Expendabelles, derivado feminino de Os Mercenários, voltou ao desenvolvimento no Festival de Cannes 2026. O anúncio tira a ideia da gaveta depois de anos de paralisação e ajuda a entender como a Lionsgate tenta esticar uma marca que perdeu força. Abaixo, o que aconteceu, quem entra nessa conta e o que isso muda para quem acompanha cinema de ação.
Não é filme pronto. Nem perto disso.
O que existe hoje é um projeto reativado, com título provisório, novo empurrão de mercado e uma direção bem clara: usar o nome Os Mercenários para vender outra fase da franquia. Funciona? Essa é a pergunta boa.
O que Cannes realmente anunciou
O pacote apresentado em Cannes recolocou Expendabelles em desenvolvimento com Eclectic Pictures e Hollywood Ventures Group, além do apoio da Lionsgate, que hoje concentra os direitos da franquia.
O filme foi descrito como um evento de ação estilizado. Só que com um detalhe importante: ele não nasce como simples troca de elenco da saga original. A proposta é uma história de origem, ambientada no fim dos anos 1990.
Essa ambientação muda bastante coisa. Em vez de repetir a fórmula dos veteranos musculosos dos anos 80 e 90, o projeto quer apresentar uma nova geração de agentes de elite em pleno clima de Bug do Milênio e tensão geopolítica pré-11 de setembro.
No Brasil, ainda não existe título oficial confirmado para o longa. Por isso, o mais correto é usar Expendabelles mesmo, e não inventar “As Mercenárias” como se o nome já estivesse fechado.
| Ficha do projeto | Informação confirmada |
|---|---|
| Título original | Expendabelles |
| Franquia de origem | Os Mercenários |
| Tipo | Spin-off em desenvolvimento |
| Produtoras | Eclectic Pictures e Hollywood Ventures Group |
| Apoio estratégico | Lionsgate |
| Status | Em desenvolvimento |
| Conceito | História de origem com nova geração de agentes |
| Ambientação | Final dos anos 1990 |
| Evento de anúncio | Festival de Cannes 2026 |

Quem entra no raio de impacto
Primeiro, a própria Lionsgate. Depois do tropeço de Os Mercenários 4, o estúdio precisava mostrar ao mercado que a marca ainda pode render alguma coisa além de nostalgia reciclada.
Tem mais gente olhando para isso. Cannes não serve só para tapete vermelho; serve para vender projeto, medir apetite internacional e atrair parceiros. Quando um filme volta a ser anunciado ali, a conversa é menos artística e mais comercial.
Os produtores também ganham um atalho. Em vez de lançar uma equipe feminina de ação do zero, eles se agarram a um nome que o público já reconhece. O problema? Reconhecimento não é sinônimo de vontade de comprar ingresso.
E os fãs antigos? Esses entram divididos. Uma parte quer qualquer sinal de vida da franquia. Outra olha para o anúncio e já pensa em operação de emergência depois do desgaste do quarto filme.
Cheiro de sobrevivência
Tem um pouco disso, sim. Os Mercenários 4 arrecadou cerca de US$ 51 milhões no mundo com orçamento reportado na casa de US$ 100 milhões. Não tem maquiagem que resolva esse número.
Quando uma franquia de ação custa caro e volta menos dinheiro do que deveria, o caminho costuma ser o mesmo: reduzir risco, mexer no conceito e tentar falar com outro público. Expendabelles parece exatamente essa manobra.
Mas será que basta trocar o foco? Não. Se vier só como “versão feminina de Os Mercenários”, o projeto nasce velho. O público já viu essa jogada em outras marcas, com resultados bem mistos.
O cenário recente dá bons exemplos. Alguns derivados femininos encontraram uma identidade forte. Outros pareceram reunião de estúdio tentando cumprir tabela.
| Título | Ligação com franquia | Proposta | Lição para Expendabelles |
|---|---|---|---|
| Viúva Negra | Derivado do MCU | Ação e espionagem com passado da personagem | Universo conhecido ajuda, mas identidade própria pesa mais |
| As Marvels | Expansão de marca já consolidada | Equipe feminina dentro de uma franquia gigante | Nome forte sozinho não segura interesse |
| Charlie’s Angels | Reboot de marca clássica | Equipe feminina em ação estilizada | Nostalgia sem novidade cansa rápido |
| The Old Guard | Franquia original | Grupo de elite liderado por mulheres | Quando a proposta tem identidade, o público compra a ideia |
| Ballerina | Derivado de John Wick | Ação física com protagonista feminina | Estilo e mundo bem definidos vendem melhor que rótulo |
Expendabelles tem uma tarefa ingrata. Precisa manter o cheiro de ação bruta da série principal, mas sem parecer uma cópia no espelho. É um equilíbrio difícil.

Anos 1990 podem salvar a ideia
A melhor notícia do anúncio talvez seja justamente a ambientação. Levar a história para o fim dos anos 1990 abre uma porta visual e narrativa que a franquia original nunca explorou direito.
Pensa no pacote: paranoia do Bug do Milênio, espionagem analógica, satélites, pager, computador barulhento e menos dependência de tela holográfica e piadinha de super-herói. Isso pode dar textura.
Também ajuda no tom. Os Mercenários sempre vendeu porrada seca, metal retorcido e elenco de presença. Um recorte noventista pode puxar essa energia para algo mais sujo, mais tenso e menos plastificado.
Se vier por esse caminho, o filme ganha cara própria. Se abandonar isso para virar ação genérica de plataforma, aí some no catálogo como qualquer outro.
Tem outra vantagem. Uma origem nos anos 1990 evita a comparação direta com Stallone e companhia o tempo inteiro. Em vez de entrar na sombra do time clássico, o projeto pode montar sua própria mitologia.

Sem data e sem plataforma no Brasil
Hoje, para quem está no Brasil, a mudança é de radar, não de agenda. Expendabelles segue em desenvolvimento e ainda não tem janela de lançamento, modelo de distribuição ou presença confirmada nos cinemas daqui.
Também não foram anunciados elenco, direção, roteiro final ou início de filmagens. Isso coloca o projeto naquele estágio clássico de Cannes: chama atenção, abre conversa e tenta provar que vai sair do papel desta vez.
O espectador brasileiro, então, fica com um cenário bem direto. Não há filme disponível para assistir, não existe confirmação de dublagem em português e ainda nem dá para saber se a estreia será exclusiva nos cinemas, no streaming ou híbrida.
Mesmo assim, o anúncio não é pequeno. Depois de um quarto filme que desgastou a marca, a franquia resolveu procurar fôlego fora da fórmula mais óbvia. Em Cannes, isso rende manchete. No mercado, ainda precisa render confiança.
Por enquanto, Expendabelles é uma ideia forte vendida em cima de um nome cansado. Se essa conta fecha, ninguém sabe. O anúncio compra tempo; o filme, por enquanto, ainda precisa provar que existe.