Sinopse
Drive é o thriller neo-noir de 2011 dirigido pelo dinamarquês Nicolas Winding Refn, com roteiro de Hossein Amini baseado no romance homônimo de James Sallis publicado em 2005. Ryan Gosling vive um dublê de Hollywood sem nome que faz bicos como motorista de fuga em assaltos noturnos por Los Angeles. Quando se aproxima da vizinha Irene (Carey Mulligan) e do filho pequeno dela, é arrastado para uma trama violenta que envolve o marido recém-saído da prisão Standard (Oscar Isaac), o mecânico Shannon (Bryan Cranston) e os mafiosos Bernie Rose (Albert Brooks) e Nino (Ron Perlman). Estreou no Festival de Cannes em 20 de maio de 2011, onde Refn levou o prêmio de Melhor Diretor, e chegou aos cinemas americanos em 16 de setembro do mesmo ano.
Análise — Notícias Flix
Drive é um exercício de estilo que envelheceu como obra-prima. Refn pega o esqueleto de um thriller pulp e veste com economia de diálogos, enquadramentos longos e silêncios desconfortáveis — o protagonista de Gosling não tem nome, fala pouco e age como se obedecesse a um código privado. Quem entrar esperando perseguição constante vai estranhar o ritmo lento do primeiro ato; quem aceitar a proposta encontra um dos noir urbanos mais influentes da década de 2010.
A fotografia de Newton Thomas Sigel transforma Los Angeles em paisagem de néon e asfalto vazio, com travellings noturnos pela Reseda e downtown LA. A trilha synthwave de Cliff Martinez, com faixas de Kavinsky, College e Chromatics, virou referência sonora copiada à exaustão depois de 2011. A jaqueta de cetim com escorpião dourado nas costas, inspirada no curta experimental Scorpio Rising (1964) de Kenneth Anger, vendeu réplicas em massa e entrou para o imaginário pop como ícone instantâneo.
O elenco coadjuvante é o que fecha a equação. Albert Brooks abandona a comédia para entregar um vilão arrepiante, e a ausência dele na lista de indicados ao Oscar de Coadjuvante virou um dos maiores escândalos da temporada. Carey Mulligan, Bryan Cranston, Oscar Isaac e Ron Perlman dão profundidade a personagens que em outras mãos seriam arquétipos. O BAFTA reconheceu mais que Hollywood: foram quatro indicações, incluindo Mulligan como Melhor Atriz Coadjuvante.
A violência explícita divide até hoje. Cenas de execução brutais quebram a placidez do romance entre o motorista e Irene, e afastaram parte do público que esperava algo na linha Velozes e Furiosos — uma espectadora de Michigan chegou a processar a distribuidora alegando trailer enganoso. Para quem topa o contraste, é cinema autoral disfarçado de filme de ação, com 93% no Rotten Tomatoes e 79 no Metacritic justificando o status cult.
Pontos fortes
- Trilha synthwave de Cliff Martinez virou referência estética da década inteira
- Albert Brooks entrega vilão antológico em performance contra o tipo dele
- Direção de Refn equilibra silêncio, néon e violência com precisão cirúrgica
Pontos fracos
- Ritmo contemplativo afasta quem espera ação contínua estilo blockbuster
- Cenas de violência explícita são brutais e podem incomodar parte do público
- Protagonista monossilábico exige paciência para construção emocional
Bilheteria
- Orçamento
- US$ 15 mi
- Arrecadação mundial
- US$ 80 mi
- Retorno
- 5,3× o orçamento
Ficha técnica
- Roteiro
- Hossein Amini
- Fotografia
- Newton Thomas Sigel
- Trilha sonora
- Cliff Martinez
- Edição
- Matthew Newman
- Duração
- 96 min
Curiosidades sobre Drive
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Cannes premiou Refn como diretor
Drive estreou no Festival de Cannes em 20 de maio de 2011 e rendeu a Nicolas Winding Refn o prêmio de Melhor Diretor. A premiação pegou a crítica de surpresa e consolidou o dinamarquês como nome de peso do cinema autoral.
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Baseado em romance de 2005
O roteiro de Hossein Amini adapta o romance homônimo de James Sallis publicado em 2005. Sallis lançou continuação chamada Driven em 2012, mas o segundo livro ainda não foi adaptado para o cinema.
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Bilheteria multiplicou orçamento
Com US$ 15 milhões de orçamento, Drive arrecadou US$ 81,4 milhões mundiais — retorno superior a 5x o investimento. A FilmDistrict comprou os direitos norte-americanos em novembro de 2010 antes mesmo de o filme ser finalizado.
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Jaqueta inspirada em Kenneth Anger
A icônica jaqueta cetim com escorpião dourado nas costas foi inspirada no curta-metragem experimental Scorpio Rising (1964) de Kenneth Anger e em estética da banda Kiss. O escorpião funciona como símbolo de proteção do protagonista.
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Indicação solitária ao Oscar
Drive recebeu apenas uma indicação no 84º Academy Awards: Melhor Edição de Som. A ausência de Albert Brooks na lista de Melhor Ator Coadjuvante foi considerada uma das maiores injustiças da temporada de premiações 2011-2012.
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Quatro indicações no BAFTA
A academia britânica indicou Drive em quatro categorias: Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Atriz Coadjuvante para Carey Mulligan e Melhor Edição. A festa em Londres reconheceu o filme bem mais do que Hollywood.
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Filmado em 49 dias
A produção principal aconteceu entre 25 de setembro e 12 de novembro de 2010 — 49 dias de filmagem em diferentes regiões de Los Angeles. Refn evitou prédios recentes para preservar o clima sombrio do livro de Sallis.
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Trilha synthwave virou referência
Cliff Martinez assumiu a composição depois que Johnny Jewel trabalhou inicialmente no projeto. Faixas como Nightcall (Kavinsky), A Real Hero (College & Electric Youth) e Tick of the Clock (Chromatics) ditaram a estética sonora de toda uma década.
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Processo por trailer enganoso
Uma espectadora de Michigan moveu ação contra a distribuidora alegando que o trailer prometia algo na linha de Velozes e Furiosos. O caso virou anedota da indústria e mostrou o quanto Drive frustrou expectativas de público acostumado a ação convencional.
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Aprovação esmagadora da crítica
Drive registra 93% no Rotten Tomatoes em 270 críticas e 79 no Metacritic com base em 43 resenhas. O consenso fala em visão plenamente realizada de ação arthouse, fórmula que poucos filmes do período conseguiram replicar.
Datas-chave
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Lançamento mundial
Elenco principal