Supergirl tirou um B- no CinemaScore. Pior do que a nota de The Flash, o flop mais citado da fase anterior do DCU. Por outro lado, o público deu 77% de aprovação no Rotten Tomatoes, contra apenas 57% da crítica especializada.
Resumo rápido
- CinemaScore B-, pior nota que The Flash (B) recebeu em 2023
- Rotten Tomatoes: 57% da crítica contra 77% do público, gap de 20 pontos
- Primeiro filme do DCU sem James Gunn no roteiro ou na direção
- Hideo Kojima assistiu em IMAX e publicou crítica elogiosa
O gap de 20 pontos entre crítica e público virou o assunto da semana. Enquanto parte da imprensa especializada reclama de ritmo e tom, quem pagou ingresso saiu satisfeito e fez questão de dizer isso no Rotten Tomatoes.
Por que a crítica não comprou o tom do filme

Craig Gillespie dirige o primeiro longa do DCU sem qualquer participação criativa de James Gunn no roteiro. Essa ausência aparece nas críticas: parte da imprensa sentiu falta da costura entre humor e drama que marcou Creature Commandos e Superman.
Avaliações do público no Rotten Tomatoes, porém, contam outra história. “It was funny and fresh, the villain lacked, however Milly as Supergirl was great”, resumiu um espectador. Outro reclamou só do terceiro ato: “The final act’s fight scene was longer than it needed to be.”
Ainda assim, o recado mais repetido entre fãs de quadrinhos foi direto: “If you like dc comic books or any comic book movies in general you’ll love this.”
| Título original | Supergirl |
| Título no Brasil | Supergirl |
| Diretor | Craig Gillespie |
| Protagonista | Milly Alcock (Kara Zor-El) |
| Formato | Filme, DC Universe |
| Onde assistir | Cinemas |
| Gênero | Super-herói, ficção científica |
| CinemaScore | B- |
| Rotten Tomatoes | 57% crítica / 77% público |
A cena que dividiu até quem gostou do filme
Mesmo entre quem aprovou o conjunto, uma escolha específica não passou batida: o cover lento de “The Middle”, do Jimmy Eat World, tocando durante a luta final. Cantado por Kelty Greye, o arranjo destoa do tom sombrio que domina o resto da produção.
Fãs notaram que a música pode representar o ponto de vista de Ruthye, personagem interpretada por Eve Ridley, e não uma escolha aleatória de trilha. De qualquer forma, a sequência virou meme antes mesmo do filme completar uma semana em cartaz.
Na prática, esse tipo de detalhe alimenta debate sem prejudicar a recepção geral. Decisões assim dividem opinião, mas raramente derrubam um filme sozinhas.
Hideo Kojima entrou na conversa

O criador de Metal Gear Solid e Death Stranding assistiu ao filme em IMAX e publicou impressões que fugiram do roteiro padrão de resenha de herói. “It’s not a ‘superhero movie’ about saving the Earth through self-sacrifice as ‘justice’ confronts ‘evil.’ It’s a coming-of-age story about saving oneself, Kara, as she struggles with her own trauma”, escreveu.
Kojima foi além na comparação estrutural: “Structurally, it feels less like ‘Mad Max: Fury Road’ and more like ‘The Good, the Bad and the Ugly’, where heroes, villains and outlaws eventually converge.”
Vindo de um nome com peso na cultura pop, o elogio rendeu repercussão imediata nas redes. Afinal, não é todo dia que um dos criadores mais respeitados dos games comenta publicamente um filme de super-herói com esse nível de detalhe.
O que essa divisão sinaliza para o resto do DCU
O contraste entre crítica e público acende um sinal de alerta para os próximos lançamentos do universo, especialmente o filme da Mulher-Maravilha já anunciado. Se a fórmula sem Gunn no comando direto repetir o mesmo padrão, a discussão sobre identidade autoral do DCU só deve crescer.
Por enquanto, o público parece disposto a perdoar tropeços de ritmo em troca de uma protagonista que conquistou aprovação quase unânime. Milly Alcock sai do primeiro teste como Kara com saldo positivo, mesmo num filme que dividiu opiniões.
Como Supergirl se compara a outras estreias do gênero
Em termos de CinemaScore, B- coloca Supergirl numa faixa intermediária dentro do cinema de super-herói recente. Não é o desastre absoluto que algumas manchetes sugeriram nos primeiros dias, mas também está longe das notas A que filmes como Guardiões da Galáxia Vol. 3 e o Superman de James Gunn conseguiram.
Historicamente, o CinemaScore funciona como termômetro de boca a boca: prevê se um filme vai sustentar bilheteria nas semanas seguintes ou desabar rápido. Uma nota B- não é sentença de morte, mas também não garante fôlego longo em cartaz, especialmente num mês concorrido.
Já no Rotten Tomatoes, o padrão de gap entre crítica e público não é exclusividade de Supergirl. Filmes como Eternos e Mulher-Maravilha 1984 também sofreram divisão parecida, embora por motivos diferentes. No caso de Kara, a queixa principal da crítica recai sobre ritmo, não sobre a personagem em si.
Vale notar que Milly Alcock praticamente escapou ilesa das críticas negativas. Mesmo resenhas mais duras com o roteiro fazem questão de elogiar a atriz isoladamente, sinal de que o problema apontado está na execução do filme, não na escolha de elenco.
Resta saber se esse padrão de recepção dividida vira exceção ou regra para a nova fase do estúdio.