O que Zelda: BOTW fez melhor, diz diretor de Clair Obscur

Por Rafael Duarte 02/07/2026 às 03:51 5 min de leitura
O que Zelda: BOTW fez melhor, diz diretor de Clair Obscur
5 min de leitura

Guillaume Broche, diretor de Clair Obscur: Expedition 33, recolocou The Legend of Zelda: Breath of the Wild, ou só BOTW, no centro da conversa sobre mundo aberto. Ao dizer que o jogo da Nintendo foi o primeiro a realmente “entregar” essa experiência, ele cutuca uma discussão que ainda divide muita gente em 2026.

Resumo rápido

  • Guillaume Broche elogiou BOTW como marco do mundo aberto
  • Diretor destacou exploração orgânica e level design
  • Zelda segue disponível no Switch e no Wii U

Em fala repercutida pela GamesRadar, Broche não falou de mapa gigantesco nem de quantidade de missão. Ele mirou em algo mais difícil: a vontade real de explorar, sem depender de mil marcadores na tela.

O que Broche viu em Breath of the Wild

Broche foi direto. Para ele, BOTW acertou uma sensação que muitos jogos perseguem há anos e ainda não encontraram.

“Foi o primeiro jogo que realmente entregou a experiência de mundo aberto. Se eu vejo algo ao longe, preciso querer ir até lá. E o level design é uma verdadeira aula.”

, em fala repercutida pela GamesRadar

Tem um detalhe importante aí. Isso não é fato absoluto nem sentença histórica. É a opinião de um criador — mas de um criador que acabou de comandar um RPG muito elogiado por direção, ritmo e construção de mundo.

Clair Obscur: Expedition 33 não é um mundo aberto clássico. Mesmo assim, a fala pesa porque vem de alguém claramente obcecado por experiência de jogo, não só por combate bonito.

Não foi o primeiro mundo aberto da história. Foi outra virada

Breath of the Wild saiu em 03/03/2017 para Nintendo Switch e Wii U. Antes dele, o gênero já tinha gigantes como Skyrim, Grand Theft Auto V e The Witcher 3: Wild Hunt.

Então Broche exagerou? Em termos históricos, sim. BOTW não inventou mundo aberto. O que ele fez foi mudar a lógica de exploração.

Em vez de jogar o jogador num mapa lotado de ícones, o Zelda trabalha com paisagem, distância e curiosidade. Você vê uma montanha estranha, uma fumaça, uma torre. O impulso vem do cenário, não do menu.

É por isso que o jogo virou régua. O mapa não parece uma lista de tarefa. Parece um lugar que pede investigação.

Mas será que isso ainda faz diferença hoje? Faz, e bastante. Boa parte dos AAA continua confundindo “muito conteúdo” com “boa exploração”. Não é a mesma coisa.

Jogo Como guia o jogador Estilo de exploração
The Legend of Zelda: Breath of the Wild Paisagem, física e curiosidade visual Orgânico e sistêmico
Elden Ring Distância, risco e descoberta indireta Aberto, hostil e pouco explicativo
The Witcher 3: Wild Hunt Missões, narrativa e pontos de interesse Guiado por história
Horizon Zero Dawn Ícones, atividades e progressão tradicional Estruturado e mais controlado

BOTW abriu uma trilha que outros seguiram de jeitos diferentes. Elden Ring puxou para o mistério. Ghost of Tsushima preferiu vento, trilha e composição visual. Já muito jogo caro ainda estaciona no velho checklist.

Ficha rápida de Breath of the Wild

Item Detalhe
Título original The Legend of Zelda: Breath of the Wild
Franquia The Legend of Zelda
Desenvolvedora Nintendo EPD
Publisher Nintendo
Direção Hidemaro Fujibayashi
Produção Eiji Aonuma
Gênero Ação, aventura e mundo aberto
Lançamento 03/03/2017
Plataformas Nintendo Switch e Wii U
Classificação indicativa 12 anos no Brasil
Campanha Dezenas de horas; exploração pode passar de 100h
Metacritic Acima de 90

Na crítica, o jogo segue tratado como obra-prima. A página oficial da Nintendo continua no ar, e o histórico no Metacritic ajuda a lembrar o tamanho desse impacto. Quem quiser rever o material oficial pode ir ao site de Breath of the Wild.

O debate bate forte em 2026

Fadiga de mundo aberto não sumiu. Mapa enorme, crafting e cem atividades paralelas já não impressionam sozinhos. O que segura jogador hoje é sensação de descoberta.

Broche acabou resumindo esse incômodo sem rodeio. Quando ele fala de curiosidade visual, está falando de design que respeita o cérebro do jogador. Menos seta mandando. Mais vontade própria.

Isso também ajuda a entender por que BOTW ainda aparece em tanta conversa sobre design. Nove anos depois do lançamento, o jogo segue sendo tratado como referência prática, não só lembrança afetiva.

No Brasil, Zelda continua preso ao ecossistema Nintendo

Para o jogador brasileiro, a parte prática é simples. The Legend of Zelda: Breath of the Wild continua oficialmente disponível no Nintendo Switch e no Wii U, sem versões para PS5, Xbox ou PC.

Isso limita o alcance por aqui, porque a discussão viraliza muito além da base da Nintendo. Ainda assim, basta olhar a fala de Broche para entender o tamanho do legado: mesmo quem faz RPG fora dessa bolha continua estudando BOTW como manual de exploração — e a pergunta segue aberta, nove anos depois: quantos mundos abertos realmente aprenderam a lição?

Trailer

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