Sinopse
West Hollywood, fim dos anos 2000. O detetive Chandler Manning (Alfred Molina) é designado para investigar uma série de assassinatos brutais de mulheres. O modus operandi é familiar demais: réplica exata dos crimes de Jack, o Estripador, e idêntico aos de um assassino preso anos antes — caso que o próprio Chandler havia fechado.
Em paralelo, em uma casa colonial sufocante no mesmo bairro, Ellen Bunting (Hope Davis), dona de casa instável, recebe um inquilino misterioso (Simon Baker) no quarto dos fundos. O homem é educado, paga adiantado, evita contato — e suas saídas noturnas começam a coincidir com os crimes que tomam a cidade. Ellen, presa numa rotina opressiva ao lado do marido (Donal Logue), passa a observá-lo com fascínio crescente.
Dirigido por David Ondaatje, O Inquilino adapta o romance de Marie Belloc Lowndes pela quinta vez no cinema — depois das versões de Hitchcock (1927), Maurice Elvey, John Brahm e Hugo Fregonese. A aposta é o suspense psicológico clássico transposto pra Los Angeles, com Alfred Molina ancorando o policial e Hope Davis sustentando a paranoia doméstica.
Análise — Notícias Flix
O Inquilino é um filme com mais ambição do que execução. A premissa — replicar Jack, o Estripador no presente, em paralelo a uma trama doméstica de paranoia — tem fôlego de bom thriller. A quinta adaptação cinematográfica do romance de Marie Belloc Lowndes (depois de Hitchcock em 1927) chega com elenco de respeito: Alfred Molina, Hope Davis e Simon Baker no auge do reconhecimento por The Mentalist. No papel, é fórmula que costuma funcionar.
Na tela, a equação trava. David Ondaatje, em um de seus pouquíssimos longas como diretor, tem dificuldade de encontrar ritmo. As duas tramas paralelas — o detetive caçando o serial killer e a dona de casa observando o inquilino — deveriam crescer em tensão até se encontrarem; o que acontece é o oposto, com cenas que se prolongam sem necessidade e diálogos expositivos que entregam o jogo cedo demais. A homenagem visual a Hitchcock é evidente em alguns enquadramentos, mas vira citação descontextualizada em vez de recurso narrativo.
Hope Davis salva o que pode. Ela constrói Ellen Bunting como mulher à beira do colapso com sutileza, e cada cena dela tem temperatura emocional que o resto do filme não acompanha. Alfred Molina entrega seu padrão — sólido, sempre — em personagem que mereceria roteiro mais afiado. Simon Baker, em fase de protagonismo televisivo, parece cobrar a posição: o inquilino misterioso é mais postura do que personagem, e a reviravolta final, quando chega, depende de buracos lógicos que o filme não tem energia pra disfarçar.
Para fãs de thriller policial dos anos 2000 nostálgicos, ainda há o que apreciar: produção competente, elenco veterano, atmosfera californiana e câmera escura à moda da década. Mas é cinema de meio termo — não tem coragem do horror, não tem sofisticação do procedural, não tem peso do drama doméstico que sugere ter. Termina como exercício de estilo sem alma própria, devendo demais às adaptações que o precederam.
Pontos fortes
- Hope Davis sustenta sozinha a tensão emocional do filme
- Alfred Molina entrega solidez em personagem mediano
- Premissa de Jack, o Estripador transposta pra Los Angeles tem ideia
- Atmosfera de thriller clássico anos 2000 com fotografia escura
- Adaptação do romance de Marie Belloc Lowndes mantém o gancho central
Pontos fracos
- David Ondaatje não encontra ritmo entre as duas tramas paralelas
- Reviravolta final depende de buracos lógicos no roteiro
- Diálogos expositivos entregam pistas cedo demais
- Homenagens a Hitchcock viram citações soltas
- Simon Baker sustenta postura, não personagem
Ficha técnica
- Fotografia
- David A. Armstrong
- Trilha sonora
- John Frizzell
- Edição
- William Flicker
- Duração
- 95 min
Curiosidades sobre O Inquilino
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Quinta adaptação do mesmo romance
O filme adapta The Lodger (1913) de Marie Belloc Lowndes, romance já filmado por Alfred Hitchcock em 1927, Maurice Elvey em 1932, John Brahm em 1944 e Hugo Fregonese em Man in the Attic (1953).
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Único longa relevante de David Ondaatje
O Inquilino é o único trabalho de David Ondaatje a ganhar lançamento comercial significativo. Ele é primo do escritor e cineasta canadense Michael Ondaatje, autor de O Paciente Inglês.
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Simon Baker no auge de The Mentalist
O filme foi rodado pouco antes da estreia de The Mentalist (2008), série da CBS que fez de Simon Baker um astro de TV. O lançamento aproveitou esse pico de popularidade do ator.
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Estreou em Sundance antes de DVD
O filme teve première no Festival de Sundance em janeiro de 2009 e, sem distribuição teatral ampla nos EUA, acabou indo direto pro mercado de home video em vários países, incluindo o Brasil.
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Trilha de John Frizzell, veterano do gênero
A trilha sonora é de John Frizzell, compositor com filmografia em horror e thriller (Lenda Urbana, Ghost Ship, Conta Comigo), em uma de suas produções menos conhecidas.
Datas-chave
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Lançamento mundial
Elenco principal