Backrooms: Um Não-Lugar (Backrooms) não vai parar no primeiro filme. Kane Parsons confirmou que a história já nasceu pensando em continuações, e a A24 agora tem nas mãos algo raro: um terror de internet que virou aposta de franquia nos cinemas.
Não foi uma decisão de última hora. O plano, nas palavras do diretor, existe desde 2022.
Backrooms já nasceu como primeiro capítulo
Parsons tratou o longa como parte de algo maior desde o começo. Não como um experimento isolado. Isso muda bastante a leitura do filme, porque explica por que tanta coisa parece montada para abrir portas, e não para fechá-las.
“As sequências estão nos planos desde 2022. Este longa é a primeira parte, e a ideia é chegar ao verdadeiro cerne da proposta em várias etapas.”
Isso combina com a origem do projeto. Backrooms nasceu nos vídeos virais de Parsons no YouTube e sempre funcionou mais como universo do que como história fechada. O medo ali vem do ambiente: corredores vazios, carpete amarelo, luz ruim e a sensação de estar num lugar que não deveria existir.
É o chamado horror liminar, aquele terror de espaços estranhamente familiares e errados ao mesmo tempo. Quem já viu foto de escritório vazio às 3 da manhã entende na hora.
Ficha rápida do filme
| Item | Detalhe |
|---|---|
| Título original | Backrooms |
| Título no Brasil | Backrooms: Um Não-Lugar |
| Direção | Kane Parsons |
| Estúdio | A24 |
| Gênero | Terror / suspense |
| Base original | Série viral de vídeos no YouTube |
| Elenco principal | Chiwetel Ejiofor (Clark), Renate Reinsve (Mary) |
| Status | Sequências confirmadas, em desenvolvimento |
| Orçamento estimado | Abaixo de US$ 10 milhões |
| Bilheteria nos EUA | US$ 81 milhões |
| Bilheteria mundial | US$ 118 milhões |
| Recepção do público | CinemaScore B- |
| Disponibilidade no Brasil | Em cartaz nos cinemas |

O salto que colocou a A24 em modo franquia
A conversa sobre sequência não veio só da criatividade. Veio do caixa. Com menos de US$ 10 milhões de orçamento e US$ 118 milhões no mundo, Backrooms entrou na faixa de filme barato que rende como blockbuster médio.
Não tem como ignorar esse tamanho. O longa ainda virou a maior estreia da história da A24 nos cinemas, passando Guerra Civil no ranking interno do estúdio.
A24 sempre teve força com terror autoral. Mas uma coisa é lançar filme cult que cresce no boca a boca. Outra é achar uma marca com cara de série longa, público jovem e material quase infinito para expandir.
Por isso a fala de Parsons pesa. Ela mostra que a continuação não é remendo para aproveitar bilheteria. O dinheiro acelerou o processo, claro. Só que a estrutura já estava montada antes.
Bilheteria alta, reação dividida
A parte curiosa é outra: Backrooms não saiu dos cinemas com unanimidade do público. O CinemaScore B- aponta recepção mista, o que é bem diferente de um terror que agrada geral e vira consenso imediato.
Traduzindo? Muita gente comprou a ideia. Nem todo mundo saiu satisfeito do mesmo jeito. Isso costuma acontecer com filme de conceito, ainda mais quando ele prefere clima, sugestão e estranheza em vez de explicar tudo.
Esse detalhe importa porque as sequências agora carregam uma missão dupla. Precisam manter o desconforto que fez o projeto chamar atenção e, ao mesmo tempo, entregar uma narrativa mais redonda para quem achou o primeiro frio demais.
Do YouTube para o cinema sem perder a cara
Backrooms se encaixa numa tendência clara do terror recente: ideias que nascem na internet e migram para o cinema com apelo de marca. Five Nights at Freddy’s veio dos games. Creepypastas viraram filmes. Espaços liminares agora chegaram ao circuito grande.
A diferença aqui está no comando. Parsons criou o negócio e continua dirigindo. Isso reduz aquele risco clássico de Hollywood pegar uma ideia online, gastar milhões e devolver algo sem personalidade.
Também explica por que a estética segue tão específica. Backrooms não depende de monstro aparecendo toda hora. Ele vive de textura, ruído, vazio e da impressão de que cada sala parece saída de um pesadelo burocrático.
É um terror mais próximo de A Bruxa de Blair na lógica de impacto do que de um slasher tradicional. Pouco gasto, conceito forte e uma imagem que gruda na cabeça.
O que as sequências podem explorar
Se o primeiro longa é mesmo “a primeira parte”, as continuações devem ir além do susto básico de estar preso naquele não-lugar. O caminho mais óbvio é ampliar as regras do espaço e revelar camadas novas sem matar o mistério.
Outro ponto está nos personagens de Chiwetel Ejiofor e Renate Reinsve. Com Clark e Mary já colocados no tabuleiro, a franquia pode usar o elenco para dar peso emocional a um universo que, até aqui, sempre foi lembrado mais pelo conceito do que por relações humanas.
Mas existe um risco. Explicar demais pode quebrar o encanto. Parte da força de Backrooms está justamente em não parecer totalmente decifrável.
Em cartaz no Brasil, sem janela digital por enquanto
No Brasil, Backrooms: Um Não-Lugar está em cartaz nos cinemas. A janela digital ainda não foi anunciada, então não há plataforma confirmada para streaming neste momento.
Para quem gosta de terror atmosférico e cultura de internet, faz sentido pegar na tela grande. O som e a escala ajudam muito esse tipo de filme. Agora ficou uma dúvida maior que o corredor amarelo: Kane Parsons consegue transformar uma ideia viral em franquia duradoura, ou o primeiro impacto já foi o auge?