Onde Assistir Ainda Estou Aqui no Brasil
Sinopse
Ainda Estou Aqui é o drama brasileiro de 2024 dirigido por Walter Salles, com roteiro de Murilo Hauser e Heitor Lorega baseado no livro homônimo de memórias de Marcelo Rubens Paiva publicado em 2015. O filme reconstrói a saga de Eunice Paiva (Fernanda Torres), mãe de cinco filhos casada com o ex-deputado Rubens Paiva (Selton Mello), levado de casa por agentes da ditadura militar em janeiro de 1971 e nunca mais visto. Fernanda Montenegro vive Eunice em idade avançada, fechando o ciclo da personagem ao lado de Valentina Herszage e jovem elenco. Estreou no Festival de Veneza em 1º de setembro de 2024 e nos cinemas brasileiros em 7 de novembro do mesmo ano via Sony Pictures, virando o primeiro filme brasileiro a vencer o Oscar de Filme Internacional.
Análise — Notícias Flix
Ainda Estou Aqui é o filme que devolve o cinema brasileiro ao centro do mundo. Walter Salles, em primeiro longa após On the Road de 2012, recupera a sensibilidade de Central do Brasil e Diários de Motocicleta para narrar a história real dos Paiva sem sentimentalismo barato. A direção de fotografia de Adrian Teijido em película 35mm e Super 8 mm evoca a textura do Rio de Janeiro dos anos 1970 e funciona como portal temporal — o filme parece, em vários momentos, não estar reconstruindo aquela época, e sim filmando dentro dela.
Fernanda Torres entrega a interpretação da carreira como Eunice Paiva. A atriz constrói uma mulher que se recusa a chorar em público, e é exatamente essa contenção que arrasa o espectador. O Globo de Ouro de Melhor Atriz em Drama — primeiro de uma atriz brasileira na história — não foi favor, foi reconhecimento. Selton Mello como Rubens Paiva aparece em ato único e marcante, e Fernanda Montenegro fecha a personagem em cena final que dialoga com Central do Brasil de forma natural, sem o peso autorreferencial.
O roteiro de Hauser e Lorega evita a armadilha do filme-tese sobre ditadura. A primeira metade pinta a casa dos Paiva como pequeno paraíso à beira-mar, com filhos correndo, vinis tocando e mar entrando pela janela. Quando os agentes batem à porta, a normalidade desaba sem aviso, e o filme passa a acompanhar a engenharia silenciosa de uma viúva que não tem direito ao luto. Ganhou o prêmio de Melhor Roteiro em Veneza com mais de dez minutos de aplauso de pé.
A repercussão foi histórica. Primeiro filme brasileiro a vencer o Oscar de Melhor Filme Internacional em 2025, primeira indicação brasileira a Melhor Filme, US$ 36,4 milhões mundiais contra orçamento de US$ 9 milhões e maior bilheteria do cinema brasileiro pós-pandemia. 97% no Rotten Tomatoes. Tentativa de boicote da extrema direita fracassou diante de salas lotadas no país.
Pontos fortes
- Fernanda Torres entrega interpretação histórica que rendeu o primeiro Globo de Ouro a uma brasileira
- Direção sensível de Walter Salles em película 35mm e Super 8 transporta para o Rio dos anos 1970
- Roteiro evita filme-tese e constrói perda familiar a partir da rotina dos Paiva à beira-mar
Pontos fracos
- Ritmo contemplativo da primeira hora pode afastar quem espera narrativa de denúncia direta
- Filme exige conhecimento mínimo do contexto da ditadura militar brasileira nos anos 1970
- Cena final com Fernanda Montenegro arrasta a duração e divide opiniões da crítica internacional
Bilheteria
- Orçamento
- US$ 8 mi
- Arrecadação mundial
- US$ 36 mi
- Retorno
- 4,5× o orçamento
Ficha técnica
- Roteiro
- Murilo Hauser
- Fotografia
- Adrian Teijido
- Trilha sonora
- Warren Ellis
- Edição
- Affonso Gonçalves
- Duração
- 135 min
Curiosidades sobre Ainda Estou Aqui
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Primeiro Oscar brasileiro de Internacional
Ainda Estou Aqui virou o primeiro filme produzido no Brasil a vencer o Oscar de Melhor Filme Internacional, na cerimônia de março de 2025. O Brasil havia indicado mais de 50 filmes à categoria desde a década de 1960 sem nunca levar a estatueta.
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Indicação histórica a Melhor Filme
Foi também o primeiro filme brasileiro indicado ao Oscar de Melhor Filme na história da Academia. Disputou a categoria com Anora, Conclave, A Verdadeira Dor, O Brutalista e outros, em uma das edições mais competitivas da década.
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Globo de Ouro de Fernanda Torres
Fernanda Torres venceu o Globo de Ouro de Melhor Atriz em Drama em janeiro de 2025, primeira atriz brasileira a levar a estatueta em categoria de atuação. A vitória foi celebrada como continuidade da indicação histórica da mãe Fernanda Montenegro em 1999.
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Padrão-ouro em Veneza
Estreou no 81º Festival de Veneza em 1º de setembro de 2024 e recebeu mais de 10 minutos de aplauso de pé do público presente. Levou o prêmio de Melhor Roteiro do festival, dedicado a Murilo Hauser e Heitor Lorega.
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Maior bilheteria brasileira pós-pandemia
Acumulou US$ 36,4 milhões mundiais contra orçamento de apenas US$ 9 milhões. Tornou-se o filme brasileiro de maior bilheteria desde a pandemia de Covid-19, com salas lotadas no Rio de Janeiro, São Paulo e capitais nordestinas.
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Baseado em livro de Marcelo Paiva
O roteiro adapta o livro de memórias homônimo de Marcelo Rubens Paiva publicado em 2015. O autor é filho de Eunice e Rubens Paiva e narra em primeira pessoa o desaparecimento do pai pela ditadura militar em janeiro de 1971.
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Película 35mm e Super 8
O cineasta de fotografia Adrian Teijido rodou em película 35mm tradicional, com cenas selecionadas em Super 8mm para imitar registros caseiros familiares. Decisão técnica reforça a ambientação dos anos 1970 e diferencia o filme de produções digitais contemporâneas.
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Fernanda Montenegro em cena final
A lendária Fernanda Montenegro, mãe de Fernanda Torres na vida real, aparece em cena final como Eunice Paiva idosa. A escalação dialoga com Central do Brasil de Walter Salles em 1998, filme que rendeu indicação ao Oscar de Atriz à própria Montenegro.
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Filmagens em Rio e São Paulo
A produção principal foi rodada em duas etapas: maio e junho de 2023 no Rio de Janeiro, depois novembro e dezembro do mesmo ano em São Paulo. Foram 16 semanas de filmagem ao todo, com locações que reconstroem a Praia do Leblon dos anos 1970.
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Boicote frustrado da extrema direita
O filme enfrentou tentativa de boicote da extrema direita brasileira após estreia em 7 de novembro de 2024. A campanha contra falhou — salas em todo o Brasil mantiveram lotação esgotada por semanas, com público engajado nas redes sociais defendendo a obra.
Datas-chave
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Lançamento mundial
Elenco principal