Guillaume Broche, diretor de Clair Obscur: Expedition 33, recolocou The Legend of Zelda: Breath of the Wild, ou só BOTW, no centro da conversa sobre mundo aberto. Ao dizer que o jogo da Nintendo foi o primeiro a realmente “entregar” essa experiência, ele cutuca uma discussão que ainda divide muita gente em 2026.
Resumo rápido
- Guillaume Broche elogiou BOTW como marco do mundo aberto
- Diretor destacou exploração orgânica e level design
- Zelda segue disponível no Switch e no Wii U
Em fala repercutida pela GamesRadar, Broche não falou de mapa gigantesco nem de quantidade de missão. Ele mirou em algo mais difícil: a vontade real de explorar, sem depender de mil marcadores na tela.
O que Broche viu em Breath of the Wild
Broche foi direto. Para ele, BOTW acertou uma sensação que muitos jogos perseguem há anos e ainda não encontraram.
“Foi o primeiro jogo que realmente entregou a experiência de mundo aberto. Se eu vejo algo ao longe, preciso querer ir até lá. E o level design é uma verdadeira aula.”
, em fala repercutida pela GamesRadar
Tem um detalhe importante aí. Isso não é fato absoluto nem sentença histórica. É a opinião de um criador — mas de um criador que acabou de comandar um RPG muito elogiado por direção, ritmo e construção de mundo.
Clair Obscur: Expedition 33 não é um mundo aberto clássico. Mesmo assim, a fala pesa porque vem de alguém claramente obcecado por experiência de jogo, não só por combate bonito.
Não foi o primeiro mundo aberto da história. Foi outra virada
Breath of the Wild saiu em 03/03/2017 para Nintendo Switch e Wii U. Antes dele, o gênero já tinha gigantes como Skyrim, Grand Theft Auto V e The Witcher 3: Wild Hunt.
Então Broche exagerou? Em termos históricos, sim. BOTW não inventou mundo aberto. O que ele fez foi mudar a lógica de exploração.
Em vez de jogar o jogador num mapa lotado de ícones, o Zelda trabalha com paisagem, distância e curiosidade. Você vê uma montanha estranha, uma fumaça, uma torre. O impulso vem do cenário, não do menu.
É por isso que o jogo virou régua. O mapa não parece uma lista de tarefa. Parece um lugar que pede investigação.
Mas será que isso ainda faz diferença hoje? Faz, e bastante. Boa parte dos AAA continua confundindo “muito conteúdo” com “boa exploração”. Não é a mesma coisa.
| Jogo | Como guia o jogador | Estilo de exploração |
|---|---|---|
| The Legend of Zelda: Breath of the Wild | Paisagem, física e curiosidade visual | Orgânico e sistêmico |
| Elden Ring | Distância, risco e descoberta indireta | Aberto, hostil e pouco explicativo |
| The Witcher 3: Wild Hunt | Missões, narrativa e pontos de interesse | Guiado por história |
| Horizon Zero Dawn | Ícones, atividades e progressão tradicional | Estruturado e mais controlado |
BOTW abriu uma trilha que outros seguiram de jeitos diferentes. Elden Ring puxou para o mistério. Ghost of Tsushima preferiu vento, trilha e composição visual. Já muito jogo caro ainda estaciona no velho checklist.
Ficha rápida de Breath of the Wild
| Item | Detalhe |
|---|---|
| Título original | The Legend of Zelda: Breath of the Wild |
| Franquia | The Legend of Zelda |
| Desenvolvedora | Nintendo EPD |
| Publisher | Nintendo |
| Direção | Hidemaro Fujibayashi |
| Produção | Eiji Aonuma |
| Gênero | Ação, aventura e mundo aberto |
| Lançamento | 03/03/2017 |
| Plataformas | Nintendo Switch e Wii U |
| Classificação indicativa | 12 anos no Brasil |
| Campanha | Dezenas de horas; exploração pode passar de 100h |
| Metacritic | Acima de 90 |
Na crítica, o jogo segue tratado como obra-prima. A página oficial da Nintendo continua no ar, e o histórico no Metacritic ajuda a lembrar o tamanho desse impacto. Quem quiser rever o material oficial pode ir ao site de Breath of the Wild.
O debate bate forte em 2026
Fadiga de mundo aberto não sumiu. Mapa enorme, crafting e cem atividades paralelas já não impressionam sozinhos. O que segura jogador hoje é sensação de descoberta.
Broche acabou resumindo esse incômodo sem rodeio. Quando ele fala de curiosidade visual, está falando de design que respeita o cérebro do jogador. Menos seta mandando. Mais vontade própria.
Isso também ajuda a entender por que BOTW ainda aparece em tanta conversa sobre design. Nove anos depois do lançamento, o jogo segue sendo tratado como referência prática, não só lembrança afetiva.
No Brasil, Zelda continua preso ao ecossistema Nintendo
Para o jogador brasileiro, a parte prática é simples. The Legend of Zelda: Breath of the Wild continua oficialmente disponível no Nintendo Switch e no Wii U, sem versões para PS5, Xbox ou PC.
Isso limita o alcance por aqui, porque a discussão viraliza muito além da base da Nintendo. Ainda assim, basta olhar a fala de Broche para entender o tamanho do legado: mesmo quem faz RPG fora dessa bolha continua estudando BOTW como manual de exploração — e a pergunta segue aberta, nove anos depois: quantos mundos abertos realmente aprenderam a lição?