O Mandaloriano e Grogu chegou a US$ 253 milhões no mundo. Para Star Wars, isso deveria ser comemoração. Mas o filme acaba de marcar o pior recuo de bilheteria da história da franquia nos cinemas.
A queda no segundo fim de semana foi de 70,1%. Nenhum live-action de Star Wars despencou tão rápido. E o tombo levantou uma dúvida incômoda sobre o futuro da saga nas telonas.
A queda que ninguém esperava

O começo foi promissor. O filme de Jon Favreau abriu com cerca de US$ 100 milhões no fim de semana do Memorial Day. Depois disso, porém, a sustentação simplesmente não veio.
A despencada de 70,1% na segunda semana foi a pior da franquia. Na terceira, caiu mais 61%. Como resultado, virou o live-action de Star Wars mais rápido a deixar o Top 5 doméstico, fora da lista após apenas dois fins de semana.
Para efeito de comparação, até Os Últimos Jedi e Han Solo seguraram quatro fins de semana no Top 5. A trajetória atual lembra justamente a de Solo, o maior tropeço comercial da saga.
A conta que preocupa a Disney
O orçamento foi de US$ 165 milhões, sem contar marketing e distribuição. Somando esses custos, o ponto de equilíbrio nos cinemas fica perto de US$ 412 milhões. Algumas estimativas falam em US$ 500 a 600 milhões para realmente dar lucro.
As projeções, no entanto, indicam que o filme pode não passar de US$ 400 milhões globais. Em outras palavras, a aventura de Din Djarin nas telonas corre sério risco de fechar no vermelho contábil.
Pedro Pascal ficou de fora da festa
Há uma queixa recorrente nas críticas. Pedro Pascal, o rosto da franquia, teria sido subaproveitado. O desmascaramento de Din Djarin, momento que poderia ter peso enorme, acontece sem grande impacto dramático.
Para a ScreenRant, o diretor Jon Favreau poderia ter feito muito mais com o tempo de tela do astro. Cenas que pediam o clímax acabaram empurradas para o segundo ato. O resultado é um protagonista estranhamente apagado no próprio filme.
Oito cameos e um segredo de George Lucas

Para os fãs, o filme entrega fan service de sobra. São oito cameos de Star Wars espalhados pela história, incluindo diretores como Dave Filoni, Deborah Chow e Rick Famuyiwa, além da voz icônica de Anthony Daniels.
O easter egg mais profundo é Embo. O caçador de recompensas Kyuzo faz sua estreia em live-action e se conecta a desenhos originais de George Lucas para Underworld, uma série cancelada que nunca saiu do papel. É um aceno à história não contada da saga.
Para Dave Filoni, que dá voz a Embo, a referência é pessoal. Ele lembrou que, enquanto criavam The Clone Wars, Lucas desenvolvia em paralelo aquela série live-action que jamais estreou. Trazer Embo às telas resgata um pedaço perdido desse plano antigo.
O público gostou mais que a crítica
Nem tudo é tragédia na recepção. No Rotten Tomatoes, a crítica deu 62%, um número morno. O público, porém, foi mais generoso, com 87% de aprovação. A diferença sugere que quem é fã saiu satisfeito da sessão.
O problema, então, não é necessariamente a qualidade percebida. É o tamanho do investimento contra o retorno real. Um filme que agrada o público mas não enche as salas vira dor de cabeça financeira, não artística.
Essa distância entre carinho e bilheteria define o momento atual de Star Wars. A marca ainda mobiliza paixão, mas converter essa paixão em ingressos ficou mais difícil. O streaming, afinal, acostumou o público a esperar pela estreia em casa.
A volta de Star Wars ao cinema em xeque
Este era um filme simbólico. Depois de anos preso ao streaming, com séries no Disney+, o Mandaloriano levava a franquia de volta às telonas. A missão era provar que Star Wars ainda funciona como grande evento de cinema.
O resultado coloca essa tese em dúvida. Se nem o personagem mais querido da era recente garante público nas salas, a Lucasfilm precisa repensar quais histórias merecem o investimento de um lançamento cinematográfico.
Por isso, os olhos se voltam para Starfighter. O próximo capítulo carrega agora um peso extra: o de reconquistar a confiança de que StarWars pertence ao cinema, e não apenas à TV de casa.
O que vem depois
A Disney já olha para frente. O próximo filme de Star Wars é Starfighter, dirigido por Shawn Levy e estrelado por Ryan Gosling. A ambientação fica cinco anos após A Ascensão Skywalker.
A aposta é que Starfighter tenha mais apelo, com sabres de luz e maior relevância para o cânone central. O Mandaloriano e Grogu, por outro lado, deixa uma lição amarga: nem mesmo o Baby Yoda garante lotação nos cinemas. A pergunta que fica: Star Wars ainda é um evento de bilheteria, ou virou negócio de streaming?