Paper Tiger estreou em Cannes em 16/05/2026 com um começo sólido: 81% no Rotten Tomatoes após 27 críticas. O novo filme de James Gray junta Scarlett Johansson e Adam Driver em um drama criminal de família, máfia russa e colapso moral — e a recepção já mostra que existe mais elogio do que euforia.
Bom começo. Unanimidade, não.
| Ficha técnica | Detalhes |
|---|---|
| Título | Paper Tiger |
| Direção | James Gray |
| Roteiro | James Gray |
| Gênero | Crime, drama e thriller |
| Duração | 116 minutos |
| Estreia mundial | 16/05/2026 |
| Evento de estreia | Festival de Cannes 2026 |
| Elenco principal | Scarlett Johansson, Adam Driver, Miles Teller, Gavin Goudey, Roman Engel e Victor Ptak |
| Personagens confirmados | Scarlett Johansson é Hester Pearl; Adam Driver é Gary Pearl |
| Nota no Rotten Tomatoes | 81% |
| Críticas contabilizadas | 27 |
Boa nota, mas sem unanimidade
O número no Rotten Tomatoes é bom, ainda mais para um thriller criminal adulto lançado em festival. Só que o tom das críticas diz mais do que o percentual.
Parte da imprensa comprou forte a tragédia familiar desenhada por Gray. Outra parte viu um filme elegante, bem atuado e tenso, mas cauteloso demais para o material que tem nas mãos.
Traduzindo: Paper Tiger agradou, porém não chegou atropelando Cannes. Não parece aquele caso de “novo clássico instantâneo”. Parece mais um filme que cresce pela atmosfera, pelo elenco e pela assinatura do diretor.

Entre os elogios mais recorrentes, aparecem a energia de thriller antigo, o peso emocional e a melancolia típica de James Gray. Entre as críticas, voltam três reclamações: clichês do gênero, personagens menos profundos do que poderiam ser e uma trama que joga seguro.
Mas será que isso derruba o interesse? Nem um pouco. Em Cannes, filme dividido não é sentença de fracasso. Às vezes é só sinal de que o diretor escolheu um caminho menos fácil.
James Gray volta ao terreno que conhece
Gray não é um cineasta de pressa. Seus filmes gostam de silêncio, culpa, família em ruína e homens esmagados por ambição. Paper Tiger encaixa nisso quase sem esforço.
A sinopse resume bem: dois irmãos tentam correr atrás do sonho americano e acabam presos numa operação brutal ligada à máfia russa. O que vem junto é o pacote clássico do diretor — lealdade, traição, corrupção e uma tristeza que contamina todo mundo.
Se Ad Astra e Armageddon Time mostravam Gray olhando para dentro, aqui ele volta a um crime mais terreno. Mais sujo. Mais próximo da linhagem de The Yards do que de qualquer coisa de ação grandiosa.
Isso ajuda a entender a reação da crítica. Quem entrou esperando um filme de máfia mais explosivo pode ter saído frustrado. Quem queria um drama criminal adulto, cheio de tensão moral, provavelmente encontrou exatamente isso.

Existe também um detalhe importante: 116 minutos. Para um drama desse tipo, a duração é enxuta. Não é épico criminal em modo O Irlandês. É um filme que parece mirar precisão, não gigantismo.
O reencontro de Scarlett Johansson e Adam Driver pesa no marketing
Tem um gancho óbvio aqui, e Hollywood sabe disso: Scarlett Johansson e Adam Driver voltam a dividir a tela depois de História de um Casamento. Só que Paper Tiger troca o divórcio em carne viva por crime, família e violência latente.
Johansson vive Hester Pearl. Driver é Gary Pearl. Miles Teller completa o trio de nomes que mais chamam atenção no material de divulgação e na cobertura inicial de Cannes.
No meio das primeiras análises, Driver saiu especialmente forte. Houve quem tratasse sua atuação como uma das melhores da carreira. Não é pouca coisa, considerando o nível que ele já entregou em filmes de Noah Baumbach, Leos Carax e Ridley Scott.
Johansson, por sua vez, segue num momento interessante. Depois de anos muito associada a blockbuster, ela continua alternando projetos grandes com cinema mais autoral. Paper Tiger reforça exatamente isso: ela não ficou presa ao universo de franquia.

O mais curioso é o contraste entre expectativa e entrega. Reunir Johansson, Driver, Teller e James Gray poderia empurrar a conversa para algo mais barulhento. O filme, pelo que saiu de Cannes, vai na direção oposta. Menos espetáculo. Mais tragédia familiar.
O Brasil ainda espera uma janela
Por enquanto, Paper Tiger não tem lançamento comercial confirmado no Brasil. Não há plataforma anunciada por aqui, nem data para cinema, streaming ou circuito de festivais nacionais.
Isso também significa zero confirmação sobre dublagem em português neste momento. Como a estreia foi em festival, essa definição costuma aparecer só quando a distribuição fecha em cada território.
Na prática, o público brasileiro ainda está olhando de longe. E faz sentido acompanhar. Filme de crime adulto com elenco desse tamanho costuma encontrar caminho, seja em lançamento limitado nos cinemas, seja em streaming premium alguns meses depois.
Paper Tiger entrou em Cannes com boa recepção e saiu do primeiro fim de semana com 81% no Rotten Tomatoes. Número bom, elenco forte e assinatura autoral ele já tem. Falta a parte que mais interessa daqui: quem vai trazer o filme para o Brasil — e quanto tempo isso ainda vai demorar?