Kane Parsons, diretor de Backrooms: Um Não-Lugar (The Backrooms), foi bem claro: Star Wars e Star Trek não entram no radar dele agora. A fala saiu no podcast The Town with Matt Belloni e explica o tipo de carreira que ele quer construir.
Em vez de correr para uma franquia gigante, o cineasta de 20 anos prefere criar mundos próprios. E, no caso dele, isso faz sentido. Parsons nasceu no terror de internet, não dentro da máquina dos estúdios.
Star Wars não entra no radar dele
Parsons disse que não quer trabalhar com IPs, ou seja, propriedades intelectuais já estabelecidas. Ele citou Star Wars e Star Trek como exemplos do tipo de universo que prefere evitar.
A justificativa é simples: ele quer fazer coisas originais. Entrar no mundo criativo de outra pessoa, para ele, pode atrapalhar o próprio impulso artístico.
“Uma ou duas coisas da infância.”
Essa ressalva importa. Não é um “nunca” absoluto. É mais um filtro bem rígido: só entraria em algo que tenha ligação real com a formação dele, especialmente obras do começo dos anos 2000.
Ficha técnica de Backrooms: Um Não-Lugar
| Item | Detalhe |
|---|---|
| Título original | The Backrooms |
| Título no Brasil | Backrooms: Um Não-Lugar |
| Direção | Kane Parsons |
| Elenco principal | Chiwetel Ejiofor, Renate Reinsve |
| Gênero | Terror, suspense, ficção experimental |
| Base de origem | Creepypasta e curtas da internet |
| Distribuidora | A24 |
| Status | Filme lançado |
| Disponibilidade no Brasil | Sem plataforma confirmada oficialmente até agora |
O longa é o passo mais ambicioso de uma trajetória que começou no YouTube. Em 2022, Parsons viralizou com The Backrooms (Found Footage), um curta que transformou corredor vazio, ruído de fita e câmera trêmula em pesadelo coletivo.
Não foi sorte. Ele entendeu cedo uma coisa que muito terror caro esquece: sugestão assusta mais do que monstro em tela o tempo todo.
A24, internet e uma carreira sem piloto automático
A recusa chama atenção porque Hollywood adora puxar diretores novos para franquias bilionárias. Quando um nome jovem acerta um filme de gênero, o passo seguinte costuma ser previsível: super-herói, ficção científica de estúdio ou continuação de marca conhecida.
Parsons está indo na direção contrária. E combina com a A24, estúdio que virou abrigo de cineastas mais autorais, especialmente no terror.
Basta olhar em volta. Filmes como Hereditário (Hereditary), Midsommar e Longlegs cresceram muito mais pela assinatura de quem dirigiu do que por depender de universo compartilhado.
Vale dizer: ele não rejeitou cinema de estúdio como ideia. O que ele descartou foi a lógica de virar “diretor alugado” para tocar brinquedo dos outros.
Backrooms saiu da internet e virou marca própria
Esse é o detalhe mais forte da história. Parsons não chegou ao cinema tentando imitar uma franquia famosa. Ele trouxe com ele uma linguagem que nasceu da cultura de internet, do terror de baixa resolução e do medo de espaços vazios.
Backrooms: Um Não-Lugar carrega exatamente essa identidade. Corredores sem fim, sensação de deslocamento e um clima que parece pesadelo gravado em fita velha. Não é terror de susto fácil. É desconforto puro.
Por isso a fala sobre Star Wars pesa mais do que parece. Um diretor de 20 anos, em ascensão, normalmente diria “sim” e agradeceria a ligação. Parsons olhou para esse caminho e preferiu manter a própria voz.
No Brasil, o filme ainda espera uma plataforma
Por enquanto, Backrooms: Um Não-Lugar segue sem plataforma confirmada oficialmente no Brasil. Também não há indicação pública sobre dublagem em português neste momento.
O curioso é que a notícia mais interessante nem é essa. É outra: se Kane Parsons já pode dizer “não” para Star Wars tão cedo na carreira, então qual universo da infância dele seria forte o bastante para arrancar um “sim”?