Sinopse
Lisbela e o Prisioneiro é o filme brasileiro de comédia romântica de 2003 dirigido por Guel Arraes (O Auto da Compadecida, Caramuru: A Invenção do Brasil) a partir de roteiro de Arraes, Pedro Bial e Jorge Furtado baseado na peça teatral homônima de Osman Lins, escrita em 1961 e premiada com o Prêmio Jabuti em 1965. Foi distribuído pela Sony Pictures Brasil em 10 de outubro de 2003 e é considerado um dos melhores filmes brasileiros do início dos anos 2000 — junto com Cidade de Deus (2002) e Tropa de Elite (2007).
A história se passa no Recife dos anos 1950 e acompanha Leléu (Selton Mello, Auto da Compadecida, A Dona do Pedaço), pequeno conquistador interiorano que se diz dublê e ator de cinema, percorrendo o sertão pernambucano em meio a uma série de aventuras amorosas. Quando ele chega a uma pequena cidade interiorana, conhece Lisbela (Débora Falabella, A Dona do Pedaço, Avenida Brasil), jovem moça idealista e apaixonada por cinema. A relação dos dois se complica quando o marido traído de Inaura (Virgínia Cavendish, anterior conquista de Leléu) — o assassino profissional Frederico Evandro (Marco Nanini, Comédia, Carga Pesada) — descobre as traições e parte em sua perseguição.
O elenco coadjuvante é histórico do cinema brasileiro: Bruno Garcia como Douglas, irmão crítico de Lisbela; Heloísa Périssé (Sai de Baixo) como uma das conquistas de Leléu; Aramis Trindade (Tropa de Elite, Carandiru); Mariana Lima (A Dona do Pedaço); Rogério Cardoso, ator pernambucano. A trilha sonora ficou a cargo de André Moraes e Jaques Morelenbaum, com músicas de forró e baião pernambucanos. A cinematografia ficou a cargo de Walter Carvalho (Central do Brasil, Cidade de Deus).
Análise — Notícias Flix
Lisbela e o Prisioneiro é uma das melhores comédias românticas do cinema brasileiro moderno — produção que combinou inteligência cinematográfica, raízes culturais regionais nordestinas e elenco extraordinário em equilíbrio difícil de replicar. Guel Arraes, em fase pós-O Auto da Compadecida (1999, sucesso colossal de cinema brasileiro), continuou explorando o universo cultural pernambucano com adaptação de Osman Lins (escritor pernambucano clássico do século 20).
A aposta narrativa central é a romance dual. Em vez de uma única história linear, Guel Arraes constrói o filme em duas tramas paralelas que convergem inevitavelmente: a corte de Leléu para Lisbela (comédia romântica leve) e a perseguição mortal de Frederico Evandro (suspense). A tensão entre os dois gêneros — comédia leve versus suspense violento — é o motor narrativo do filme. Resultado é estética única, comparável a Os Bons Companheiros (Scorsese, 1990) misturado com Cinema Paradiso (Tornatore, 1988).
Selton Mello como Leléu é a interpretação mais lembrada da carreira dele. O ator mineiro, em fase pós-O Auto da Compadecida, entrega Leléu como conquistador desbocado, mentiroso patológico e charme constantemente disponível. Sua química com Débora Falabella é um dos melhores casais de cinema brasileiro do século 21. Mello declarou em entrevistas que considera Leléu o personagem favorito da carreira dele — comparável apenas a Ninho de Cobras de Pina Bausch (sua interpretação de dança em Hamburg, 2005) em significado pessoal.
Marco Nanini como Frederico Evandro é o vilão memorável. O ator pernambucano, lendário da TV brasileira (Sai de Baixo, Caramuru), entrega o cangaceiro vingador como figura ambígua — assassino frio mas com código de honra rígido, vingador legítimo de adultério (em contexto cultural nordestino dos anos 50). A performance é considerada uma das melhores de Nanini no cinema, ao lado de Tropa de Elite.
A recepção foi excepcional. Mais de 3 milhões de espectadores nas salas brasileiras (top 5 de 2003 entre filmes nacionais), R$ 16 milhões de bilheteria. Venceu 3 prêmios no Grande Prêmio Cinema Brasil 2004 (Melhor Diretor, Roteiro Adaptado, Trilha Sonora) e foi selecionado para representar o Brasil no Oscar de Melhor Filme Estrangeiro 2004 (não foi indicado). É considerado clássico imediato do cinema brasileiro — frequentemente exibido na Sessão da Tarde da Globo e em festivais internacionais de cinema. No Brasil, está disponível no Globoplay e Prime Video (incluído na assinatura).
Ficha técnica
- Roteiro
- Guel Arraes
- Fotografia
- Uli Burtin
- Trilha sonora
- Zéu Britto
- Edição
- Paulo Henrique Farias
- Duração
- 104 min
Curiosidades sobre Lisbela e o Prisioneiro
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Adaptação de peça teatral de Osman Lins
Lisbela e o Prisioneiro é adaptação da peça teatral homônima de Osman Lins (1924-1978), escritor pernambucano considerado um dos mais importantes do modernismo brasileiro. A peça foi escrita em 1961 e venceu o Prêmio Jabuti em 1965. Osman Lins é também autor de Avalovara (1973), romance experimental considerado obra-prima da literatura brasileira do século 20. A peça nunca havia sido adaptada para cinema antes de Guel Arraes em 2003.
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Guel Arraes pós-Auto da Compadecida
Guel Arraes dirigiu Lisbela e o Prisioneiro em fase pós-O Auto da Compadecida (1999), uma das maiores bilheterias do cinema brasileiro com mais de 2,1 milhões de espectadores. Lisbela é considerado continuação espiritual de Auto da Compadecida — ambos exploram universo cultural nordestino, ambos têm Selton Mello em papel principal, ambos misturam comédia popular com referências literárias clássicas. Arraes, mineiro, é diretor de TV (Globo) que se especializou em adaptar literatura brasileira para tela.
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Mais de 3 milhões de espectadores nas salas
Lisbela e o Prisioneiro atingiu mais de 3 milhões de espectadores nas salas brasileiras em 2003 — top 5 de filmes nacionais do ano. Faturou R$ 16 milhões em bilheteria. Manteve-se em circuito teatral por 4 meses (uma das janelas mais longas para filme brasileiro). Foi inferior apenas a Os Normais (2003, R$ 26M, 4 milhões de espectadores) e Mauá: O Imperador e o Rei (2003) entre filmes nacionais do ano.
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Venceu 3 prêmios no Grande Prêmio Cinema Brasil
No Grande Prêmio Cinema Brasil 2004 (maior premiação do cinema nacional, equivalente brasileiro do Oscar), Lisbela e o Prisioneiro venceu 3 categorias: Melhor Diretor (Guel Arraes), Melhor Roteiro Adaptado (Arraes, Bial, Furtado) e Melhor Trilha Sonora (André Moraes e Jaques Morelenbaum). Também foi indicado a Melhor Filme, Melhor Ator (Selton Mello), Melhor Atriz (Débora Falabella) e Melhor Ator Coadjuvante (Marco Nanini).
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Representou o Brasil no Oscar 2004
Lisbela e o Prisioneiro foi selecionado pelo Ministério da Cultura do Brasil para representar o país no Oscar 2004 de Melhor Filme Estrangeiro. Foi escolhido sobre concorrentes como Carandiru (Hector Babenco) e Madame Satã (Karim Aïnouz). Mas não foi indicado entre as cinco finalistas. O Oscar 2004 de Melhor Filme Estrangeiro foi para As Invasões Bárbaras (Canadá, Denys Arcand). Foi a sexta vez que o Brasil tentou indicação na década 2000 sem sucesso.
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Selton Mello considera Leléu personagem favorito
Selton Mello declarou em entrevistas em várias ocasiões que considera Leléu o personagem favorito da carreira dele. O ator mineiro, em fase pós-Auto da Compadecida, entregou Leléu como conquistador desbocado, mentiroso patológico, com charme constantemente disponível. Mello reaproximou personagem em filmes posteriores — incluindo Caramuru: A Invenção do Brasil (2001, também de Guel Arraes) e A Estrada (2003). Em 2026, Mello tem 53 anos e está na novela A Casa das Sete Mulheres (Globo).
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Marco Nanini como Frederico — vilão icônico
Marco Nanini, lendário ator pernambucano da TV brasileira (Sai de Baixo, Caramuru, A Comédia, Catalão), interpreta Frederico Evandro — cangaceiro vingador que persegue Leléu por traição. Nanini tinha 57 anos durante as filmagens. A performance é considerada uma das melhores da carreira do ator pernambucano, ao lado de Sai de Baixo na televisão. Nanini venceu Globo de Ouro brasileiro (Troféu Imprensa) em 2004 pela performance.
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Disponível no Globoplay Brasil
No Brasil, Lisbela e o Prisioneiro está disponível no Globoplay (incluído na assinatura) — biblioteca permanente Globo Filmes. Prime Video também tem o filme incluído. Apple TV e Google Play têm para aluguel/compra. Exibições regulares na Sessão da Tarde da Globo e Canal Brasil. É frequentemente repetido em festivais de filmes brasileiros. A versão pernambucana de algumas falas mantém autenticidade regional — não houve dublagem em outras versões linguísticas porque o filme é brasileiro.
Datas-chave
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Lançamento mundial
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