Um anime de The Legend of Zelda poderia virar o novo gigante da Crunchyroll? Pode. Mas só se a Nintendo escolher o recorte certo da franquia — e hoje The Legend of Zelda: Twilight Princess parece a opção mais forte para encarar a régua de Solo Leveling.
Antes de tudo: não existe anime oficial de Zelda anunciado. A discussão nasce de uma tese editorial que olha para o mangá The Legend of Zelda: Twilight Princess, de Akira Himekawa, como base ideal para uma adaptação.
Faz sentido. E não é pouco.
Twilight Princess é o Zelda com mais cara de anime
Entre os jogos da franquia, Twilight Princess resolve um problema antigo de adaptação: narrativa. Ele é mais linear, mais sombrio e entrega um conflito fácil de serializar em episódios.
O mangá ajuda ainda mais. Publicado entre 2016 e 2022, em 11 volumes, ele expande a psicologia de Link e dá mais peso dramático para Midna, Ganondorf e o reino em ruínas.
Num anime, isso vale ouro. O herói silencioso ganharia voz, pausas e dilemas sem precisar trair o material original.
| Ficha técnica | Detalhes |
|---|---|
| Título | The Legend of Zelda: Twilight Princess |
| Formato | Mangá |
| Autores | Akira Himekawa |
| Pseudônimo | A. Honda e S. Nagano |
| Editora japonesa | Shogakukan |
| Serialização | MangaONE |
| Período de publicação | 2016–2022 |
| Volumes | 11 |
| Status | Finalizado |
| Gênero | Aventura, fantasia, ação, dark fantasy |
| Baseado em | Jogo The Legend of Zelda: Twilight Princess |
Tem mais. Visualmente, esse é o Zelda que mais conversa com anime de fantasia sombria. Armaduras pesadas, monstros deformados, crepúsculo constante e um senso de tragédia que passa longe do clima mais solar de outras fases da série.

Se a ideia é transformar Zelda num fenômeno semanal, Twilight Princess sai na frente de Ocarina of Time, Majora’s Mask e até de Breath of the Wild. Esses jogos são gigantes. Só que nem todos viram temporada boa com a mesma facilidade.
Mas Solo Leveling não cai só com nome grande
A comparação com Solo Leveling é boa para medir ambição. Também é perigosa. O sucesso do anime na Crunchyroll não veio apenas da marca, mas de execução, ritmo e apelo imediato.
Solo Leveling entendeu a lógica do streaming moderno: episódios que terminam no gancho, protagonista fácil de vender, ação constante e cenas feitas para explodir em corte no TikTok. Não basta Zelda ser famoso.
Mas será que fama não resolve metade do caminho? Resolve. Só não resolve tudo.
Zelda entra com uma vantagem óbvia: reconhecimento global. A franquia da Nintendo atravessa gerações, vende console, move trilha sonora em show e já chegou ao ponto de ganhar filme live-action em desenvolvimento.
Por outro lado, anime hit precisa de regularidade. Precisa de direção forte, animação consistente e um estúdio capaz de sustentar ação de alto nível sem cair de qualidade no meio da temporada.
Foi isso que separou adaptações de games medianas de acertos de verdade. Castlevania encontrou identidade própria. Cyberpunk: Edgerunners virou febre porque tinha estilo até no corte de cena. Zelda teria de achar a mesma voz.

E tem uma diferença importante. Solo Leveling vive de escalation. Cada luta precisa parecer maior que a anterior. Zelda funciona melhor quando mistura aventura, melancolia e descoberta.
Se uma adaptação tentar copiar a energia de Solo Leveling, perde personalidade. Se abraçar o lado mais contemplativo de Hyrule, pode até não bater o mesmo barulho imediato — mas tem chance de durar mais.
Na Crunchyroll Brasil, Zelda teria espaço. Garantia, não.
Se um anime de Zelda realmente nascer em formato japonês de temporada, a Crunchyroll é a casa mais óbvia. A plataforma já concentra boa parte do público brasileiro de anime e hoje exibe Solo Leveling no Brasil, com opções de legenda e dublagem em português.
Só que a conta não fecha sozinha. A Nintendo é uma das empresas mais protetoras do entretenimento quando o assunto é uso de marca, janela de lançamento e controle criativo.
Isso pesa muito. Um projeto desses poderia virar anime premium para streaming, sim. Mas também poderia ser guardado para outra estratégia de distribuição, parceria global ou até cinema.
Hoje, quem entra em The Legend of Zelda entra pelos jogos. Não existe anime oficial da franquia disponível no Brasil em nenhuma plataforma de grande alcance.

Para o público brasileiro, a hipótese interessa por um motivo simples: faltam grandes animes de fantasia com selo de evento. Frieren ganhou prestígio. Demon Slayer domina no espetáculo. Solo Leveling ocupou o espaço do hype puro. Zelda poderia entrar em outra faixa.
Seria menos “subida de poder” e mais fantasia épica com peso emocional. Em vez de viver de choque a cada semana, viveria de mundo, atmosfera e personagens.
Isso basta para derrubar Solo Leveling? Hoje, não dá para afirmar. O anime nem existe. Mas a leitura de que Twilight Princess é o melhor ponto de partida está certa.
Ele já tem estrutura, densidade e tom. Falta a parte mais difícil: a Nintendo querer jogar esse jogo. E, quando ela decide se mexer, quase nunca faz no tempo que o público espera.