Clair Obscur: Expedition 33 nasce do gosto por JRPGs

Por Rafael Duarte 01/07/2026 às 10:11 5 min de leitura
Clair Obscur: Expedition 33 nasce do gosto por JRPGs
5 min de leitura

Guillaume Broche, diretor de Clair Obscur: Expedition 33, falou sem rodeio sobre a Rockstar Games: “GTA não é minha praia”. Parece só uma opinião solta, mas ela explica bastante do DNA do jogo da Sandfall Interactive e do tipo de RPG que esse time quer fazer.

Resumo rápido

  • Guillaume Broche disse que “GTA não é minha praia”.
  • O diretor afirmou preferir JRPGs e combate por turnos.
  • Clair Obscur está disponível no PC, PS5 e Xbox Series X|S.

Mas calma. Isso não é ataque à Rockstar, nem papo sobre calendário de GTA VI. O assunto aqui é bem mais simples: gosto pessoal. E, no caso de Broche, esse gosto está muito mais perto de Final Fantasy X e Persona 5 Royal do que do caos urbano de Grand Theft Auto V.

Não é birra com GTA

Broche não fez uma análise técnica da Rockstar. Ele só descreveu como joga. Pelo relato, passa uns 30 minutos no mapa, ativa truques, causa confusão, chama a polícia e logo perde o interesse.

“GTA não é minha praia.”

Isso muda bastante a leitura da fala. Não é “Rockstar faz jogos ruins”. É outra coisa. É um criador dizendo, com honestidade, que o loop de sandbox — aquele mundo aberto feito para você bagunçar tudo — não conversa com o que ele procura quando pega um controle.

E isso faz sentido. Clair Obscur: Expedition 33 nasceu de outra tradição. O jogo bebe nos JRPGs, os RPGs japoneses, com progressão guiada, combate por turnos e foco pesado em narrativa e fantasia estilizada.

Quando o diretor fala, o jogo fica mais fácil de entender

Clair Obscur: Expedition 33 não tentou ser “o GTA dos RPGs”. Ainda bem. O projeto sempre pareceu interessado em outra sensação: menos liberdade caótica, mais construção dramática.

Na prática, isso aparece em tudo. No ritmo mais controlado. No combate por turnos. Na forma como a história empurra o jogador para frente, em vez de largá-lo num mapa gigantesco para criar confusão por conta própria.

Quem jogou percebe rápido. O jogo quer emoção, timing e leitura de equipe. Não quer piada sistêmica de NPC, perseguição policial aleatória ou aquela energia de “vamos ver o que acontece se eu explodir metade da cidade”.

Ficha técnica Detalhes
Título Clair Obscur: Expedition 33
Desenvolvedora Sandfall Interactive
Publisher Kepler Interactive
Direção Guillaume Broche
Gênero RPG por turnos / RPG narrativo
Lançamento original 2025
Plataformas PC, PlayStation 5, Xbox Series X|S
Status em 2026 Sucesso crítico e comercial

Vale notar outro detalhe. Em 2026, Clair Obscur já não é aposta pequena. O jogo se consolidou como um dos nomes fortes do RPG por turnos recente, com boa recepção de público e crítica, além de atualizações pós-lançamento.

Por isso a fala de Broche importa agora. Não pela “polêmica”, que sinceramente é pequena. Importa porque ajuda a enxergar a filosofia criativa de um estúdio novo que acertou logo no primeiro grande projeto.

Rockstar e Sandfall estão em campeonatos diferentes

A comparação é boa justamente porque os dois lados jogam outro jogo. A Rockstar virou referência em simulação urbana, mundo aberto e narrativa cinematográfica dentro de sistemas cheios de liberdade. A Sandfall foi na direção contrária.

Uma quer que você experimente o mapa. A outra quer que você enfrente batalhas pensadas, personagens marcados pela trama e progressão mais fechada. Nenhuma abordagem é superior por si só. Só atendem vontades diferentes.

Estúdio Foco de design Exemplos
Rockstar Games Mundo aberto, caos sistêmico, narrativa cinematográfica Grand Theft Auto V, Red Dead Redemption 2
Sandfall Interactive RPG narrativo, combate por turnos, fantasia estilizada Clair Obscur: Expedition 33

É aí que a fala de Broche ganha peso editorial. Ela reforça que Clair Obscur não nasceu tentando copiar o gosto dominante do mercado AAA. Nasceu de alguém que claramente prefere estruturas mais próximas de Chrono Trigger, Lost Odyssey e Final Fantasy X.

Curioso? Bastante. Inesperado? Nem tanto. Muitos dos melhores jogos autorais saem justamente desse lugar: criadores que sabem o que amam e não ficam tentando agradar todo mundo.

No Brasil, Clair Obscur já está no radar dos fãs de RPG

Para o jogador brasileiro, a parte prática é simples. Clair Obscur: Expedition 33 está disponível no Brasil em PC, PlayStation 5 e Xbox Series X|S. Quem quiser entender a cabeça de Broche no controle pode começar por aí.

Se a sua praia é mundo aberto, improviso e caos, a casa da Rockstar Games continua sendo outra. Agora, se você gosta de RPG por turnos, progressão mais guiada e fantasia com cara autoral, o discurso do diretor bate exatamente com o jogo que ele entregou.

No fim, a frase mais interessante nem é a provocação a GTA. É o recado por trás dela: Broche sabe muito bem o que não quer fazer. E, num mercado que ainda corre atrás do próximo mundo aberto gigante, isso talvez diga mais sobre o futuro da Sandfall do que qualquer trailer.

Trailer