vantagem: US$ 439 milhões, contra US$ 247 milhões de O Diabo Veste Prada 2.

No ranking mundial de 2026, Michael aparece em 4º lugar, enquanto O Diabo Veste Prada 2 está em 6º. Só que o recorte da semana brasileira teve outra dona.

Miranda Priestly arrastou o momento. E isso muda a leitura do mercado nacional: um filme pode estar atrás no acumulado e, ainda assim, ser o motor da semana quando acerta o timing.

Filme Público no Brasil Bilheteria global Ranking mundial 2026
O Diabo Veste Prada 2 3,3 milhões de ingressos US$ 247 milhões 6º lugar
Michael Mais de 3,8 milhões de espectadores US$ 439 milhões 4º lugar

Vale olhar para isso sem maquiagem. A semana foi forte, sim, mas sustentada por dois filmes só. Quando duas produções somam 93% das vendas num grande player de ingressos, o recado é claro: o exibidor respira melhor, porém o mercado segue dependente de poucos gigantes.

O original de 2006 ajuda, mas 2026 tem mérito próprio

Existe um atalho fácil aqui: dizer que o filme só bateu porque o público ama o original. Seria reduzir demais a história.

O que aconteceu em 2026 mistura memória afetiva com leitura boa de lançamento. Um elenco que ainda chama atenção, uma marca reconhecível e uma janela sem concorrente do mesmo perfil. Combo forte.

Também tem um gosto de revanche. Durante anos, filme “de moda” foi tratado como algo menor por parte do mercado. Agora a sequência vira locomotiva de bilheteria e empurra a melhor semana do ano.

Por enquanto, a passarela é o cinema

O Diabo Veste Prada 2 está em cartaz nos cinemas brasileiros. Quem quiser ver agora precisa ir de sessão tradicional mesmo, checando cidade, horário e tipo de exibição nas plataformas de venda.

O streaming ainda não entra nessa conta. Hoje, a conversa é outra: 5,2 milhões de pessoas numa semana e 64% das vendas da Ingresso.com nas mãos de um único filme. Quando uma continuação desse perfil consegue isso, a pergunta fica no ar: quantos lançamentos médios ainda conseguem espaço real na mesma tela?

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