Sinopse
França, 1815. Jean Valjean (Hugh Jackman), prisioneiro 24601, é libertado depois de 19 anos cumprindo pena por ter roubado um pão para alimentar os sobrinhos famintos. A liberdade condicional o coloca em vigilância eterna do inspetor Javert (Russell Crowe), obcecado pela letra da lei. Quando um bispo o salva entregando-lhe os castiçais, Valjean rompe a condicional e reaparece anos depois sob nova identidade, como prefeito caridoso.
Sua vida se quebra quando conhece Fantine (Anne Hathaway), operária expulsa pelos colegas que caiu na prostituição para sustentar a filha Cosette. Antes de morrer, Fantine arranca de Valjean a promessa de cuidar da menina. Cosette (Amanda Seyfried) cresce sob proteção dele em Paris, justamente quando os jovens revolucionários liderados por Marius (Eddie Redmayne) se preparam para a Insurreição de Junho de 1832.
Dirigido por Tom Hooper (Oscar por O Discurso do Rei), Os Miseráveis adapta o musical de Schönberg, Boublil e Kretzmer (1980), baseado no romance de Victor Hugo (1862). Recebeu oito indicações ao Oscar, venceu três e arrecadou US$ 442 milhões mundiais.
Análise — Notícias Flix
Os Miseráveis de Tom Hooper é o caso clássico de adaptação que divide audiência exatamente pela mesma escolha estética que tenta justificá-la. Tom Hooper, vindo de O Discurso do Rei (2010), vencedor do Oscar de melhor filme, assumiu a tarefa que muitos consideravam impossível: levar para o cinema o musical de palco que vendeu mais ingressos na história mundial (mais de 70 milhões em 50 países desde 1985). A solução de Hooper foi radical: gravar todas as canções ao vivo no set, com câmera próxima do rosto dos atores, deixando que cada respiração e fragilidade vocal entrasse no take final. 99% das vocalizações são reais, capturadas no momento da atuação.
Para alguns, a escolha funcionou. Anne Hathaway em "I Dreamed a Dream" — cantada em take único, em close fechado, com o cabelo recém-cortado em cena (filmado de verdade, não com peruca), enquanto a atriz emagrecia 11kg para o papel — entregou uma das melhores performances dramáticas musicais da história do cinema. O Oscar de melhor atriz coadjuvante em 2013 não foi cerimônia: foi inevitável. Hugh Jackman, que perdeu 13kg e passou 36 horas sem beber água antes de filmar a sequência inicial, sustenta Valjean com presença física e vocal de quem viveu o personagem no palco antes (entrou em musicais da Broadway nos anos 90).
Para outros, a mesma escolha falhou. Russell Crowe como Javert virou o ponto crítico mais discutido do filme. O ator australiano, vindo de Gladiador e Uma Mente Brilhante, fez quatro meses de aulas de canto antes das gravações — e ainda assim entregou interpretação que muitos consideraram amadora demais para o papel. Sacha Baron Cohen brincou no Globo de Ouro: "Quatro meses de aulas de canto foi dinheiro bem gasto". A defesa de Crowe é que sua voz crua ressoa o trauma do personagem; a crítica é que algumas notas simplesmente saem desafinadas em close. Os fãs do musical continuam debatendo até hoje.
A direção de Hooper insiste em planos faciais extremamente próximos, quase desconfortáveis. A escolha funciona em momentos íntimos ("I Dreamed a Dream" de Hathaway, "Bring Him Home" de Jackman) e atrapalha em sequências corais (a barricada do estudante, "One Day More"). A fotografia de Danny Cohen aceita ficar a 30cm dos atores e raramente abre o quadro. Para o público de musical de palco que conhece a versão original, é mudança de tom radical. Para quem nunca viu o musical, é experiência cinematográfica intensa, ainda que pesada.
US$ 442 milhões mundiais sobre US$ 61 milhões — sucesso comercial enorme. 8 indicações ao Oscar, 3 vitórias (Anne Hathaway, mixagem de som, maquiagem). 158 minutos densos de canto contínuo. Para fãs do musical de Schönberg-Boublil-Kretzmer (1980), é peça obrigatória do canon. Para quem nunca leu Victor Hugo nem viu o musical de palco, é introdução visceral a um dos romances mais influentes da literatura francesa do século XIX.
Pontos fortes
- Anne Hathaway em "I Dreamed a Dream" — Oscar inevitável, take único histórico
- Hugh Jackman entrega Valjean com presença vocal e física de quem fez Broadway
- Gravação ao vivo das vocalizações dá imediatismo dramático ao musical
- Bilheteria de US$ 442 milhões sobre US$ 61 milhões — sucesso comercial enorme
- Adaptação fiel ao musical de Schönberg-Boublil-Kretzmer de 1980
Pontos fracos
- Russell Crowe como Javert sofre vocalmente em vários momentos críticos
- Hooper insiste em planos faciais extremamente próximos quase claustrofóbicos
- Sequências corais perdem força com a falta de planos abertos
- 158 minutos de canto contínuo são experiência exigente
- Cortes de cabelo e emagrecimento extremos chamaram mais atenção que o roteiro
Bilheteria
- Orçamento
- US$ 61 mi
- Arrecadação mundial
- US$ 443 mi
- Retorno
- 7,3× o orçamento
Ficha técnica
- Roteiro
- William Nicholson
- Fotografia
- Danny Cohen
- Trilha sonora
- Claude-Michel Schönberg
- Edição
- Melanie Oliver
- Duração
- 158 min
Curiosidades sobre Os Miseráveis
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Anne Hathaway perdeu 11kg e cortou o cabelo em cena
A atriz emagreceu cerca de 11kg para interpretar Fantine — dieta extrema combinada com privação de líquidos. O famoso corte de cabelo da personagem foi filmado em câmera real, sem corte de edição, com o cabelo verdadeiro de Hathaway sendo raspado durante a cena. A performance rendeu o Oscar de melhor atriz coadjuvante.
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99% das canções gravadas ao vivo no set
Tom Hooper insistiu em gravar 99% das vocalizações ao vivo no set, com cada ator cantando enquanto atuava. A decisão diferenciava o filme de musicais hollywoodianos tradicionais (que dublam vocais em estúdio depois) e foi citada como motivo principal das três vitórias do Oscar.
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Hugh Jackman perdeu 13kg e ficou 36h sem água
O ator perdeu cerca de 13kg para interpretar Jean Valjean nos anos de prisão. Antes de filmar a sequência inicial — em que o personagem aparece desidratado e exausto após 19 anos como escravo —, Jackman ficou 36 horas sem beber água para acentuar a aparência famélica.
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Russell Crowe fez 4 meses de aulas de canto
O ator australiano fez quatro meses de aulas de canto antes das gravações, mas sua interpretação de Javert ainda virou o ponto mais polêmico do filme. Sacha Baron Cohen brincou no Globo de Ouro de 2013: "Quatro meses de aulas de canto foi dinheiro bem gasto". O próprio Crowe admitiu não estar totalmente preparado para o papel.
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8 indicações ao Oscar e 3 vitórias
O filme recebeu oito indicações ao Oscar 2013, incluindo melhor filme — categoria que perdeu para Argo de Ben Affleck. Venceu três estatuetas: melhor atriz coadjuvante (Anne Hathaway), melhor mixagem de som e melhor maquiagem e penteado. Tom Hooper já havia vencido o Oscar de direção em 2011 por O Discurso do Rei.
Datas-chave
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Lançamento mundial
Elenco principal