Expendabelles volta em Cannes e testa Os Mercenários

Por Leandro Lopes 17/05/2026 às 17:11 7 min de leitura
Expendabelles volta em Cannes e testa Os Mercenários
7 min de leitura

Expendabelles, derivado feminino de Os Mercenários, voltou ao desenvolvimento no Festival de Cannes 2026. O anúncio tira a ideia da gaveta depois de anos de paralisação e ajuda a entender como a Lionsgate tenta esticar uma marca que perdeu força. Abaixo, o que aconteceu, quem entra nessa conta e o que isso muda para quem acompanha cinema de ação.

Não é filme pronto. Nem perto disso.

O que existe hoje é um projeto reativado, com título provisório, novo empurrão de mercado e uma direção bem clara: usar o nome Os Mercenários para vender outra fase da franquia. Funciona? Essa é a pergunta boa.

O que Cannes realmente anunciou

O pacote apresentado em Cannes recolocou Expendabelles em desenvolvimento com Eclectic Pictures e Hollywood Ventures Group, além do apoio da Lionsgate, que hoje concentra os direitos da franquia.

O filme foi descrito como um evento de ação estilizado. Só que com um detalhe importante: ele não nasce como simples troca de elenco da saga original. A proposta é uma história de origem, ambientada no fim dos anos 1990.

Essa ambientação muda bastante coisa. Em vez de repetir a fórmula dos veteranos musculosos dos anos 80 e 90, o projeto quer apresentar uma nova geração de agentes de elite em pleno clima de Bug do Milênio e tensão geopolítica pré-11 de setembro.

No Brasil, ainda não existe título oficial confirmado para o longa. Por isso, o mais correto é usar Expendabelles mesmo, e não inventar “As Mercenárias” como se o nome já estivesse fechado.

Ficha do projeto Informação confirmada
Título original Expendabelles
Franquia de origem Os Mercenários
Tipo Spin-off em desenvolvimento
Produtoras Eclectic Pictures e Hollywood Ventures Group
Apoio estratégico Lionsgate
Status Em desenvolvimento
Conceito História de origem com nova geração de agentes
Ambientação Final dos anos 1990
Evento de anúncio Festival de Cannes 2026
Cena estilizada de centro de comando dos anos 1990 com monitores CRT, agentes femininas e clima de Bug do Milênio
Cena estilizada de centro de comando dos anos 1990 com monitores CRT, agentes femininas e clima de Bug do Milênio (Reprodução)

Quem entra no raio de impacto

Primeiro, a própria Lionsgate. Depois do tropeço de Os Mercenários 4, o estúdio precisava mostrar ao mercado que a marca ainda pode render alguma coisa além de nostalgia reciclada.

Tem mais gente olhando para isso. Cannes não serve só para tapete vermelho; serve para vender projeto, medir apetite internacional e atrair parceiros. Quando um filme volta a ser anunciado ali, a conversa é menos artística e mais comercial.

Os produtores também ganham um atalho. Em vez de lançar uma equipe feminina de ação do zero, eles se agarram a um nome que o público já reconhece. O problema? Reconhecimento não é sinônimo de vontade de comprar ingresso.

E os fãs antigos? Esses entram divididos. Uma parte quer qualquer sinal de vida da franquia. Outra olha para o anúncio e já pensa em operação de emergência depois do desgaste do quarto filme.

Cheiro de sobrevivência

Tem um pouco disso, sim. Os Mercenários 4 arrecadou cerca de US$ 51 milhões no mundo com orçamento reportado na casa de US$ 100 milhões. Não tem maquiagem que resolva esse número.

Quando uma franquia de ação custa caro e volta menos dinheiro do que deveria, o caminho costuma ser o mesmo: reduzir risco, mexer no conceito e tentar falar com outro público. Expendabelles parece exatamente essa manobra.

Mas será que basta trocar o foco? Não. Se vier só como “versão feminina de Os Mercenários”, o projeto nasce velho. O público já viu essa jogada em outras marcas, com resultados bem mistos.

O cenário recente dá bons exemplos. Alguns derivados femininos encontraram uma identidade forte. Outros pareceram reunião de estúdio tentando cumprir tabela.

Título Ligação com franquia Proposta Lição para Expendabelles
Viúva Negra Derivado do MCU Ação e espionagem com passado da personagem Universo conhecido ajuda, mas identidade própria pesa mais
As Marvels Expansão de marca já consolidada Equipe feminina dentro de uma franquia gigante Nome forte sozinho não segura interesse
Charlie’s Angels Reboot de marca clássica Equipe feminina em ação estilizada Nostalgia sem novidade cansa rápido
The Old Guard Franquia original Grupo de elite liderado por mulheres Quando a proposta tem identidade, o público compra a ideia
Ballerina Derivado de John Wick Ação física com protagonista feminina Estilo e mundo bem definidos vendem melhor que rótulo

Expendabelles tem uma tarefa ingrata. Precisa manter o cheiro de ação bruta da série principal, mas sem parecer uma cópia no espelho. É um equilíbrio difícil.

Montagem comparativa com pôsteres de Viúva Negra, As Marvels, Charlie’s Angels, The Old Guard e Ballerina em contexto de filmes de ação feminina
Montagem comparativa com pôsteres de Viúva Negra, As Marvels, Charlie’s Angels, The Old Guard e Ballerina em contexto de filmes de ação feminina (Reprodução)

Anos 1990 podem salvar a ideia

A melhor notícia do anúncio talvez seja justamente a ambientação. Levar a história para o fim dos anos 1990 abre uma porta visual e narrativa que a franquia original nunca explorou direito.

Pensa no pacote: paranoia do Bug do Milênio, espionagem analógica, satélites, pager, computador barulhento e menos dependência de tela holográfica e piadinha de super-herói. Isso pode dar textura.

Também ajuda no tom. Os Mercenários sempre vendeu porrada seca, metal retorcido e elenco de presença. Um recorte noventista pode puxar essa energia para algo mais sujo, mais tenso e menos plastificado.

Se vier por esse caminho, o filme ganha cara própria. Se abandonar isso para virar ação genérica de plataforma, aí some no catálogo como qualquer outro.

Tem outra vantagem. Uma origem nos anos 1990 evita a comparação direta com Stallone e companhia o tempo inteiro. Em vez de entrar na sombra do time clássico, o projeto pode montar sua própria mitologia.

Expendabelles volta em Cannes e testa Os Mercenários — foto de divulgação
Expendabelles volta em Cannes e testa Os Mercenários — foto de divulgação (Reprodução)

Sem data e sem plataforma no Brasil

Hoje, para quem está no Brasil, a mudança é de radar, não de agenda. Expendabelles segue em desenvolvimento e ainda não tem janela de lançamento, modelo de distribuição ou presença confirmada nos cinemas daqui.

Também não foram anunciados elenco, direção, roteiro final ou início de filmagens. Isso coloca o projeto naquele estágio clássico de Cannes: chama atenção, abre conversa e tenta provar que vai sair do papel desta vez.

O espectador brasileiro, então, fica com um cenário bem direto. Não há filme disponível para assistir, não existe confirmação de dublagem em português e ainda nem dá para saber se a estreia será exclusiva nos cinemas, no streaming ou híbrida.

Mesmo assim, o anúncio não é pequeno. Depois de um quarto filme que desgastou a marca, a franquia resolveu procurar fôlego fora da fórmula mais óbvia. Em Cannes, isso rende manchete. No mercado, ainda precisa render confiança.

Por enquanto, Expendabelles é uma ideia forte vendida em cima de um nome cansado. Se essa conta fecha, ninguém sabe. O anúncio compra tempo; o filme, por enquanto, ainda precisa provar que existe.