Sinopse
Michael acompanha a trajetória de Michael Jackson da infância em Gary (Indiana) e da ascensão com os Jackson 5 nos anos 1960 até a explosão solo dos álbuns Off the Wall, Thriller e Bad, encerrando na turnê Bad de 1988. Dirigido por Antoine Fuqua e escrito por John Logan (Skyfall, Gladiator), o filme centraliza o lado artista — perfeccionismo no estúdio, a relação tensa com o pai Joseph, o vínculo com Katherine e a parceria com o advogado John Branca — e usa recriações coreografadas dos momentos mais icônicos do palco. Produzido pela GK Films de Graham King em parceria com a Optimum Productions (espólio Jackson), o longa é a primeira metade de um díptico — a sequência já recebeu sinal verde para tratar a fase posterior da carreira.
Análise — Notícias Flix
Michael é o caso mais nítido em anos da divergência entre crítica e público em cinebiografia musical. Rotten Tomatoes em 39%, Metacritic em 39 e CinemaScore A− contam a mesma história: a imprensa especializada acha o filme sanitizado demais, e o público está comparecendo aos cinemas em massa pra ver Jaafar Jackson incorporar o tio. Os dois lados têm razão.
A performance física de Jaafar — sobrinho biológico do Rei do Pop, filho de Jermaine, em sua estreia como ator — é o que segura tudo. O consenso do Rotten Tomatoes resume bem: 'Os movimentos suaves de Jaafar Jackson trazem o Rei do Pop a uma vida estranhamente fiel'. Antoine Fuqua chamou o teste de câmera de experiência 'quase espiritual', e a recriação de Billie Jean no Motown 25 (a do moonwalk) tem virado meme nas redes pela precisão coreográfica.
O que a crítica rejeita não é o ator, é o roteiro. John Logan entrega um filme que termina em 1988 — antes da primeira acusação de abuso, em 1993. A decisão veio depois do director's cut: advogados do espólio identificaram que o acordo Chandler (1994) proíbe dramatização do acusador, e a Lionsgate teve que rodar mais 20 dias em reshoots em junho de 2025, com US$ 50M absorvidos pela família. O resultado é um biopic que omite o capítulo mais polêmico do biografado — e os críticos de Rolling Stone, Washington Post e Variety bateram pesado nisso.
O contexto financeiro fala por si. US$ 430 milhões mundiais. Maior abertura de biopic musical da história — US$ 97M doméstico contra os US$ 60M de Straight Outta Compton (2015). Segundo maior biopic musical de todos os tempos, atrás só de Bohemian Rhapsody (US$ 911M, mesmo produtor Graham King). A sequência, que Fuqua quer dirigir pessoalmente, vai ter que escolher se vai ou não enfrentar o que esse não enfrentou. Por enquanto, vale como espetáculo coreográfico — não como retrato completo.
Pontos fortes
- Performance física de Jaafar Jackson é o ponto alto — recriação de Billie Jean no Motown 25 destacada pela crítica
- Recordes de bilheteria — maior abertura de biopic musical da história (US$ 97M doméstico, US$ 217M global)
- Roteiro de John Logan e direção de Antoine Fuqua entregam coreografia e produção em escala blockbuster
Pontos fracos
- Crítica especializada rejeitou unanimemente: RT 39%, Metacritic 39 — sanitização da biografia foi o calcanhar de Aquiles
- Filme termina em 1988, antes da primeira acusação de abuso — decisão imposta por cláusula do acordo Chandler
- Espólio Jackson controla a Optimum Productions e absorveu US$ 50M dos reshoots — conflito de interesse editorial declarado
Bilheteria
- Orçamento
- US$ 250 mi
- Arrecadação mundial
- US$ 424 mi
- Retorno
- 1,7× o orçamento
Ficha técnica
- Roteiro
- John Logan
- Fotografia
- Dion Beebe
- Trilha sonora
- Lior Rosner
- Edição
- John Ottman
- Duração
- 128 min
Curiosidades sobre Michael
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Jaafar Jackson é sobrinho biológico de Michael
Filho de Jermaine Jackson — irmão mais velho de Michael no Jackson 5 — Jaafar é cantor, e este é seu primeiro papel como ator. Katherine Jackson, mãe de Michael e avó de Jaafar, aprovou publicamente a escalação afirmando que o neto "incorpora" o filho.
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O casting durou cerca de dois anos
Conduzido pela casting director Kimberly Hardin, o processo começou em janeiro de 2023. A confirmação pública de Jaafar como protagonista veio em dezembro de 2023. Antoine Fuqua disse que o teste de câmera de Jaafar "respondeu como se fosse Michael" e levou a sala às lágrimas.
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Antoine Fuqua estreia em biopic musical
Michael é a primeira investida do diretor no gênero — sua filmografia anterior é dominada por thrillers de ação como Training Day, The Equalizer, Olympus Has Fallen e Southpaw.
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Roteiro de John Logan, mesmo de Skyfall e Gladiator
O roteirista John Logan tem currículo robusto em biopics e blockbusters — assinou Skyfall, Spectre, The Aviator, Gladiator e Sweeney Todd antes de Michael.
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Orçamento absorvido após reshoots: ~US$ 200 milhões
O orçamento inicial de cerca de US$ 165 milhões cresceu para perto de US$ 200 milhões após o espólio Jackson absorver US$ 50 milhões em reshoots — tornando-o um dos biopics musicais mais caros já produzidos.
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Recorde absoluto de abertura de biopic musical
A estreia bateu US$ 97 milhões doméstico e US$ 217 milhões global no fim de semana inicial, derrubando o recorde anterior de Straight Outta Compton (US$ 60 milhões em 2015) para maior abertura de biopic musical.
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Segundo maior biopic musical da história
Com US$ 430,3 milhões mundiais, Michael é o 2º biopic musical mais lucrativo de todos os tempos — atrás apenas de Bohemian Rhapsody (US$ 911 milhões, também produzido por Graham King) e à frente de Elvis (US$ 288,6 mi) e Rocketman (US$ 195 mi).
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Acusações de 1993 foram removidas após reshoots
O corte original tratava as acusações de abuso de Jordan Chandler (1993) com sequência da batida policial em Neverland. Após o director's cut, advogados do espólio identificaram cláusula no acordo Chandler proibindo dramatização. Reshoots de 20 dias em junho de 2025 removeram toda a referência — o filme passou a terminar na turnê Bad de 1988.
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Família Jackson é coprodutora via Optimum Productions
A Optimum Productions é a empresa de gestão e licenciamento do espólio de Michael Jackson, controlada pela família. A coprodução com a GK Films de Graham King dá à família participação direta sobre o material exibido.
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Sequência já tem sinal verde
Em abril de 2026 a sequência recebeu greenlight oficial. Antoine Fuqua disse à Deadline que cerca de 30% do material das 3,5h originais não utilizadas pode ser reaproveitado, e que pretende dirigir pessoalmente o segundo filme — que cobrirá os anos 1990 em diante, podendo enfim tratar das acusações.
Datas-chave
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Lançamento mundial
Elenco principal