Onde Assistir A Substância no Brasil
Sinopse
A Substância é o body horror feminista de 2024 escrito e dirigido pela francesa Coralie Fargeat para a MUBI. Demi Moore vive Elisabeth Sparkle, estrela aeróbica televisiva descartada aos 50 anos que recorre a uma droga clandestina capaz de criar versão mais jovem de si mesma, vivida por Margaret Qualley como Sue. Dennis Quaid encarna o produtor misógino Harvey. Vencedor de Melhor Roteiro Original em Cannes 2024 com 13 minutos de aplausos, indicado a 5 Oscars 2025 e vencedor de Melhor Maquiagem. Trilha eletrônica de Raffertie. Bilheteria global de US$ 77,3 milhões, maior da MUBI.
Análise — Notícias Flix
A Substância chegou ao Festival de Cannes em 19 de maio de 2024 e saiu com 13 minutos de aplausos de pé, a maior ovação daquela edição do festival. Coralie Fargeat, em apenas seu segundo longa após Revenge de 2017, levou para casa o prêmio de Melhor Roteiro Original. Demi Moore chorou na sala. O filme depois rodaria o circuito de festivais e prêmios virando o fenômeno definitivo de 2024.
A atriz, aos 61 anos, foi tratada pela crítica como protagonista do role of a lifetime depois de décadas longe dos holofotes premiados. A MUBI distribuiu o filme com orçamento de US$ 17,5 milhões e colheu US$ 77,3 milhões mundialmente, maior bilheteria da história da plataforma britânica. Esses números elevaram o título ao estatuto de caso referencial na indústria.
A premissa é brutal em sua simplicidade. Elisabeth Sparkle, estrela aeróbica televisiva descartada pelo produtor misógino Harvey, vivido por Dennis Quaid, descobre uma droga clandestina chamada A Substância que cria versão mais jovem de si mesma. Margaret Qualley encarna Sue, o duplo nascido das costas de Elisabeth em cena de parto grotesca.
As duas precisam alternar consciências a cada sete dias, sob pena de o corpo original colapsar. Sue rapidamente vira nova estrela da TV, e Elisabeth descobre que a juventude tem preço. O elenco se completa com Hugo Diego Garcia, Edward Hamilton-Clark, Joseph Balderrama e Phillip Schurer como Sr Scream. A premissa cita explicitamente Dr Jekyll e Mr Hyde, mas a execução vai além.
A produção montou um catálogo de citações cinematográficas. A Mosca de David Cronenberg de 1986 é a inspiração central, com uma mosca chegando a pousar no pescoço de Sue como easter egg. The Brood de 1979 também de Cronenberg ecoa no body horror feminino. Carrie de Brian De Palma de 1976 inspirou o desfecho com banho de sangue no auditório.
Esse banho de sangue usou aproximadamente 21 mil litros de sangue cenográfico bombeados por uma mangueira de bombeiro instalada dentro do traje de Monstro Elisasue. 2001: Uma Odisseia no Espaço aparece no uso de Also Sprach Zarathustra de Strauss. O Iluminado de Kubrick reverbera nos corredores e no carpete laranja. Fargeat declarou ainda outras influências famosas.
Coralie Fargeat afirmou influência de Requiem for a Dream de Aronofsky, Showgirls de Verhoeven e do mito de Jekyll. O designer de efeitos Pierre-Olivier Persin passou mais de um ano desenvolvendo Monstro Elisasue, com cinco cabeças protéticas, dois trajes corporais completos, dois parciais e um molde da cabeça de Demi Moore. Fargeat exigiu que 70 a 80% dos efeitos fossem práticos.
A preparação física e de maquiagem foi extrema. Demi Moore passava de 45 minutos a 7 horas diárias na cadeira de maquiagem. Em fases avançadas da deterioração de Elisabeth, ela ficava 7 horas sendo maquiada e filmava apenas 1 ou 2. Margaret Qualley levava cerca de 6 horas só para vestir o traje completo do Monstro Elisasue no clímax.
A trilha eletrônica e bass-pesada de Raffertie, compositor britânico, foi feita em apenas dois meses entre janeiro e março de 2024, com Cannes marcado para maio. Lançada pela Waxwork Records em 28 faixas, o score foi descrito pelo Hollywood Reporter como trovejante e parte essencial dos momentos de mutilação corporal. A música é peça central no impacto sensorial do filme.
A recepção crítica foi quase unânime. O Rotten Tomatoes registra 89% com 378 críticas e média 8,1 em 10, o Metacritic 78 em positividade generalizada, e o CinemaScore B, dividindo público mainstream e fãs de horror autoral. O consenso oficial descreve o filme como audaciosamente nojento, perversamente esperto e possivelmente a melhor hora de Demi Moore.
No Oscar 2025, A Substância recebeu cinco indicações: Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Atriz para Demi Moore, Melhor Roteiro Original para Fargeat, e Melhor Maquiagem e Penteados para Pierre-Olivier Persin, Stéphanie Guillon e Marilyne Scarselli. Levou só Maquiagem, primeira indicação e primeira vitória do trio francês. A vitória técnica foi celebrada pela equipe.
Demi Moore vinha de vitórias no Globo de Ouro, Critics Choice, SAG e Saturn Award, e era favorita absoluta. Perdeu para Mikey Madison de 25 anos, por Anora. As redes sociais explodiram com a ironia. O próprio filme denuncia Hollywood trocar mulheres mais velhas por versões jovens, e a Academia repetiu o roteiro na vida real.
Moore confessou ter dito ao empresário antes do anúncio: acho que vai para a Mikey. A declaração virou meme e comentário ácido sobre a indústria. Para fãs de body horror, A Substância segue como a obra mais cirúrgica do gênero desde A Mosca. O filme recolocou Coralie Fargeat na vanguarda do cinema autoral, consolidando seu talento.
O legado imediato é ambivalente: sucesso crítico e comercial, efeitos práticos celebrados e uma discussão pública sobre idade, protagonismo e visibilidade feminina. A Substância é, portanto, tanto espetáculo visceral quanto fábula cruel sobre a indústria. Resta então ao espectador decidir se a experiência é libertadora ou aterradora.
Bilheteria
- Orçamento
- US$ 18 mi
- Arrecadação mundial
- US$ 77 mi
- Retorno
- 4,4× o orçamento
Ficha técnica
- Roteiro
- Coralie Fargeat
- Fotografia
- Benjamin Kračun
- Trilha sonora
- Raffertie
- Edição
- Jérôme Eltabet
- Duração
- 140 min
Curiosidades sobre A Substância
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Aos 61 anos, Demi Moore voltou ao topo com o papel de uma vida
Demi Moore aceitou despir-se literal e simbolicamente em A Substância aos 61 anos. O resultado: Globo de Ouro, Critics Choice, SAG, Saturn Award e a primeira indicação ao Oscar de Melhor Atriz em quatro décadas de carreira. A crítica tratou o papel como role of a lifetime e um manifesto contra a invisibilidade imposta às atrizes maduras em Hollywood.
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Maquiagem que durava até 7 horas por dia
Para encarnar a deterioração progressiva de Elisabeth Sparkle, Demi Moore passava de 45 minutos a 7 horas diárias na cadeira de maquiagem. Em fases avançadas, ela ficava 7 horas sendo maquiada e filmava apenas 1 ou 2. Margaret Qualley levava cerca de 6 horas só para vestir o traje completo do Monstro Elisasue no clímax.
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Cerca de 21 mil litros de sangue cenográfico
O desfecho no auditório de Réveillon usou aproximadamente 21 mil litros de sangue falso, bombeado por uma mangueira de bombeiro instalada dentro do traje de Monstro Elisasue. O banho de sangue homenageia diretamente Carrie, a Estranha de 1976, de Brian De Palma. Cena que fechou a temporada de marketing do filme nos festivais.
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Monstro Elisasue: 70 a 80% prática, quase zero CGI
O designer de efeitos Pierre-Olivier Persin passou mais de um ano desenvolvendo Monstro Elisasue. Foram cinco cabeças protéticas, incluindo uma com cavidade que se abre e dá à luz um seio preso a cordão umbilical, dois trajes corporais completos, dois parciais e um molde da cabeça de Demi Moore. Coralie Fargeat exigiu que 70 a 80% dos efeitos fossem práticos.
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Ovação de 13 minutos em Cannes, a maior do festival em 2024
Na estreia mundial em 19 de maio de 2024 no Festival de Cannes, A Substância recebeu 13 minutos de aplausos de pé, a maior ovação daquela edição. Demi Moore chorou na sala. Dias depois, o filme levaria o prêmio de Melhor Roteiro Original e Fargeat sairia consagrada como nova autora francesa de horror autoral.
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Demi Moore perdeu o Oscar para Mikey Madison no roteiro do filme na vida real
Após varrer a temporada de prêmios, Demi Moore era favorita absoluta ao Oscar 2025. Perdeu para Mikey Madison de 25 anos, por Anora. Redes sociais explodiram com a ironia. O próprio filme denuncia Hollywood trocar mulheres mais velhas por versões jovens. Moore confessou ter dito ao empresário antes do anúncio: acho que vai para a Mikey.
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Maior bilheteria da história da MUBI
Distribuído pela MUBI nos Estados Unidos e por outros parceiros no mundo, A Substância arrecadou US$ 77,3 milhões com orçamento de US$ 17,5 milhões, retorno de mais de 340%. Tornou-se o maior sucesso financeiro da plataforma britânica MUBI desde sua criação, abrindo caminho pra estúdio investir em horror autoral nos próximos anos.
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Oscar de Maquiagem e Penteados premiou trio francês estreante
Pierre-Olivier Persin, Stéphanie Guillon e Marilyne Scarselli levaram o Oscar 2025 de Melhor Maquiagem e Penteados, primeira indicação e primeira vitória do trio. Bateram Nosferatu, Wicked, Emilia Pérez e A Different Man. A Academia foi vista como reconhecendo o splatter como forma de arte vital pela primeira vez em décadas.
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Coralie Fargeat só tinha um longa antes: Revenge
A Substância é apenas o segundo longa da francesa Coralie Fargeat. O primeiro, Revenge de 2017, também era um exercício de violência estilizada com mulher protagonista. Fargeat já citou Kubrick, Lynch, Cronenberg, Coen, Carpenter e Aronofsky como influências constantes, todas presentes no DNA do novo filme.
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Trilha eletrônica de Raffertie foi composta em apenas dois meses
O compositor britânico Raffertie entrou no projeto em janeiro de 2024, pós-produção avançada e com Cannes marcado para maio. Tinha dois meses para entregar tudo. O score eletrônico e bass-pesado, lançado pela Waxwork Records em 28 faixas, foi descrito pelo Hollywood Reporter como trovejante e parte essencial dos momentos de mutilação corporal do filme.
Datas-chave
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Lançamento mundial
Elenco principal