US$ 37 milhões de abertura doméstica. Orçamento de US$ 170 milhões, mais US$ 120 milhões em marketing. A conta de Supergirl não fecha, e Peter Safran, co-CEO da DC Studios, finalmente quebrou o silêncio sobre o tamanho do problema.
Resumo rápido
- Abertura doméstica de US$ 37-38 milhões, internacional de US$ 30 milhões
- Prejuízo estimado entre US$ 100 e 120 milhões para a Warner Bros.
- Peter Safran admite que o filme “não atendeu às expectativas de bilheteria”
- Milly Alcock recebeu cerca de US$ 400 mil pelo papel, valor bem abaixo da média do gênero
O resultado coloca Supergirl na lista de fracassos recentes de super-herói, ao lado de nomes como The Flash e Morbius. Ainda assim, a DC Studios sinaliza que não pretende mudar de rota por causa de um único tropeço.
O que Peter Safran disse sobre o fracasso

Em entrevista ao New York Times, Safran reconheceu o resultado sem rodeios. “Embora ‘Supergirl’ não tenha atendido às nossas expectativas de bilheteria, ela é apenas uma parte de uma estratégia muito maior e de longo prazo”, disse o executivo.
Ele também tocou num ponto sensível para a base de fãs: a relação de confiança abalada por anos de reinícios e trocas de comando na franquia. “Quero reconstruir a confiança do público, algo que acredito que a DC perdeu ao longo dos anos”, afirmou.
Por outro lado, Safran reforçou otimismo com o que vem a seguir. O que une os fãs de quadrinhos é muito maior do que aquilo que os divide”, declarou, citando o cronograma de Lanterns, Cara-de-Barro e Superman: Homem do Amanhã como prova de que o plano segue de pé.
Os números por trás do desastre
Analistas calculam ponto de equilíbrio em torno de US$ 375 milhões em bilheteria global, soma necessária para cobrir produção e marketing. Com projeção total entre US$ 200 e 300 milhões, o rombo final deve girar entre US$ 100 e 120 milhões.
A comparação com a concorrência expõe o tamanho do problema. Coringa: Delírio a Dois abriu com US$ 37,6 milhões nos EUA e ainda somou US$ 114,8 milhões globais. The Flash abriu com US$ 55 milhões. Até The Marvels, outro flop notório da Marvel, abriu mais forte: US$ 46 milhões.
Jeff Block, analista de mercado, resumiu o desafio estrutural por trás do resultado: “This was always going to be a tough hurdle for DC and Warner Bros. because Supergirl isn’t a character that has ever created an event-level blockbuster.” Na prática, Kara nunca teve histórico de bilheteria de peso sozinha.
| Abertura doméstica | US$ 37-38 milhões |
| Abertura internacional | US$ 30 milhões |
| Orçamento de produção | US$ 170-180 milhões |
| Marketing | US$ 120 milhões |
| Ponto de equilíbrio estimado | US$ 375 milhões |
| Prejuízo projetado | US$ 100-120 milhões |
O salário de Milly Alcock chama atenção pela diferença

Milly Alcock recebeu cerca de US$ 400 mil para protagonizar Supergirl, com bônus de bilheteria condicional. O valor soa modesto diante do que o elenco de Superman (2025) recebeu: David Corenswet e Rachel Brosnahan, US$ 750 mil cada; Nicholas Hoult, US$ 2 milhões.
A diferença remete a um padrão histórico no gênero. Gal Gadot começou com salário inicial de apenas US$ 300 mil em Mulher-Maravilha (2017), antes de a franquia decolar e renegociar valores nas sequências.
De qualquer forma, o contraste reacende debate sobre como estúdios remuneram atrizes em papéis de estreia de franquia. especialmente quando o filme em si carrega peso financeiro tão alto sobre os ombros da protagonista.
Por que a DC Studios não está em pânico
Apesar do resultado ruim, a postura institucional é de calma. O sucesso anterior de Superman (2025), com abertura de US$ 125 milhões e total global de US$ 620 milhões dá margem para a DC Studios tratar Supergirl como tropeço pontual, não como sintoma de crise.
Ainda assim, o momento expõe um padrão perigoso para a Warner Bros. em 2026: A Noiva!, outro lançamento do estúdio, também fracassou, com apenas US$ 23 milhões de bilheteria contra orçamento de US$ 90 milhões.
O que muda na estratégia daqui para frente
O cronograma seguinte do DCU não recua por causa do resultado de Supergirl. A série Lanterns, já gravada para a HBO, segue no calendário original. Em paralelo, Cara-de-Barro, dirigido por James Watkins, está confirmado para outubro de 2026.
O grande teste de confiança, porém, fica para 2027: Superman: Homem do Amanhã precisa repetir o desempenho do filme anterior de James Gunn para provar que o fracasso de Kara foi exceção isolada, não sintoma de fadiga do público com o universo recém-reiniciado.
Até lá, Safran segue defendendo a tese de que personagens menos consagrados no cinema, como Supergirl, sempre carregam risco maior de bilheteria, independentemente da qualidade do produto entregue. A crítica mista ao filme reforça essa leitura: a recepção dividiu opiniões, mas não foi unânime negativa.
Resta saber se o cronograma seguinte do DCU consegue reverter a sequência de tropeços antes que a confiança do público, mencionada pelo próprio Safran, vire prejuízo permanente de imagem.