Sinopse
Ratatouille é a animação da Pixar de 2007 escrita e dirigida por Brad Bird (Os Incríveis, O Gigante de Ferro), o oitavo longa do estúdio e considerado um dos seus pontos mais altos criativamente. Patton Oswalt dá voz a Remy, um rato com olfato refinado e sonho improvável de virar chef em Paris.
Ele se esconde no chapéu de Linguini (Lou Romano), aprendiz desajeitado da cozinha do restaurante Gusteau's, e os dois formam parceria secreta: Remy puxa os cabelos do rapaz como controle remoto humano, comandando suas mãos para cozinhar pratos sofisticados.
O conflito real chega com Anton Ego (Peter O'Toole), o crítico gastronômico mais temido de Paris, que pode fechar o restaurante com uma única coluna ruim. O roteiro de Bird trabalha em camadas: comédia física de cartoon, romance leve entre Linguini e Colette (Janeane Garofalo) e tese séria sobre criatividade e quem tem direito de tê-la.
Análise — Notícias Flix
Ratatouille é a obra-prima escondida da Pixar — o filme que fica sempre na sombra dos Toy Story e Up no ranking popular, mas que críticos e cinéfilos defendem como o trabalho mais ambicioso do estúdio. Brad Bird assumiu o projeto em 2005, quando a Pixar tirou Jan Pinkava da direção depois de cinco anos de desenvolvimento sem fechar o roteiro. Bird tinha 18 meses pra entregar — prazo curto para qualquer animação digital — e refez quase tudo, inclusive o conceito visual dos personagens humanos. O resultado foi o filme com a animação de comida mais influente da história do cinema digital.
A aposta narrativa é radical pra animação infantil: o protagonista é um rato em uma cozinha, espaço onde sua presença é literalmente catastrófica. Bird não suaviza — Remy é caçado, vive em ratoeiras, e a tese central do filme é que a arte vem dos lugares menos esperados. O monólogo final de Anton Ego, em que o crítico revisa sua relação com a comida da infância e reescreve sua visão de mundo, é considerado um dos melhores discursos sobre criatividade já filmados. Brad Bird, em entrevistas, confirmou que o personagem é um espelho do próprio Anton Ego cinematográfico — os críticos hostis que perseguem qualquer coisa nova.
A atuação vocal é outro ponto altíssimo. Patton Oswalt foi escolhido por Bird depois que o diretor ouviu uma rotina de stand-up dele sobre comida — o ator dá a Remy uma voz urgente, gulosa, sempre prestes a salivar. Peter O'Toole, em um dos seus últimos papéis importantes (faleceu em 2013), entrega Ego com voz de pergaminho antigo, todo angularidade e ironia. Lou Romano (Linguini), Janeane Garofalo (Colette), Brian Dennehy (Django, pai de Remy) e Brad Garrett (Gusteau, o chef morto que aparece como guia mental) completam um elenco vocal sem fraquezas.
A pesquisa por trás é proporcional. O produtor Brad Lewis fez estágio no The French Laundry, restaurante três estrelas Michelin de Thomas Keller no Vale do Napa. Keller criou o prato confit byaldi (o ratatouille moderno do filme) especificamente para a animação — versão chique do prato camponês francês. A equipe de Bird foi a Paris para pesquisa visual, e os pratos servidos no Gusteau's são reproduções precisas de receitas reais. Ratatouille arrecadou US$ 623 milhões mundiais com orçamento de US$ 150 milhões, ganhou o Oscar de Melhor Animação de 2008 e tem 96% no Rotten Tomatoes — uma das maiores notas da Pixar até hoje. Está no Disney+ no Brasil, com dublagem de Philippe Maia (Remy) e Thiago Fragoso (Linguini).
Bilheteria
- Orçamento
- US$ 150 mi
- Arrecadação mundial
- US$ 624 mi
- Retorno
- 4,2× o orçamento
Ficha técnica
- Roteiro
- Brad Bird
- Fotografia
- Robert Anderson
- Trilha sonora
- Michael Giacchino
- Edição
- Darren T. Holmes
- Duração
- 110 min
Curiosidades sobre Ratatouille
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Brad Bird substituiu Jan Pinkava com 18 meses pra entregar
O projeto começou em 2000 com Jan Pinkava (vencedor do Oscar pelo curta Geri's Game). Em 2005, depois de cinco anos sem fechar o roteiro, a Pixar tirou Pinkava e chamou Brad Bird (Os Incríveis), que tinha menos de dois anos pra reescrever, redesenhar e finalizar a produção. Bird manteve a premissa central de Pinkava (rato que cozinha) mas refez praticamente tudo o resto.
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Thomas Keller criou o prato final do filme
O ratatouille servido a Anton Ego no clímax do filme não é o prato camponês tradicional — é o confit byaldi, versão sofisticada criada especificamente para a animação pelo chef Thomas Keller, dono do The French Laundry (três estrelas Michelin) na Califórnia. O produtor Brad Lewis fez estágio no restaurante de Keller para a pesquisa, e a receita ficou famosa em livros de culinária após o filme.
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Patton Oswalt foi escolhido por causa de stand-up sobre comida
Brad Bird ouviu uma rotina de Patton Oswalt em que o comediante descrevia em detalhes uma sopa que tinha comido. O entusiasmo da fala fez Bird ligar para o agente do ator no mesmo dia. Oswalt aceitou o papel sem ler roteiro — Bird mostrou apenas storyboards iniciais.
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O monólogo de Anton Ego é considerado um dos maiores da Pixar
O discurso final do crítico Anton Ego (Peter O'Toole) sobre o que significa criticar e o que a comida representa é estudado em escolas de cinema. Brad Bird escreveu o monólogo pensando nos críticos que rejeitaram seus filmes anteriores — é uma defesa indireta da originalidade contra o conservadorismo da crítica estabelecida.
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Animação de comida virou referência da indústria
A equipe da Pixar consultou chefs franceses e americanos para conseguir a textura, vapor e brilho corretos de cada prato. O sistema de simulação de comida desenvolvido aqui foi reaproveitado em Up, Coco e Soul. Animação de pratos em movimento ainda é considerada uma das mais difíceis da computação gráfica — Ratatouille estabeleceu o padrão atual.
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Peter O'Toole entregou um dos seus últimos papéis grandes
O ator irlandês, indicado oito vezes ao Oscar (Lawrence da Arábia, O Leão no Inverno), tinha 75 anos quando dublou Anton Ego. É um dos seus últimos papéis importantes — O'Toole faleceu em 2013. Brad Bird escreveu o personagem especificamente para a voz do ator e fechou contrato antes mesmo do design final ficar pronto.
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Oscar de Melhor Animação e cinco indicações totais
Ratatouille ganhou o Oscar de Melhor Animação em 2008 e foi indicado a outras quatro categorias: Roteiro Original, Trilha Sonora Original (Michael Giacchino), Edição de Som e Mixagem de Som — combinação rara para uma animação. Perdeu Roteiro Original para Juno (Diablo Cody). É um dos filmes mais premiados da história da Pixar.
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Está no Disney+ com dublagem de Philippe Maia
No Brasil, a versão dublada foi feita pela Delart no Rio de Janeiro. Remy é dublado por Philippe Maia (a voz brasileira de Chris Rock em Todo Mundo Odeia o Chris e Will Smith em vários filmes), e Linguini é Thiago Fragoso (ator da Globo). O filme está disponível no Disney+ no Brasil com versões dubladas e legendadas, inclusive com legendas francesas como bônus.
Datas-chave
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Lançamento mundial
Elenco principal