A24 vê sinal de alerta em novo drama medieval

Por Rafael Duarte 21/06/2026 às 00:50 5 min de leitura
A24 vê sinal de alerta em novo drama medieval
5 min de leitura

A Morte de Robin Hood (The Death of Robin Hood) saiu das primeiras sessões nos EUA com um recado ruim: C+ no CinemaScore. Para um filme da A24 com Hugh Jackman na frente, isso acende um alerta real — ainda mais quando a crítica ficou mais receptiva que o público.

Resumo rápido

  • A Morte de Robin Hood recebeu C+ no CinemaScore
  • O filme tem 69% no Rotten Tomatoes
  • No Brasil, está em cartaz pela Imagem Filmes

O número não decide sozinho o destino de um lançamento. Mas mexe com a conversa em volta dele. E, no caso aqui, ajuda a explicar por que esse Robin Hood está dividindo tanta gente.

C+ no CinemaScore não mata o filme, mas pesa

O CinemaScore é uma pesquisa feita com o público na saída das sessões nos EUA. Não é nota de crítico. É reação quente, de quem acabou de ver o filme e ainda está digerindo o final.

Dentro dessa régua, C+ é fraco. Não é desastre histórico, claro. Só que também está longe da resposta que um longa com estrela grande e marketing forte gostaria de ter na estreia.

Filme mais autoral costuma sofrer nessa métrica. A24 conhece bem esse jogo. Mesmo assim, quando a nota cai nesse patamar, o sinal costuma ser o mesmo: expectativa e entrega não se encontraram.

Ficha técnica Detalhe
Título no Brasil A Morte de Robin Hood
Título original The Death of Robin Hood
Direção Michael Sarnoski
Roteiro Michael Sarnoski
Estúdio A24
Distribuição no Brasil Imagem Filmes
Elenco principal Hugh Jackman, Jodie Comer, Bill Skarsgård, Murray Bartlett e Noah Jupe
Gênero Drama, aventura sombria, ação e fantasia reimaginada
Tom Adulto, melancólico e revisionista
Status no Brasil Em cartaz nos cinemas
Nota do público C+ no CinemaScore
Nota da crítica 69% no Rotten Tomatoes

Tem outro detalhe importante. Sem números de bilheteria confirmados, ainda não dá para cravar tombo comercial. O que dá para dizer hoje é mais simples: essa nota pode atrapalhar a sustentação nas próximas semanas.

Esse Robin Hood não quer ser aventura de sábado à tarde

Quem entrar esperando uma releitura tradicional do fora da lei vai estranhar. Michael Sarnoski empurra a lenda para um lugar bem mais pesado, quase crepuscular, com cara de fim de jornada.

No filme, Robin aparece mais velho, ferido e assombrado pelos próprios crimes. Preso por uma mulher misteriosa, ele precisa encarar o passado num registro de culpa, desgaste físico e acerto de contas.

Hugh Jackman faz sentido nessa proposta. Ele já carregou esse tipo de herói quebrado em Logan, e a comparação surge quase sozinha. Aqui, a pegada parece menos superprodução e mais drama de exaustão com espada, lama e sangue.

Jodie Comer e Hugh Jackman em cena intimista e tensa de A Morte de Robin Hood
Jodie Comer e Hugh Jackman em cena intimista e tensa de A Morte de Robin Hood (Reprodução)

O elenco em volta reforça essa linha. Jodie Comer entra como presença central no mistério do enredo, Bill Skarsgård vive Little John, e nomes como Murray Bartlett e Noah Jupe ampliam o peso dramático.

Não é pouca coisa. Só que também não é o Robin Hood que muita gente aprendeu a associar a aventura, humor e ação direta. Aí nasce boa parte do ruído.

Crítica comprou mais a ideia do que o público

Até agora, A Morte de Robin Hood está com 69% de aprovação no Rotten Tomatoes, um resultado morno, mas claramente melhor que a reação inicial da plateia. Você pode acompanhar a atualização no site oficial do Rotten Tomatoes.

Esse tipo de divisão não é raro. Crítico tende a entrar mais aberto para releitura sombria, desconstrução de mito e filme que troca catarse por melancolia. Público de sexta à noite, nem sempre.

É quase um erro de embalagem. O nome Robin Hood vende flecha, roubo aos ricos e energia de aventura. O filme, pelo que essa recepção indica, entrega luto, cansaço e um herói em decomposição.

Funciona para todo mundo? Nem de longe.

Também pesa o momento da carreira de Michael Sarnoski. Ele virou um nome observado de perto em Hollywood justamente por buscar tensão, silêncio e dureza dramática. Colocar isso dentro de uma lenda tão conhecida é uma jogada ousada. Comercialmente, ousadia cobra seu preço.

A24 vê sinal de alerta em novo drama medieval — foto de divulgação
A24 vê sinal de alerta em novo drama medieval — foto de divulgação (Reprodução)

Nos cinemas brasileiros, a aposta é para quem gosta de herói quebrado

No Brasil, A Morte de Robin Hood está em cartaz com distribuição da Imagem Filmes. Até aqui, esse é o lançamento confirmado por aqui, sem anúncio de estreia em streaming.

Quem está pensando no ingresso precisa ajustar a expectativa. Não parece ser um filme para família nem para quem quer ação acelerada do começo ao fim. A conversa é outra.

Se você curte Hugh Jackman em modo ferido, western crepuscular e fantasia adulta, a chance de embarcar é maior. Se a ideia era ver um Robin Hood mais clássico, leve e expansivo, o C+ no CinemaScore talvez não seja acidente — pode ser aviso.

A24 apostou numa lenda famosa filtrada por culpa e decadência. Agora resta ver se o boca a boca derruba de vez esse Robin Hood ou se ele ainda encontra público suficiente nos cinemas brasileiros para virar cult daqui a alguns meses.

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