Klara e o Sol (Klara and the Sun) ganhou suas primeiras imagens oficiais e já deixou claro o tipo de filme que Taika Waititi quer fazer aqui: menos ironia, mais melancolia. Com Jenna Ortega no papel-título, a adaptação do romance de Kazuo Ishiguro chega aos cinemas brasileiros em outubro e mira quem gosta de ficção científica emocional, não explosão.
Resumo rápido
- Primeiras imagens mostram visual sessentista e clima distópico
- Jenna Ortega lidera elenco com Amy Adams e Mia Tharia
- Estreia prevista no Brasil é 23 de outubro de 2026
Não parece filme de robô padrão. E isso é uma boa notícia.
O que as imagens já deixam claro
Klara é uma “Amiga Artificial”, uma espécie de companhia movida a energia solar. No livro de Ishiguro, ela observa o mundo com delicadeza e estranhamento. No filme, essa ideia continua intacta.
As fotos divulgadas puxam para uma estética de anos 60, com cores suaves, enquadramentos limpos e uma sensação de futuro antigo. Em vez de vender espetáculo, Klara e o Sol vende atmosfera. Lembra mais Ela (Her) e After Yang do que qualquer ficção científica de ação.

Outro detalhe chama atenção: a produção evitou encher a personagem de truques nos olhos. Sem brilho digital óbvio. Sem “cara de aplicativo”.
Funciona. Ortega fica humana o bastante para gerar empatia e estranha o bastante para incomodar. Esse meio-termo é difícil de acertar.
Taika Waititi pisa no freio
Quem pensa em Taika Waititi logo lembra do humor de Thor: Ragnarok e Jojo Rabbit. Aqui, o movimento é outro. Mais contido, mais sério e com cara de drama de ficção científica para temporada de premiações.
“Achei que este talvez fosse o filme mais fácil que eu faria, porque quando li pela primeira vez pensei: ‘Vai ser fácil — nada acontece’.”
Só que não era simples assim.
“Quanto mais você lê o livro e tenta mergulhar nos relacionamentos, mais coisas descobre e mais complicado tudo fica.”
Essa fala explica bem o projeto. Klara e o Sol não vive de reviravolta. Vive de tensão emocional, solidão e da dúvida sobre até onde uma inteligência artificial consegue amar — ou apenas imitar afeto.
A pós-produção foi feita na Nova Zelândia, e o material divulgado até aqui passa uma sensação bem polida. Nada de exagero visual. Nada de filtro futurista berrando na tela.

Jenna Ortega sai da sombra de Wandinha
Esse talvez seja o papel mais adulto da fase recente de Jenna Ortega. Depois de virar fenômeno com Wandinha, ela agora troca a energia gótica por uma personagem silenciosa, curiosa e otimista.
“Olhando para trás, talvez eu quisesse dar um tempo daquela categoria de adolescente angustiada na qual eu me sentia presa.”
Faz sentido. A imagem pública dela ficou muito associada à personagem fechada, sarcástica e sombria. Klara pede o oposto. Ela observa mais do que reage. Sente mais do que fala.
Ao redor de Ortega, o elenco é forte. Amy Adams vive Chrissie, enquanto Mia Tharia interpreta Josie. Também estão confirmados Aran Murphy, Natasha Lyonne, Steve Buscemi, Harry Greenwood e Sophia Bryant-Taukiri.
Ficha técnica de Klara e o Sol
| Item | Informação |
|---|---|
| Título no Brasil | Klara e o Sol |
| Título original | Klara and the Sun |
| Base literária | Romance de Kazuo Ishiguro |
| Direção | Taika Waititi |
| Roteiro | Taika Waititi e Dahvi Waller |
| Gênero | Ficção científica, drama distópico |
| Estúdio | Columbia Pictures |
| Distribuição | Sony Pictures Entertainment |
| Elenco principal | Jenna Ortega, Amy Adams, Mia Tharia, Natasha Lyonne, Steve Buscemi |
| Status | Em produção, com campanha de divulgação iniciada |
| Estreia prevista | 23 de outubro de 2026 |
| Lançamento no Brasil | Cinemas |
Para quem não leu o livro, o nome de Kazuo Ishiguro pesa. Estamos falando do autor de Não Me Abandone Jamais, outra história que usa ficção científica para falar de fragilidade humana, não de tecnologia como espetáculo.
É por isso que comparar Klara e o Sol com Ex Machina: Instinto Artificial ajuda só até certo ponto. O novo filme parece menos interessado em ameaça e mais em afeto artificial, desigualdade e família.

A estreia no Brasil ainda carrega uma pequena dúvida
O mercado trabalha hoje com 23 de outubro de 2026 como data prevista para o lançamento. Só que o primeiro calendário divulgado para o Brasil apontava 22 de outubro. Diferença pequena, mas real.
Até a confirmação final da Sony, o cenário é esse: estreia nos cinemas brasileiros no fim de outubro, sem plataforma de streaming anunciada por aqui. Dublagem em português também não foi confirmada publicamente até agora.
Quem quiser acompanhar a movimentação oficial pode ficar de olho no ecossistema da Sony Pictures, responsável pela divulgação do projeto. E tem um detalhe interessante nessa aposta: Klara e o Sol não parece querer disputar barulho com franquia nenhuma. Quer entrar quieto, com cara de filme adulto, e ver quantas pessoas ainda topam uma ficção científica que dói mais do que acelera.