Onde Assistir Saneamento Básico, O Filme no Brasil
Sinopse
Saneamento Básico, O Filme é o filme brasileiro de comédia de 2007 escrito e dirigido por Jorge Furtado (Houve Uma Vez Dois Verões, O Homem que Copiava). Foi distribuído pela Casa de Cinema de Porto Alegre em 5 de outubro de 2007 e é um dos filmes brasileiros mais elogiados criticamente do final dos anos 2000. Sua premissa é absurdamente original — comunidade rural do interior gaúcho descobre que pode receber verba pública para fazer um filme, mas não para construir saneamento básico, e decide fazer o filme para ganhar dinheiro suficiente para construir a fossa que realmente precisa.
A história se passa na vila fictícia de Linha Cristal, comunidade rural italiana descendente no interior do Rio Grande do Sul. Marina (Fernanda Torres, vencedora do Globo de Ouro 2025 por Ainda Estou Aqui), professora local, descobre que a prefeitura tem verba para projetos culturais — incluindo cinema — mas não para infraestrutura. Junto com o marido Joaquim (Wagner Moura, Tropa de Elite, Narcos), ela mobiliza a comunidade para realizar um filme amador local em troca dos recursos. O projeto: um filme de monstro, que se chamará O Monstro. Mas a produção atrai problemas inesperados — desavenças entre vizinhos, ambições pessoais conflitantes e crise existencial sobre o que é fazer cinema.
O elenco coadjuvante é histórico do cinema brasileiro: Lázaro Ramos (O Pagador de Promessas) como Fabrício; Camila Pitanga (Linha Cruzada) como Silene; Bruno Garcia (A Grande Família) como Antônio; Tonico Pereira (Tropa de Elite) como o prefeito Aroldo; Janaína Kremer como a roteirista; e Paulo José (lendário ator brasileiro). A cinematografia ficou a cargo de Alex Sernambi. A trilha sonora é de Leo Henkin com referências à música caipira gaúcha.
Análise — Notícias Flix
Saneamento Básico, O Filme é uma das melhores comédias do cinema brasileiro dos anos 2000 — sátira sofisticada sobre cultura, política, e a relação entre arte e infraestrutura. Jorge Furtado, em seu sexto longa-metragem após Houve Uma Vez Dois Verões (2002) e O Homem que Copiava (2003), continua sua especialidade: comédia com camadas múltiplas que combina humor popular com inteligência crítica.
A aposta narrativa central é a metalinguagem. O filme é sobre fazer um filme — comunidade que descobre que pode receber verba pública para projeto cultural mas não para infraestrutura básica decide ironicamente fazer o filme para ganhar dinheiro para construir a fossa. A premissa é uma metáfora elegante da relação entre arte e necessidade material no Brasil — sociedade que prioriza cultura sobre saneamento, fenômeno real do governo federal brasileiro dos anos 2000 com Lei Rouanet e similares.
Fernanda Torres como Marina entrega performance característica. A atriz brasileira (filha de Fernanda Montenegro), em fase pré-Ainda Estou Aqui (Walter Salles, 2024, vencedora do Globo de Ouro 2025 por Melhor Atriz Drama), demonstra alcance cômico que poucos atores brasileiros conseguem. Marina é construída como professora frustrada, mãe carinhosa, mediadora comunitária — equilíbrio difícil que Fernanda Torres entrega com naturalidade.
Wagner Moura como Joaquim foi um dos primeiros papéis em filme nacional após o estouro com Tropa de Elite (José Padilha, 2007, mesmo ano). Moura tinha 31 anos durante as filmagens. Sua química com Fernanda Torres é uma das melhores casais de cinema brasileiro do final dos anos 2000. Lázaro Ramos como Fabrício, ambicioso aspirante a cineasta amador, é o destaque coadjuvante — combinando excentricidade com vulnerabilidade emocional.
A recepção foi excepcional. Mais de 220 mil espectadores nas salas brasileiras (modesto para padrão brasileiro mas considerável para filme indie de Jorge Furtado). Venceu o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro 2008 em duas categorias — Melhor Filme e Melhor Direção. Foi exibido em festivais internacionais — Toronto Film Festival, San Sebastián, Mar del Plata. Foi indicado ao Goya espanhol de Melhor Filme Latino-Americano. No Brasil, é considerado clássico imediato — frequentemente exibido em sessões da Cinemark e na Globoplay. Disponível em Globoplay e Prime Video (incluído).
Bilheteria
- Arrecadação mundial
- US$ 773
Ficha técnica
- Roteiro
- Jorge Furtado
- Fotografia
- Jacob Solitrenick
- Edição
- Giba Assis Brasil
- Duração
- 112 min
Curiosidades sobre Saneamento Básico, O Filme
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Premissa metalinguística absurda
A premissa do filme é absurdamente original — comunidade rural gaúcha descobre que pode receber verba pública apenas para projetos culturais (cinema), não para infraestrutura básica (saneamento). Decidem ironicamente fazer um filme para ganhar dinheiro para construir a fossa que realmente precisam. A metáfora é crítica direta da Lei Rouanet brasileira — política federal de incentivo à cultura que recebeu críticas por priorizar arte em detrimento de necessidades básicas.
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Fernanda Torres pré-Ainda Estou Aqui
Fernanda Torres tinha 42 anos durante as filmagens — em fase pré-Ainda Estou Aqui (Walter Salles, 2024, vencedora do Globo de Ouro 2025 por Melhor Atriz Drama). Torres é filha de Fernanda Montenegro (Central do Brasil) e neta da atriz Diná Penna. A escolha dela para protagonista de Saneamento Básico foi consciente de Jorge Furtado — ele queria atriz com alcance cômico e dramático em equilíbrio. Em maio 2026, Torres tem 60 anos.
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Wagner Moura logo após Tropa de Elite
Wagner Moura interpretou Joaquim em 2007 — mesmo ano em que estrelou Tropa de Elite (José Padilha) que arrecadou R$ 6,5 milhões em pirataria viral. Saneamento Básico foi um dos primeiros papéis em filme nacional após Tropa de Elite. Moura tinha 31 anos durante as filmagens. Em 2007, ele estava em fase de estouro absoluto da carreira — Tropa de Elite venceu Urso de Ouro em Berlim 2008. Moura depois trabalharia em produções internacionais — Elysium (2013), Narcos (Netflix, 2015-2017).
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Filmado em Linha Cristal, RS
O filme foi filmado em locação real na vila de Linha Cristal, comunidade italiana-descendente no interior do Rio Grande do Sul, próximo a Caxias do Sul. Jorge Furtado escolheu o local especificamente por sua autenticidade — moradores locais foram usados como figurantes e participaram em várias cenas como eles mesmos. A produção alugou casas locais como locações; equipe pequena de 25 pessoas filmou por 5 semanas no inverno gaúcho. Resultado é autenticidade rural raramente vista no cinema brasileiro.
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Venceu Grande Prêmio Cinema Brasileiro 2008
Saneamento Básico venceu o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro 2008 em duas categorias — Melhor Filme e Melhor Direção (Jorge Furtado). Foi superada apenas por O Cheiro do Ralo (Heitor Dhalia) nas categorias Atriz e Direção de Arte. Foi também indicado a Goya espanhol de Melhor Filme Latino-Americano 2009 (perdeu para Estômago de Marcos Jorge). Em Toronto Film Festival 2007, recebeu menção honrosa no Discovery Programme.
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Jorge Furtado especialista em comédia inteligente
Jorge Furtado é diretor especializado em comédia inteligente brasileira. Antes de Saneamento Básico, dirigiu Houve Uma Vez Dois Verões (2002) e O Homem que Copiava (2003) — ambos elogiados criticamente. Furtado também é roteirista de TV (Comédia Brasileira) e dramaturgo. Em maio 2026, ele tem 64 anos e está em pós-produção de novo longa-metragem. É considerado um dos diretores brasileiros mais consistentes do cinema contemporâneo, junto com Fernando Meirelles e Walter Salles.
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Lázaro Ramos como Fabrício — destaque coadjuvante
Lázaro Ramos, ator afro-brasileiro de Salvador, interpreta Fabrício — aspirante a cineasta amador. Ramos tinha 28 anos durante as filmagens. Foi um dos primeiros papéis cinematográficos significativos da carreira dele. Ramos depois trabalharia em produções importantes — Madame Satã (2002), Carandiru (2003), O Cheiro do Ralo (2007), Insensato Coração (Globo, 2011). Em maio 2026, Ramos tem 47 anos e é uma das vozes mais importantes do cinema brasileiro contemporâneo.
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Disponível no Globoplay Brasil
No Brasil, Saneamento Básico, O Filme está disponível no Globoplay (incluído na assinatura) — biblioteca permanente Globo Filmes. Prime Video também tem incluído. Apple TV e Google Play têm para aluguel/compra. Exibições regulares na Sessão Brasileira da Globo e Canal Brasil. Em 2025, voltou ao circuito teatral em sessão retrospectiva de Fernanda Torres pós-Globo de Ouro 2025. Não há dublagem brasileira — o filme é nacional.
Datas-chave
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Lançamento mundial
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