Os Miseráveis
Filme

Os Miseráveis

★ 7.3 2012 2h 38m 14 Drama · História

França, 1815. Jean Valjean (Hugh Jackman), prisioneiro 24601, é libertado depois de 19 anos cumprindo pena por ter roubado um pão para alimentar os sobrinhos famintos. A liberdade condicional o coloca em vigilância eterna do inspetor Javert (Russell Crowe), obcecado…

Diretor
Tom Hooper
Elenco
Hugh Jackman, Russell Crowe, Amanda Seyfried
Produção
Universal Pictures, Working Title Films
Origem
Reino Unido
Título original
Les Misérables

Sinopse

França, 1815. Jean Valjean (Hugh Jackman), prisioneiro 24601, é libertado depois de 19 anos cumprindo pena por ter roubado um pão para alimentar os sobrinhos famintos. A liberdade condicional o coloca em vigilância eterna do inspetor Javert (Russell Crowe), obcecado pela letra da lei. Quando um bispo o salva entregando-lhe os castiçais, Valjean rompe a condicional e reaparece anos depois sob nova identidade, como prefeito caridoso.

Sua vida se quebra quando conhece Fantine (Anne Hathaway), operária expulsa pelos colegas que caiu na prostituição para sustentar a filha Cosette. Antes de morrer, Fantine arranca de Valjean a promessa de cuidar da menina. Cosette (Amanda Seyfried) cresce sob proteção dele em Paris, justamente quando os jovens revolucionários liderados por Marius (Eddie Redmayne) se preparam para a Insurreição de Junho de 1832.

Dirigido por Tom Hooper (Oscar por O Discurso do Rei), Os Miseráveis adapta o musical de Schönberg, Boublil e Kretzmer (1980), baseado no romance de Victor Hugo (1862). Recebeu oito indicações ao Oscar, venceu três e arrecadou US$ 442 milhões mundiais.

Análise — Notícias Flix

7.6
de 10

Os Miseráveis de Tom Hooper é o caso clássico de adaptação que divide audiência exatamente pela mesma escolha estética que tenta justificá-la. Tom Hooper, vindo de O Discurso do Rei (2010), vencedor do Oscar de melhor filme, assumiu a tarefa que muitos consideravam impossível: levar para o cinema o musical de palco que vendeu mais ingressos na história mundial (mais de 70 milhões em 50 países desde 1985). A solução de Hooper foi radical: gravar todas as canções ao vivo no set, com câmera próxima do rosto dos atores, deixando que cada respiração e fragilidade vocal entrasse no take final. 99% das vocalizações são reais, capturadas no momento da atuação.

Para alguns, a escolha funcionou. Anne Hathaway em "I Dreamed a Dream" — cantada em take único, em close fechado, com o cabelo recém-cortado em cena (filmado de verdade, não com peruca), enquanto a atriz emagrecia 11kg para o papel — entregou uma das melhores performances dramáticas musicais da história do cinema. O Oscar de melhor atriz coadjuvante em 2013 não foi cerimônia: foi inevitável. Hugh Jackman, que perdeu 13kg e passou 36 horas sem beber água antes de filmar a sequência inicial, sustenta Valjean com presença física e vocal de quem viveu o personagem no palco antes (entrou em musicais da Broadway nos anos 90).

Para outros, a mesma escolha falhou. Russell Crowe como Javert virou o ponto crítico mais discutido do filme. O ator australiano, vindo de Gladiador e Uma Mente Brilhante, fez quatro meses de aulas de canto antes das gravações — e ainda assim entregou interpretação que muitos consideraram amadora demais para o papel. Sacha Baron Cohen brincou no Globo de Ouro: "Quatro meses de aulas de canto foi dinheiro bem gasto". A defesa de Crowe é que sua voz crua ressoa o trauma do personagem; a crítica é que algumas notas simplesmente saem desafinadas em close. Os fãs do musical continuam debatendo até hoje.

A direção de Hooper insiste em planos faciais extremamente próximos, quase desconfortáveis. A escolha funciona em momentos íntimos ("I Dreamed a Dream" de Hathaway, "Bring Him Home" de Jackman) e atrapalha em sequências corais (a barricada do estudante, "One Day More"). A fotografia de Danny Cohen aceita ficar a 30cm dos atores e raramente abre o quadro. Para o público de musical de palco que conhece a versão original, é mudança de tom radical. Para quem nunca viu o musical, é experiência cinematográfica intensa, ainda que pesada.

US$ 442 milhões mundiais sobre US$ 61 milhões — sucesso comercial enorme. 8 indicações ao Oscar, 3 vitórias (Anne Hathaway, mixagem de som, maquiagem). 158 minutos densos de canto contínuo. Para fãs do musical de Schönberg-Boublil-Kretzmer (1980), é peça obrigatória do canon. Para quem nunca leu Victor Hugo nem viu o musical de palco, é introdução visceral a um dos romances mais influentes da literatura francesa do século XIX.

Pontos fortes

  • Anne Hathaway em "I Dreamed a Dream" — Oscar inevitável, take único histórico
  • Hugh Jackman entrega Valjean com presença vocal e física de quem fez Broadway
  • Gravação ao vivo das vocalizações dá imediatismo dramático ao musical
  • Bilheteria de US$ 442 milhões sobre US$ 61 milhões — sucesso comercial enorme
  • Adaptação fiel ao musical de Schönberg-Boublil-Kretzmer de 1980

Pontos fracos

  • Russell Crowe como Javert sofre vocalmente em vários momentos críticos
  • Hooper insiste em planos faciais extremamente próximos quase claustrofóbicos
  • Sequências corais perdem força com a falta de planos abertos
  • 158 minutos de canto contínuo são experiência exigente
  • Cortes de cabelo e emagrecimento extremos chamaram mais atenção que o roteiro
Vale a pena se: Você é fã do musical de palco Os Miseráveis (Schönberg-Boublil), gosta de cinema épico baseado em literatura clássica francesa no estilo de Cyrano de Bergerac ou Anna Karenina, e topa um filme musical pesado de quase três horas que aposta no canto ao vivo como recurso emocional principal.

Bilheteria

Orçamento
US$ 61 mi
Arrecadação mundial
US$ 443 mi
Retorno
7,3× o orçamento

Ficha técnica

Roteiro
William Nicholson
Fotografia
Danny Cohen
Trilha sonora
Claude-Michel Schönberg
Edição
Melanie Oliver
Duração
158 min

Curiosidades sobre Os Miseráveis

Datas-chave

  1. Lançamento mundial

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