Supergirl pode perder até US$ 120 milhões nas bilheterias

Por Redação Notícias Flix 30/06/2026 às 17:57 5 min de leitura
Supergirl pode perder até US$ 120 milhões nas bilheterias
5 min de leitura

US$ 37 milhões de abertura doméstica. Orçamento de US$ 170 milhões, mais US$ 120 milhões em marketing. A conta de Supergirl não fecha, e Peter Safran, co-CEO da DC Studios, finalmente quebrou o silêncio sobre o tamanho do problema.

Resumo rápido

  • Abertura doméstica de US$ 37-38 milhões, internacional de US$ 30 milhões
  • Prejuízo estimado entre US$ 100 e 120 milhões para a Warner Bros.
  • Peter Safran admite que o filme “não atendeu às expectativas de bilheteria”
  • Milly Alcock recebeu cerca de US$ 400 mil pelo papel, valor bem abaixo da média do gênero

O resultado coloca Supergirl na lista de fracassos recentes de super-herói, ao lado de nomes como The Flash e Morbius. Ainda assim, a DC Studios sinaliza que não pretende mudar de rota por causa de um único tropeço.

O que Peter Safran disse sobre o fracasso

Milly Alcock em entrevista, sorrindo em conversa sobre os bastidores da produção
(Reprodução/DC Studios)

Em entrevista ao New York Times, Safran reconheceu o resultado sem rodeios. “Embora ‘Supergirl’ não tenha atendido às nossas expectativas de bilheteria, ela é apenas uma parte de uma estratégia muito maior e de longo prazo”, disse o executivo.

Ele também tocou num ponto sensível para a base de fãs: a relação de confiança abalada por anos de reinícios e trocas de comando na franquia. “Quero reconstruir a confiança do público, algo que acredito que a DC perdeu ao longo dos anos”, afirmou.

Por outro lado, Safran reforçou otimismo com o que vem a seguir. O que une os fãs de quadrinhos é muito maior do que aquilo que os divide”, declarou, citando o cronograma de Lanterns, Cara-de-Barro e Superman: Homem do Amanhã como prova de que o plano segue de pé.

Os números por trás do desastre

Analistas calculam ponto de equilíbrio em torno de US$ 375 milhões em bilheteria global, soma necessária para cobrir produção e marketing. Com projeção total entre US$ 200 e 300 milhões, o rombo final deve girar entre US$ 100 e 120 milhões.

A comparação com a concorrência expõe o tamanho do problema. Coringa: Delírio a Dois abriu com US$ 37,6 milhões nos EUA e ainda somou US$ 114,8 milhões globais. The Flash abriu com US$ 55 milhões. Até The Marvels, outro flop notório da Marvel, abriu mais forte: US$ 46 milhões.

Jeff Block, analista de mercado, resumiu o desafio estrutural por trás do resultado: “This was always going to be a tough hurdle for DC and Warner Bros. because Supergirl isn’t a character that has ever created an event-level blockbuster.” Na prática, Kara nunca teve histórico de bilheteria de peso sozinha.

Abertura doméstica US$ 37-38 milhões
Abertura internacional US$ 30 milhões
Orçamento de produção US$ 170-180 milhões
Marketing US$ 120 milhões
Ponto de equilíbrio estimado US$ 375 milhões
Prejuízo projetado US$ 100-120 milhões

O salário de Milly Alcock chama atenção pela diferença

Kara com expressão séria e pensativa em cena dramática do filme, uniformizada em tons vermelhos e azuis
(Reprodução/DC Studios)

Milly Alcock recebeu cerca de US$ 400 mil para protagonizar Supergirl, com bônus de bilheteria condicional. O valor soa modesto diante do que o elenco de Superman (2025) recebeu: David Corenswet e Rachel Brosnahan, US$ 750 mil cada; Nicholas Hoult, US$ 2 milhões.

A diferença remete a um padrão histórico no gênero. Gal Gadot começou com salário inicial de apenas US$ 300 mil em Mulher-Maravilha (2017), antes de a franquia decolar e renegociar valores nas sequências.

De qualquer forma, o contraste reacende debate sobre como estúdios remuneram atrizes em papéis de estreia de franquia. especialmente quando o filme em si carrega peso financeiro tão alto sobre os ombros da protagonista.

Por que a DC Studios não está em pânico

Apesar do resultado ruim, a postura institucional é de calma. O sucesso anterior de Superman (2025), com abertura de US$ 125 milhões e total global de US$ 620 milhões dá margem para a DC Studios tratar Supergirl como tropeço pontual, não como sintoma de crise.

Ainda assim, o momento expõe um padrão perigoso para a Warner Bros. em 2026: A Noiva!, outro lançamento do estúdio, também fracassou, com apenas US$ 23 milhões de bilheteria contra orçamento de US$ 90 milhões.

O que muda na estratégia daqui para frente

O cronograma seguinte do DCU não recua por causa do resultado de Supergirl. A série Lanterns, já gravada para a HBO, segue no calendário original. Em paralelo, Cara-de-Barro, dirigido por James Watkins, está confirmado para outubro de 2026.

O grande teste de confiança, porém, fica para 2027: Superman: Homem do Amanhã precisa repetir o desempenho do filme anterior de James Gunn para provar que o fracasso de Kara foi exceção isolada, não sintoma de fadiga do público com o universo recém-reiniciado.

Até lá, Safran segue defendendo a tese de que personagens menos consagrados no cinema, como Supergirl, sempre carregam risco maior de bilheteria, independentemente da qualidade do produto entregue. A crítica mista ao filme reforça essa leitura: a recepção dividiu opiniões, mas não foi unânime negativa.

Resta saber se o cronograma seguinte do DCU consegue reverter a sequência de tropeços antes que a confiança do público, mencionada pelo próprio Safran, vire prejuízo permanente de imagem.