Sinopse
Nova York, fim dos anos 90. Paul Vitti (Robert De Niro) é o chefe de uma das famílias mafiosas mais poderosas da cidade. No momento em que deveria assumir liderança total da máfia em uma reunião nacional, Paul começa a ter ataques de pânico debilitantes. Não pode contar pra ninguém — sinal de fraqueza pode custar a vida dele.
Por acaso, um capanga seu se envolve em batida com Ben Sobel (Billy Crystal), psiquiatra suburbano que está prestes a se casar com Laura (Lisa Kudrow) em Miami. Paul descobre quem Ben é e decide que esse é o terapeuta secreto que ele precisa. "Você vai me curar em duas semanas". Ben recusa. Paul insiste com a sutileza típica de quem comanda assassinos. A partir daí, Ben tem sua vida invadida por mafiosos em horários impróprios, inclusive no casamento, enquanto FBI tenta usá-lo como informante.
Dirigido por Harold Ramis (Feitiço do Tempo), com roteiro coassinado por Kenneth Lonergan (Manchester à Beira-Mar), Máfia no Divã arrecadou US$ 176 milhões mundiais sobre orçamento de US$ 80 milhões. Estreou em março de 1999, três meses antes de Os Sopranos da HBO.
Análise — Notícias Flix
Máfia no Divã é caso clássico de filme cuja qualidade real só se aprecia plenamente em retrospecto, comparando-o ao que veio depois. Em 1999, no momento da estreia, era apenas mais uma comédia hollywoodiana de premissa sólida com dois protagonistas conhecidos. Robert De Niro estava em fase de carreira em que oscilava entre cinema autoral pesado (Cabo do Medo, Cassino) e comédias mainstream (Conhecendo os Pais, depois). Billy Crystal vinha de City Slickers e Quando Harry Encontrou Sally. Harold Ramis, na direção, era veterano de Feitiço do Tempo (1993). Em retrospecto, virou caso de estudo: três meses depois, em 10 de janeiro de 1999, Os Sopranos estreou na HBO com premissa quase idêntica.
A coincidência cronológica entre Máfia no Divã (estreia 5 de março, mas em produção desde 1997) e Os Sopranos (concebida em 1995) merece exame. Ambos partem da mesma ideia central: mafioso italo-americano em terapia. Billy Wilder havia pensado nesse conceito desde 1939 sem nunca ter filmado. David Chase desenvolveu Os Sopranos a partir de experiência pessoal sua mãe em terapia. Harold Ramis e Kenneth Lonergan trabalharam o roteiro do filme em paralelo. Quando os dois projetos chegaram ao público quase simultaneamente, marcaram o fim da era em que cinema americano podia tratar máfia exclusivamente como tragédia operística (Coppola, Scorsese) — daí em diante, a máfia em tela seria também humana, vulnerável, terapeutizável.
Robert De Niro entrega Paul Vitti em uma das melhores performances cômicas da carreira. O ator, que tinha construído imagem de mafioso intenso em Os Bons Companheiros (1990) e Cassino (1995), aceita autocaricaturar o próprio papel — Vitti é Tommy DeVito de Goodfellas tendo crise de pânico. As cenas em que ele tenta explicar sentimentos para Ben Sobel e termina chorando funcionam porque De Niro entende exatamente onde a piada está. Billy Crystal sustenta o coadjuvante racional com timing nervoso afiado — não é o protagonista, mas é o eixo do filme.
Onde o filme funciona menos é o terceiro ato. Quando Ben precisa entrar fisicamente no mundo da máfia para ajudar Vitti durante a reunião nacional, o roteiro cai em fórmula previsível de comédia de erro de identidade — convenção que envelheceu mais que outros elementos do filme. Lisa Kudrow como noiva é subaproveitada. Chazz Palminteri como vilão Primo Sidone funciona em registro adequado.
Faturou US$ 176 milhões mundiais sobre US$ 80 milhões — sucesso comercial que abriu a sequência Máfia no Divã 2 (Analyze That, 2002), com bilheteria muito menor. Em 2024, no Festival de Tribeca, De Niro e Crystal se reuniram para celebrar 25 anos do filme. Para fãs de De Niro em registro cômico (Conhecendo os Pais, A Família) ou de comédias mafiosas anos 90, é peça obrigatória.
Pontos fortes
- Robert De Niro autocaricaturando o próprio registro mafioso de Goodfellas
- Billy Crystal sustenta o eixo racional com timing nervoso afiado
- Direção de Harold Ramis (Feitiço do Tempo) mantém ritmo de comédia clássica
- Roteiro coassinado por Kenneth Lonergan (futuro vencedor do Oscar por Manchester)
- Marco da virada que humanizou a máfia no cinema americano dos anos 2000
Pontos fracos
- Terceiro ato cai em fórmula previsível de comédia de erro de identidade
- Lisa Kudrow como noiva é subaproveitada no roteiro
- Sequência Máfia no Divã 2 (2002) saiu fraca e fechou a franquia
- Comparação inevitável com Os Sopranos (HBO, 1999) deixa o filme menor
- Algumas piadas culturais sobre terapia envelheceram visivelmente em 25 anos
Bilheteria
- Orçamento
- US$ 80 mi
- Arrecadação mundial
- US$ 177 mi
- Retorno
- 2,2× o orçamento
Ficha técnica
- Roteiro
- Harold Ramis
- Fotografia
- Stuart Dryburgh
- Trilha sonora
- Howard Shore
- Edição
- Craig Herring
- Duração
- 103 min
Curiosidades sobre Máfia no Divã
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Estreou três meses antes de Os Sopranos
Máfia no Divã chegou aos cinemas em 5 de março de 1999, e Os Sopranos estreou na HBO em 10 de janeiro de 1999 — três meses antes. Os dois projetos foram desenvolvidos em paralelo, sem conhecimento mútuo, ambos partindo da mesma ideia: mafioso italo-americano em terapia. Billy Wilder havia pensado nessa premissa em 1939 sem nunca ter filmado.
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Direção de Harold Ramis, de Feitiço do Tempo
Harold Ramis dirigiu o filme — diretor americano conhecido por Os Caça-Fantasmas (1984, ator e roteirista), Clube dos Cafajestes (1980), Feitiço do Tempo (1993, dirigiu Bill Murray) e Sex e Coca (1980). Faleceu em 2014. Máfia no Divã é considerado um de seus maiores sucessos comerciais como diretor.
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Roteiro coassinado por Kenneth Lonergan
O roteiro foi escrito por Harold Ramis, Peter Tolan e Kenneth Lonergan — este último viria a vencer o Oscar de melhor roteiro original por Manchester à Beira-Mar (2016) e a dirigir Você Pode Contar Comigo (2000). Em 1999, Lonergan ainda era roteirista pouco conhecido transitando entre cinema e teatro.
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Recorde de abertura para filme de De Niro
A estreia do filme abriu com US$ 18 milhões em 2.518 cinemas — recorde da maior bilheteria de fim de semana de estreia para um filme de Robert De Niro até então, superando Ronin (1998). O recorde durou até filmes posteriores do ator com perfil mais comercial.
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Reunião de De Niro e Crystal em Tribeca 25 anos depois
Em junho de 2024, no Festival de Tribeca, De Niro e Billy Crystal se reuniram em sessão especial para celebrar os 25 anos do filme. Os dois rememoraram a coincidência cronológica com Os Sopranos e discutiram o impacto do filme na evolução do gênero da máfia no cinema americano.
Datas-chave
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Lançamento mundial
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