O novo Mestres do Universo fez só US$ 11,7 milhões no dia de estreia nos Estados Unidos. O orçamento foi de US$ 170 milhões. A conta, à primeira vista, não fecha.
Porém, há um detalhe que complica a leitura fácil de fracasso. O público que viu o filme aprovou em peso. O He-Man de Nicholas Galitzine entregou a maior nota de audiência de toda a franquia em 41 anos.
A bilheteria que assustou o estúdio

As projeções falavam em US$ 30 a 35 milhões no fim de semana de abertura. O resultado real ficou bem abaixo. As pré-estreias de quinta somaram apenas US$ 4,4 milhões, um sinal ruim para o que viria.
Para um filme que custou US$ 170 milhões, o ponto de equilíbrio fica perto de US$ 450 a 500 milhões em bilheteria global. Por isso, a estreia tímida coloca qualquer plano de continuação em xeque antes mesmo de o segundo fim de semana chegar.
A distribuição é da Amazon MGM. Trata-se da primeira tentativa de levar He-Man de volta aos cinemas em quatro décadas. O peso histórico era enorme, e a recepção comercial não acompanhou.
Em compensação, o desempenho doméstico fraco nem sempre define o destino de um filme. Mercados internacionais e a vida longa no streaming podem mudar a equação. Ainda assim, abrir abaixo da metade da projeção é o tipo de tropeço que deixa executivos nervosos.
A maldição que He-Man carregava
Para entender o tamanho da aposta, é preciso voltar a 1987. Naquele ano, Dolph Lundgren vestiu He-Man num live-action que virou sinônimo de fracasso. O filme amargou só 41% de aprovação do público e enterrou a franquia nos cinemas por décadas.
Desde então, vários projetos nasceram e morreram em desenvolvimento. Estúdios diferentes tentaram, diretores entraram e saíram, e nada chegava às telas. A sombra do desastre de 1987 pairava sobre qualquer nova tentativa.
Por isso, o resultado de crítica e público desta versão tem peso simbólico. Depois de 41 anos, He-Man finalmente quebrou a maldição do live-action, ainda que a bilheteria insista em contar outra história.
Crítica dividida, público apaixonado
No Rotten Tomatoes, a crítica deu 66%. Não é desastre, mas também não é unanimidade. O público, no entanto, foi por outro caminho: 88% de aprovação com mais de mil avaliações verificadas.
Esse número é histórico. Supera de longe os 41% do filme de 1987 e se torna a maior nota de audiência entre todas as adaptações da franquia. Em resumo, quem foi ao cinema saiu satisfeito.
O consenso da crítica resume bem o tom: o roteiro que ri de si mesmo e um elenco animado encontram a humanidade dentro de He-Man. Acaba sendo uma aventura que abraça a própria bobagem sem pedir desculpas.
O elenco que sustenta Eternia

Nicholas Galitzine veste o Príncipe Adam e seu alter ego He-Man. Ao seu lado, Camila Mendes vive Teela e Idris Elba encarna Duncan, o Man-At-Arms. O vilão fica por conta de Jared Leto, um Esqueleto que o ator levou ao extremo.
O time ainda traz Alison Brie como Evil-Lyn, Morena Baccarin como a Feiticeira e James Purefoy como o Rei Randor. Na cadeira de diretor, Travis Knight, o mesmo de Kubo e as Cordas Mágicas e Bumblebee.
Galitzine vinha de papéis em comédias românticas e dramas, longe da ação de blockbuster. Aqui, ele assume o físico e o carisma de um herói clássico. A aposta no ator, antes vista com ceticismo, acabou validada pela reação do público.
A cena pós-créditos que muda o jogo
Quem ficou até o fim viu She-Ra estrear em live-action. A personagem é vivida por Lauren Saliu, que confirmou o papel num post de Instagram depois apagado, mencionando um figurino feito sob medida.
De fato, é o tipo de gancho que normalmente anuncia um universo expandido. She-Ra é a irmã de Adam e uma das figuras mais queridas da mitologia de Eternia. A cena planta a semente de algo maior.
Vale lembrar que She-Ra teve sua própria série animada nos anos 80 e, mais recentemente, um reboot aclamado na Netflix. Trazê-la para o live-action conecta dois públicos de gerações diferentes. O potencial narrativo é grande, desde que haja um próximo capítulo para explorá-lo.
Vai ter sequência?
Aqui mora a tensão. O diretor Travis Knight foi evasivo quando perguntado. Ainda assim, deixou escapar que a irmã de Adam sempre foi parte enorme da franquia e que, num eventual segundo filme, ela teria um papel muito grande.
Mas Knight também foi honesto sobre a realidade da indústria. Para ele, ao fazer um filme, parte do princípio de que talvez nunca tenha outra chance de brincar com esses personagens. Com a bilheteria fraca, esse princípio vira profecia em risco.
No Brasil, o filme chega pela mesma distribuição da Amazon MGM nos cinemas. O futuro de Eternia nas telas, por outro lado, depende do que o público fizer nas próximas semanas. O paradoxo está montado: amado por quem vê, ignorado por quem ainda não foi.