Máfia no Divã
Filme

Máfia no Divã

"O gângster mais poderoso de Nova York está prestes a entrar em contato com seus sentimentos."

★ 6.5 1999 1h 43m 14 Comédia · Crime

Nova York, fim dos anos 90. Paul Vitti (Robert De Niro) é o chefe de uma das famílias mafiosas mais poderosas da cidade. No momento em que deveria assumir liderança total da máfia em uma reunião nacional, Paul começa a…

Diretor
Harold Ramis
Elenco
Robert De Niro, Billy Crystal, Lisa Kudrow
Produção
Warner Bros. Pictures, Village Roadshow Pictures
Origem
EUA
Título original
Analyze This

Sinopse

Nova York, fim dos anos 90. Paul Vitti (Robert De Niro) é o chefe de uma das famílias mafiosas mais poderosas da cidade. No momento em que deveria assumir liderança total da máfia em uma reunião nacional, Paul começa a ter ataques de pânico debilitantes. Não pode contar pra ninguém — sinal de fraqueza pode custar a vida dele.

Por acaso, um capanga seu se envolve em batida com Ben Sobel (Billy Crystal), psiquiatra suburbano que está prestes a se casar com Laura (Lisa Kudrow) em Miami. Paul descobre quem Ben é e decide que esse é o terapeuta secreto que ele precisa. "Você vai me curar em duas semanas". Ben recusa. Paul insiste com a sutileza típica de quem comanda assassinos. A partir daí, Ben tem sua vida invadida por mafiosos em horários impróprios, inclusive no casamento, enquanto FBI tenta usá-lo como informante.

Dirigido por Harold Ramis (Feitiço do Tempo), com roteiro coassinado por Kenneth Lonergan (Manchester à Beira-Mar), Máfia no Divã arrecadou US$ 176 milhões mundiais sobre orçamento de US$ 80 milhões. Estreou em março de 1999, três meses antes de Os Sopranos da HBO.

Análise — Notícias Flix

7.4
de 10

Máfia no Divã é caso clássico de filme cuja qualidade real só se aprecia plenamente em retrospecto, comparando-o ao que veio depois. Em 1999, no momento da estreia, era apenas mais uma comédia hollywoodiana de premissa sólida com dois protagonistas conhecidos. Robert De Niro estava em fase de carreira em que oscilava entre cinema autoral pesado (Cabo do Medo, Cassino) e comédias mainstream (Conhecendo os Pais, depois). Billy Crystal vinha de City Slickers e Quando Harry Encontrou Sally. Harold Ramis, na direção, era veterano de Feitiço do Tempo (1993). Em retrospecto, virou caso de estudo: três meses depois, em 10 de janeiro de 1999, Os Sopranos estreou na HBO com premissa quase idêntica.

A coincidência cronológica entre Máfia no Divã (estreia 5 de março, mas em produção desde 1997) e Os Sopranos (concebida em 1995) merece exame. Ambos partem da mesma ideia central: mafioso italo-americano em terapia. Billy Wilder havia pensado nesse conceito desde 1939 sem nunca ter filmado. David Chase desenvolveu Os Sopranos a partir de experiência pessoal sua mãe em terapia. Harold Ramis e Kenneth Lonergan trabalharam o roteiro do filme em paralelo. Quando os dois projetos chegaram ao público quase simultaneamente, marcaram o fim da era em que cinema americano podia tratar máfia exclusivamente como tragédia operística (Coppola, Scorsese) — daí em diante, a máfia em tela seria também humana, vulnerável, terapeutizável.

Robert De Niro entrega Paul Vitti em uma das melhores performances cômicas da carreira. O ator, que tinha construído imagem de mafioso intenso em Os Bons Companheiros (1990) e Cassino (1995), aceita autocaricaturar o próprio papel — Vitti é Tommy DeVito de Goodfellas tendo crise de pânico. As cenas em que ele tenta explicar sentimentos para Ben Sobel e termina chorando funcionam porque De Niro entende exatamente onde a piada está. Billy Crystal sustenta o coadjuvante racional com timing nervoso afiado — não é o protagonista, mas é o eixo do filme.

Onde o filme funciona menos é o terceiro ato. Quando Ben precisa entrar fisicamente no mundo da máfia para ajudar Vitti durante a reunião nacional, o roteiro cai em fórmula previsível de comédia de erro de identidade — convenção que envelheceu mais que outros elementos do filme. Lisa Kudrow como noiva é subaproveitada. Chazz Palminteri como vilão Primo Sidone funciona em registro adequado.

Faturou US$ 176 milhões mundiais sobre US$ 80 milhões — sucesso comercial que abriu a sequência Máfia no Divã 2 (Analyze That, 2002), com bilheteria muito menor. Em 2024, no Festival de Tribeca, De Niro e Crystal se reuniram para celebrar 25 anos do filme. Para fãs de De Niro em registro cômico (Conhecendo os Pais, A Família) ou de comédias mafiosas anos 90, é peça obrigatória.

Pontos fortes

  • Robert De Niro autocaricaturando o próprio registro mafioso de Goodfellas
  • Billy Crystal sustenta o eixo racional com timing nervoso afiado
  • Direção de Harold Ramis (Feitiço do Tempo) mantém ritmo de comédia clássica
  • Roteiro coassinado por Kenneth Lonergan (futuro vencedor do Oscar por Manchester)
  • Marco da virada que humanizou a máfia no cinema americano dos anos 2000

Pontos fracos

  • Terceiro ato cai em fórmula previsível de comédia de erro de identidade
  • Lisa Kudrow como noiva é subaproveitada no roteiro
  • Sequência Máfia no Divã 2 (2002) saiu fraca e fechou a franquia
  • Comparação inevitável com Os Sopranos (HBO, 1999) deixa o filme menor
  • Algumas piadas culturais sobre terapia envelheceram visivelmente em 25 anos
Vale a pena se: Você curte De Niro em registro cômico (Conhecendo os Pais, A Família, Killers of the Flower Moon), gosta de comédias mafiosas anos 90 (Os Bons Companheiros, Casino, Donnie Brasco), e topa um filme que captou a virada do gênero ao mesmo tempo em que Os Sopranos estavam estreando.

Bilheteria

Orçamento
US$ 80 mi
Arrecadação mundial
US$ 177 mi
Retorno
2,2× o orçamento

Ficha técnica

Roteiro
Harold Ramis
Fotografia
Stuart Dryburgh
Trilha sonora
Howard Shore
Edição
Craig Herring
Duração
103 min

Curiosidades sobre Máfia no Divã

Datas-chave

  1. Lançamento mundial

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