Fugindo do Amanhã
Filme

Fugindo do Amanhã

"Coisas ruins acontecem em todo lugar"

★ 4.8 2013 1h 30m Comédia · Drama · Fantasia

Jim (Roy Abramsohn) acorda no último dia das férias da família no Walt Disney World, na Flórida, e recebe uma ligação que muda tudo: foi demitido. A esposa Emily (Elena Schuber) e os dois filhos pequenos não sabem. Decidido a…

Diretor
Randy Moore
Elenco
Roy Abramsohn, Elena Schuber, Katelynn Rodriguez
Produção
Mankurt Media, Producers Distribution Agency
Origem
EUA
Título original
Escape from Tomorrow

Sinopse

Jim (Roy Abramsohn) acorda no último dia das férias da família no Walt Disney World, na Flórida, e recebe uma ligação que muda tudo: foi demitido. A esposa Emily (Elena Schuber) e os dois filhos pequenos não sabem. Decidido a manter o clima do passeio, Jim engole a notícia e segue o roteiro do dia — atrações, fila do Magic Kingdom, sanduíche em formato de orelha de Mickey.

À medida que o dia avança, a percepção de Jim começa a se desintegrar. Ele cruza com duas adolescentes francesas que parecem hipnotizá-lo, vê os bonecos de It's a Small World ganharem expressões demoníacas, alucina com bruxas vestidas de princesas. Sua esposa o trata com desprezo silencioso. As crianças choram. O parque, sob a pele festiva, começa a parecer prisão psicológica.

Dirigido por Randy Moore em sua estreia em longa-metragem, Fugindo do Amanhã foi filmado clandestinamente no Walt Disney World e na Disneyland sem autorização da empresa. Estreou em Sundance 2013 e virou caso curioso do cinema independente.

Análise — Notícias Flix

5.5
de 10

Fugindo do Amanhã é um filme cult sustentado mais pela história de produção do que pelo resultado em tela. Randy Moore, em sua estreia em longa, fez algo que parecia tecnicamente impossível: rodou um filme inteiro dentro do Walt Disney World e da Disneyland sem permissão da empresa, sob risco de prisão por violação de propriedade intelectual da maior corporação de entretenimento do planeta. Para conseguir, usou câmeras consumer-grade DSLR (que pareciam câmeras de turistas), microfones LAV escondidos, atores aparentando família comum em férias e um cronograma de filmagem distribuído por dias específicos do calendário Disney.

A escolha do preto e branco serve a duas funções: estética e funcional. Esteticamente, transforma os parques temáticos em paisagem onírica e perturbadora. Funcionalmente, eliminou a necessidade de iluminação adicional — que teria denunciado o filme aos seguranças. Mesmo assim, a primeira parte do filme funciona como exercício técnico: ver Jim e a família circulando entre atrações reais da Disney, com mascotes ao fundo, corredores que reconhecemos das férias da própria infância, é experiência cinematográfica única. Nenhum filme antes ou depois conseguiu o mesmo registro.

O problema é que o roteiro de Moore não está à altura da façanha técnica. A trama de Jim enlouquecendo nos parques poderia ter sido sátira social poderosa sobre consumo, família americana, fábrica de fantasias — mas Moore deriva para horror surrealista que mistura demasiados elementos sem encontrar tom: alucinações com bruxas, conspiração científica, desejo sexual por adolescentes, doenças contagiosas espalhadas pelos brinquedos. Cada elemento isolado funcionaria. Juntos, viram caos narrativo que dilui o impacto dos primeiros 30 minutos.

A Disney, surpreendentemente, não reagiu. Moore esperava processo bilionário e proibição perpétua do filme — chegou a editar o material em Seul para evitar vazamentos. A empresa, porém, optou pelo silêncio: processar daria visibilidade que nenhum esforço de marketing alcançaria. O filme estreou em outubro de 2013 simultaneamente em cinemas e VOD, faturou apenas US$ 171 mil sobre orçamento de US$ 650 mil, e hoje sobrevive como objeto de culto entre fãs de cinema indie e estudiosos de filme independente americano.

Para fãs de cinema-de-guerrilha, é peça obrigatória. Para crítica de Disney como projeto cultural, é tentativa interessante. Para entretenimento puro, é experiência irregular — vale por uns 30 minutos de "como ele conseguiu filmar isso?" antes de cair em deriva narrativa que o próprio Moore não controlou.

Pontos fortes

  • Façanha técnica única de filmar dentro do Walt Disney World sem autorização
  • Preto e branco transforma os parques em paisagem onírica e perturbadora
  • Primeiros 30 minutos funcionam como sátira surreal eficaz
  • Trilha sonora de Abel Korzeniowski sustenta o tom estranho do filme
  • Caso emblemático de cinema independente de guerrilha americano

Pontos fracos

  • Roteiro mistura elementos demais (horror, sátira, conspiração, desejo) sem unidade
  • Performance de Roy Abramsohn é irregular ao longo do filme
  • Última metade perde o controle da metáfora central sobre Disney
  • Mistura de tons surreais com horror não encontra equilíbrio
  • Premissa potente fica subaproveitada após o primeiro ato
Vale a pena se: Você tem interesse em cinema independente americano de guerrilha, gosta de sátiras corporativas no estilo de Sintonia de Amor de Sofia Coppola encontrando A Origem, e topa um filme cuja história de produção é mais fascinante que o resultado final.

Bilheteria

Orçamento
US$ 650 mil
Arrecadação mundial
US$ 172 mil
Retorno
0,3× o orçamento

Ficha técnica

Roteiro
Randy Moore
Fotografia
Lucas Lee Graham
Trilha sonora
Abel Korzeniowski
Edição
Soojin Chung
Duração
90 min

Curiosidades sobre Fugindo do Amanhã

Datas-chave

  1. Lançamento mundial

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