Jenna Ortega muda de pele em Klara e o Sol

Por Rafael Duarte 19/06/2026 às 04:46 5 min de leitura
Jenna Ortega muda de pele em Klara e o Sol
5 min de leitura

Klara e o Sol (Klara and the Sun) ganhou suas primeiras imagens oficiais e já deixou claro o tipo de filme que Taika Waititi quer fazer aqui: menos ironia, mais melancolia. Com Jenna Ortega no papel-título, a adaptação do romance de Kazuo Ishiguro chega aos cinemas brasileiros em outubro e mira quem gosta de ficção científica emocional, não explosão.

Resumo rápido

Não parece filme de robô padrão. E isso é uma boa notícia.

O que as imagens já deixam claro

Klara é uma “Amiga Artificial”, uma espécie de companhia movida a energia solar. No livro de Ishiguro, ela observa o mundo com delicadeza e estranhamento. No filme, essa ideia continua intacta.

As fotos divulgadas puxam para uma estética de anos 60, com cores suaves, enquadramentos limpos e uma sensação de futuro antigo. Em vez de vender espetáculo, Klara e o Sol vende atmosfera. Lembra mais Ela (Her) e After Yang do que qualquer ficção científica de ação.

Taika Waititi dirigindo Klara e o Sol nos bastidores, ao lado de Jenna Ortega em set com visual retrô
Taika Waititi dirigindo Klara e o Sol nos bastidores, ao lado de Jenna Ortega em set com visual retrô (Reprodução)

Outro detalhe chama atenção: a produção evitou encher a personagem de truques nos olhos. Sem brilho digital óbvio. Sem “cara de aplicativo”.

Funciona. Ortega fica humana o bastante para gerar empatia e estranha o bastante para incomodar. Esse meio-termo é difícil de acertar.

Taika Waititi pisa no freio

Quem pensa em Taika Waititi logo lembra do humor de Thor: Ragnarok e Jojo Rabbit. Aqui, o movimento é outro. Mais contido, mais sério e com cara de drama de ficção científica para temporada de premiações.

“Achei que este talvez fosse o filme mais fácil que eu faria, porque quando li pela primeira vez pensei: ‘Vai ser fácil — nada acontece’.”

Só que não era simples assim.

“Quanto mais você lê o livro e tenta mergulhar nos relacionamentos, mais coisas descobre e mais complicado tudo fica.”

Essa fala explica bem o projeto. Klara e o Sol não vive de reviravolta. Vive de tensão emocional, solidão e da dúvida sobre até onde uma inteligência artificial consegue amar — ou apenas imitar afeto.

A pós-produção foi feita na Nova Zelândia, e o material divulgado até aqui passa uma sensação bem polida. Nada de exagero visual. Nada de filtro futurista berrando na tela.

Taika Waititi e Jenna Ortega nos bastidores de Klara e o Sol
Taika Waititi e Jenna Ortega nos bastidores de Klara e o Sol (Reprodução)

Jenna Ortega sai da sombra de Wandinha

Esse talvez seja o papel mais adulto da fase recente de Jenna Ortega. Depois de virar fenômeno com Wandinha, ela agora troca a energia gótica por uma personagem silenciosa, curiosa e otimista.

“Olhando para trás, talvez eu quisesse dar um tempo daquela categoria de adolescente angustiada na qual eu me sentia presa.”

Faz sentido. A imagem pública dela ficou muito associada à personagem fechada, sarcástica e sombria. Klara pede o oposto. Ela observa mais do que reage. Sente mais do que fala.

Ao redor de Ortega, o elenco é forte. Amy Adams vive Chrissie, enquanto Mia Tharia interpreta Josie. Também estão confirmados Aran Murphy, Natasha Lyonne, Steve Buscemi, Harry Greenwood e Sophia Bryant-Taukiri.

Ficha técnica de Klara e o Sol

Item Informação
Título no Brasil Klara e o Sol
Título original Klara and the Sun
Base literária Romance de Kazuo Ishiguro
Direção Taika Waititi
Roteiro Taika Waititi e Dahvi Waller
Gênero Ficção científica, drama distópico
Estúdio Columbia Pictures
Distribuição Sony Pictures Entertainment
Elenco principal Jenna Ortega, Amy Adams, Mia Tharia, Natasha Lyonne, Steve Buscemi
Status Em produção, com campanha de divulgação iniciada
Estreia prevista 23 de outubro de 2026
Lançamento no Brasil Cinemas

Para quem não leu o livro, o nome de Kazuo Ishiguro pesa. Estamos falando do autor de Não Me Abandone Jamais, outra história que usa ficção científica para falar de fragilidade humana, não de tecnologia como espetáculo.

É por isso que comparar Klara e o Sol com Ex Machina: Instinto Artificial ajuda só até certo ponto. O novo filme parece menos interessado em ameaça e mais em afeto artificial, desigualdade e família.

Mia Tharia e Jenna Ortega em Klara e o Sol
Mia Tharia e Jenna Ortega em Klara e o Sol (Reprodução)

A estreia no Brasil ainda carrega uma pequena dúvida

O mercado trabalha hoje com 23 de outubro de 2026 como data prevista para o lançamento. Só que o primeiro calendário divulgado para o Brasil apontava 22 de outubro. Diferença pequena, mas real.

Até a confirmação final da Sony, o cenário é esse: estreia nos cinemas brasileiros no fim de outubro, sem plataforma de streaming anunciada por aqui. Dublagem em português também não foi confirmada publicamente até agora.

Quem quiser acompanhar a movimentação oficial pode ficar de olho no ecossistema da Sony Pictures, responsável pela divulgação do projeto. E tem um detalhe interessante nessa aposta: Klara e o Sol não parece querer disputar barulho com franquia nenhuma. Quer entrar quieto, com cara de filme adulto, e ver quantas pessoas ainda topam uma ficção científica que dói mais do que acelera.