Onde Assistir Assassinato no Expresso do Oriente no Brasil
Sinopse
Estambul, 1934. O detetive belga Hercule Poirot (Kenneth Branagh) acaba de resolver mais um caso e busca dias de descanso a caminho de Londres. Embarca no Expresso do Oriente, trem de luxo que cruza a Europa. O coche está lotado de personagens excêntricos: a americana Caroline Hubbard (Michelle Pfeiffer), o vendedor Edward Ratchett (Johnny Depp), a princesa Dragomiroff (Judi Dench) e outros oito passageiros.
Na primeira noite, o trem atola na neve dos Bálcãs. Na segunda noite, Ratchett é encontrado morto na cabine — apunhalado doze vezes. Sem ninguém poder ter entrado ou saído desde a neve, o assassino é necessariamente um dos passageiros. Poirot aceita o caso. À medida que cada testemunho revela uma pista falsa, ele percebe que o crime tem ligação com tragédia anterior — e que a verdade vai forçá-lo a escolher entre justiça processual e justiça moral.
Dirigido e protagonizado por Kenneth Branagh, com roteiro de Michael Green, adapta o clássico romance de Agatha Christie de 1934. É a quarta adaptação cinematográfica do livro — depois de Sidney Lumet (1974), Carl Schenkel (2001) e da BBC (2010).
Análise — Notícias Flix
Assassinato no Expresso do Oriente é um filme cuja maior virtude e maior limitação se resumem em uma única decisão estética: Kenneth Branagh decidiu que o protagonista absoluto seria o bigode dele. A escolha não é gratuita. Branagh produziu o filme, dirigiu o filme, atua no filme — e ainda comprometeu nove meses de pesquisa em design de bigode pra construir o que viria a ser o ornamento facial mais discutido do cinema da década. Agatha Christie, em 1974, criticou que a versão de Sidney Lumet não tinha entregado "o melhor bigode da Inglaterra" como o livro descreve. Branagh tomou aquela crítica ao pé da letra. Dessa vez, o bigode aparece em fotos publicitárias antes do rosto.
A escolha das câmeras é o segundo gesto autoral. Haris Zambarloukos, diretor de fotografia colaborador de Branagh desde Sleuth (2007), insistiu em filmar em 65mm Kodak — formato analógico de altíssima resolução, o mesmo de Era Uma Vez em Hollywood (Tarantino, 2019), que dá ao filme imagem com profundidade que digital não reproduz. O Expresso do Oriente reconstruído nos Longcross Studios (UK) tem cabines reais, viaduto ferroviário próprio, neve de mentira em proporções industriais. Visualmente, é um dos filmes mais bonitos do gênero detetivesco moderno.
O elenco é onde o filme acerta sem precisar pensar. Michelle Pfeiffer entrega Caroline Hubbard com elegância calibrada — papel que prenuncia o que ela faria depois em Maleficent (2014) e French Exit (2020). Johnny Depp como o vilão Ratchett aparece em registro contido raro na carreira pós-Capitão Jack Sparrow. Judi Dench, Derek Jacobi, Willem Dafoe, Josh Gad e Daisy Ridley em participações curtas mas memoráveis. Penélope Cruz e Olivia Colman completam o coro. Cada ator tem 5-10 minutos de tela, mas todos sabem o que estão fazendo.
Onde o filme tropeça é exatamente onde Sidney Lumet tinha acertado em 1974: a centralidade de Poirot. Branagh, por ser produtor-diretor-protagonista, dá ao detetive tempo de tela demais. As reflexões filosóficas sobre justiça e moral que poderiam ser concentradas em duas cenas viram cinco. O ritmo de mistério clássico — em que cada interrogatório precisa avançar a investigação — frequentemente para para que Poirot olhe pela janela e medite sobre o caso. Para fãs de Christie clássica, é demora desnecessária. Para fãs do cinema autoral de Branagh (Hamlet 1996, Belfast 2021), faz sentido.
Faturou US$ 352 milhões mundiais sobre orçamento de US$ 55 milhões — sucesso comercial robusto que abriu caminho para Morte no Nilo (2022) e Mistério em Veneza (2023), formando trilogia Branagh-Poirot. Para fãs de Agatha Christie e mistério clássico, é programa garantido — apesar das críticas mistas, Metacritic 52, CinemaScore B. Para quem prefere a versão de 1974, segue insubstituível.
Pontos fortes
- Filmado em 65mm Kodak para imagem de altíssima resolução analógica
- Elenco internacional de primeira: Michelle Pfeiffer, Judi Dench, Johnny Depp, Willem Dafoe
- Cenários reais reconstruídos em Longcross Studios — Expresso do Oriente em escala
- Bigode de Branagh com 9 meses de pesquisa cumpre crítica original de Agatha Christie
- Sucesso comercial (US$ 352mi sobre US$ 55mi) abriu trilogia Poirot
Pontos fracos
- Branagh dá a Poirot tempo de tela demais como diretor-produtor-protagonista
- Reflexões filosóficas sobre justiça e moral atrasam o ritmo do mistério clássico
- Versão de Sidney Lumet (1974) ainda é referência superior em síntese narrativa
- Recepção crítica mista: Metacritic 52, CinemaScore B
- Coadjuvantes com pouco tempo de tela individual em elenco coral grande
Bilheteria
- Orçamento
- US$ 55 mi
- Arrecadação mundial
- US$ 353 mi
- Retorno
- 6,4× o orçamento
Ficha técnica
- Roteiro
- Michael Green
- Fotografia
- Χάρης Ζαμπαρλούκος
- Trilha sonora
- Patrick Doyle
- Edição
- Mick Audsley
- Duração
- 114 min
Curiosidades sobre Assassinato no Expresso do Oriente
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Bigode levou 9 meses de pesquisa
A produção dedicou nove meses ao desenvolvimento do bigode icônico de Hercule Poirot. A escolha foi resposta direta a uma crítica famosa da própria Agatha Christie — em 1974, a autora havia dito que a adaptação de Sidney Lumet não havia entregado "o melhor bigode da Inglaterra" como o personagem é descrito nos livros.
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Filmado em 65mm Kodak — formato raro no cinema moderno
O diretor de fotografia Haris Zambarloukos insistiu em filmar em 65mm Kodak (5-perf), formato analógico de altíssima resolução usado em poucos filmes recentes — o mesmo de Era Uma Vez em Hollywood (Tarantino, 2019). É decisão técnica rara em produções comerciais contemporâneas, normalmente filmadas em digital.
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Expresso reconstruído em escala real nos Longcross Studios
A produção construiu uma réplica em escala real do Expresso do Oriente nos Longcross Studios, no Reino Unido, com cabines funcionais, viaduto ferroviário próprio e cenários da estação de Brod e de Istambul. Praticamente nenhuma cena foi feita em CGI — escolha de Branagh por imersão cenográfica.
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Quarta adaptação cinematográfica do livro
O filme é a quarta adaptação visual do romance de Agatha Christie publicado em 1934, depois das versões de Sidney Lumet (1974, com Albert Finney como Poirot e Ingrid Bergman vencedora do Oscar de coadjuvante), de Carl Schenkel (2001, TV) e da BBC (2010, com David Suchet, da série Poirot).
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Sucesso abriu trilogia Branagh-Poirot
A bilheteria de US$ 352 milhões mundiais sobre orçamento de US$ 55 milhões justificou continuações. Branagh voltou a interpretar Poirot em Morte no Nilo (2022) — também adaptação de Christie de 1937 — e Mistério em Veneza (2023), terceiro filme da trilogia que ele protagoniza, dirige e produz.
Datas-chave
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Lançamento mundial
Elenco principal