A Morte de Robin Hood empurra Hugh Jackman para o escuro

Por Rafael Duarte 11/06/2026 às 23:20 5 min de leitura
A Morte de Robin Hood empurra Hugh Jackman para o escuro
5 min de leitura

A Morte de Robin Hood (The Death of Robin Hood) apareceu com tudo nas primeiras reações, mas não do jeito mais fácil. O novo filme da A24 com Hugh Jackman troca o herói aventureiro por um fora-da-lei velho, ferido e violento — e a crítica ficou no meio do caminho.

Resumo rápido

  • Filme abriu com 67% no Rotten Tomatoes
  • Metacritic marcou 63/100 nas primeiras críticas
  • Hugh Jackman lidera a releitura sombria da A24

Os números já dizem bastante. Não é rejeição total, mas também passa longe de consenso. Para quem esperava um Robin Hood mais clássico, com capa, flecha e pose heroica, o recado parece claro: aqui a proposta é outra.

Não é o Robin Hood que você conhece

A premissa muda tudo. Em vez do ladrão carismático que rouba dos ricos e vira símbolo popular, A Morte de Robin Hood aposta em um homem envelhecido, machucado e obrigado a encarar o próprio passado.

O tom também desvia da estrada mais óbvia. Sai a aventura leve. Entra fantasia sombria, violência mais seca e um clima de tragédia medieval que lembra mais O Cavaleiro Verde do que qualquer versão recente de Robin Hood.

A Morte de Robin Hood empurra Hugh Jackman para o escuro — foto de divulgação
A Morte de Robin Hood empurra Hugh Jackman para o escuro — foto de divulgação (Reprodução)

Isso ajuda a entender a divisão. Parte da imprensa comprou a ideia de desconstruir a lenda. Outra parte viu um filme mais admirável no conceito do que realmente forte na execução.

As notas mostram um filme travado no meio

No momento das primeiras reações, o filme estava com 67% no Rotten Tomatoes e 63/100 no Metacritic. Traduzindo: aprovação morna e recepção crítica claramente polarizada.

Não é pouca coisa. Em filmes de festival ou lançamentos com cara de “prestígio” da A24, muita gente espera estouro imediato. Aqui, o que apareceu foi um cenário mais cauteloso.

Também pesa a expectativa criada pelo elenco. Hugh Jackman puxa o filme como Robin Hood, com Jodie Comer como Sister Brigid, Bill Skarsgård como Edward, Murray Bartlett como The Leper e Noah Jupe como Arthur.

Ficha técnica Detalhes
Título original The Death of Robin Hood
Título no Brasil A Morte de Robin Hood
Direção Michael Sarnoski
Estúdio A24
Gênero Fantasia sombria, drama, ação e aventura adulta
Classificação R nos EUA, com proposta para adultos
Elenco principal Hugh Jackman, Jodie Comer, Bill Skarsgård, Murray Bartlett e Noah Jupe
Rotten Tomatoes 67%
Metacritic 63/100
Situação no Brasil Sem data de estreia confirmada até agora

Quer acompanhar essas notas de perto? Elas estão disponíveis no Rotten Tomatoes e no Metacritic.

Michael Sarnoski leva Robin Hood para outro terreno

Esse desvio de rota combina com o diretor. Michael Sarnoski, de Pig e Um Lugar Silencioso: Dia Um, costuma trabalhar melhor quando o material pede dor, silêncio e personagens quebrados.

Por isso, chamar o filme só de “remake” empobrece a conversa. O nome mais justo é reimaginação sombria. A lenda está ali, mas o interesse parece ser menos celebrar Robin Hood e mais desmontar o mito.

A Morte de Robin Hood
A Morte de Robin Hood (Reprodução)

Faz sentido. A24 raramente entra num projeto desses para repetir fórmula de estúdio grande. Se o público estiver procurando ação medieval mais acessível, tipo Robin Hood de 2010 ou até a versão estilizada de 2018, pode estranhar bastante.

Mais perto de tragédia medieval do que de aventura

O jeito mais fácil de posicionar o filme é esse: ele parece conversar com O Homem do Norte, O Cavaleiro Verde e O Último Duelo. Menos heroísmo. Mais peso, lama e culpa.

Isso pode ser ótimo para quem gosta de fantasia adulta com cara autoral. Mas também limita o alcance. Robin Hood é um personagem popular justamente porque funciona bem como aventura direta, quase folclórica. Quando você arranca essa camada, sobra um filme mais difícil de vender.

E Hugh Jackman? Ele parece encaixado. Não pela energia de astro de ação puro, e sim pela fadiga do personagem. Um Robin cansado combina mais com esse momento da carreira dele do que uma versão jovem e invencível.

Cena de confronto em floresta escura de A Morte de Robin Hood, clima brutal e medieval
Cena de confronto em floresta escura de A Morte de Robin Hood, clima brutal e medieval (Reprodução)

No Brasil, ainda falta o dado que mais importa

Até agora, A Morte de Robin Hood não teve data confirmada para os cinemas brasileiros, nem plataforma definida por aqui. Também não há informação oficial sobre dublagem em português.

Isso pesa, claro. O brasileiro quer saber onde vai assistir e quando. Por enquanto, ainda não dá para cravar nada. O filme segue cercado mais por reação crítica do que por detalhes de lançamento.

Se chegar ao Brasil com o mesmo corte adulto e a mesma proposta pesada, vai atrair um nicho bem específico. Resta saber se esse Robin Hood crepuscular vai ganhar força quando sair do circuito de crítica e encarar o público de verdade.

Trailer