Assassino Zen volta tão estranho quanto engraçado na Netflix

Por Leandro Lopes 28/05/2026 às 18:26 5 min de leitura
Assassino Zen volta tão estranho quanto engraçado na Netflix
5 min de leitura

Assassino Zen (Achtsam Morden) voltou à Netflix com a mesma ideia torta que fez a série alemã se destacar: um homem tentando viver com mindfulness, prática de atenção plena, enquanto improvisa assassinatos e encobre crimes. A 2ª temporada continua absurda e engraçada, mas agora olha mais para dentro da cabeça de Björn Diemel.

Funciona. Não porque a série virou drama sério. Funciona porque ela sabe que o truque está no contraste entre discurso de paz interior, culpa acumulada e decisões cada vez mais desastrosas.

O absurdo continua no ponto

Baseada nos livros de Karsten Dusse, Assassino Zen segue misturando sátira de autoajuda, crime e humor seco. Isso separa a série de thrillers europeus mais fechados da Netflix, como Dark, e aproxima o tom de algo entre Barry e Fargo.

A diferença é o jeito alemão de contar a piada. Menos histeria, mais constrangimento. A graça nasce quando a série trata o ridículo com total seriedade, como se cada cadáver fosse só mais um item da agenda.

Na 2ª temporada, o texto acerta ao não depender só do choque. Björn continua preso em situações improváveis, mas o roteiro tenta ligar esse caos a traumas de infância, emoções reprimidas e à tal busca por equilíbrio que nunca chega.

Cena de reunião tensa em Assassino Zen com Björn cercado por personagens secundários, clima de humor sombrio
Cena de reunião tensa em Assassino Zen com Björn cercado por personagens secundários, clima de humor sombrio (Reprodução)

Tom Schilling é o motor da série

Tom Schilling segura tudo sem fazer força visível. Esse é o melhor acerto da série. Ele não interpreta Björn Diemel como um maluco espalhafatoso, e sim como alguém tentando manter o controle num mundo que já saiu dos trilhos.

Esse tipo de contenção vende o humor. Quando o personagem reage a um absurdo como se estivesse resolvendo um problema de escritório, a piada bate mais forte. É um anti-herói estranho, frio em alguns momentos, mas nunca vazio.

Também ajuda o fato de a nova temporada cavar mais fundo no emocional do protagonista. A série ainda quer rir do caos, claro, só que agora dá peso ao que esse caos cobra dele por dentro.

Ficha técnica Detalhes
Título original Achtsam Morden
Título no Brasil Assassino Zen
Formato Série
País Alemanha
Idioma original Alemão
Baseado em Livros de Karsten Dusse
Direção citada Martina Plura
Protagonista Björn Diemel
Ator principal Tom Schilling
Gênero Comédia criminal, sátira e suspense
Temporada em foco 2ª temporada
Plataforma no Brasil Netflix
Status Série em continuidade

Nem tudo volta melhor

A 2ª temporada cresce quando olha para Björn. Quando se espalha demais, perde força. O excesso de tramas paralelas tira foco daquilo que a série faz melhor: acompanhar um protagonista tentando racionalizar o irracional.

Alguns personagens ao redor entram mais como função de roteiro do que como presença marcante. Não chega a afundar a temporada, mas deixa a sensação de que certos desvios ocupam tempo que faria mais falta no núcleo principal.

Mas será que isso estraga a série? Não. Só impede que ela dê o salto que parecia ao alcance. Em vez de subir um degrau inteiro, Assassino Zen prefere repetir parte da fórmula e ajustar o tom.

Montagem com pôster oficial de Assassino Zen e elementos visuais de meditação, escritório e cena criminal
Montagem com pôster oficial de Assassino Zen e elementos visuais de meditação, escritório e cena criminal (Reprodução)

Por que ela continua diferente no catálogo da Netflix

A Netflix já tem crime engraçadinho, crime estilizado e crime pesado. Assassino Zen ocupa outro canto. É uma comédia criminal que não tenta ser cool, nem charmosa demais. Ela é seca, desconfortável e bem mais esquisita do que parece na sinopse.

o apelo da série entre quem gosta de anti-herói em crise. Não é um suspense realista. Também não é a escolha ideal para quem quer violência gráfica pesada. O jogo aqui é outro: rir do desastre enquanto o personagem tenta organizar a vida como se estivesse num retiro de meditação.

Série Vibe O que muda em relação a Assassino Zen
Barry Assassino em crise existencial Mais melancólica e mais ácida
Fargo Crime absurdo e personagens quebrados Mais violenta e menos íntima
Kleo Ação, espionagem e ironia Mais estilizada e acelerada
Como Vender Drogas Online (Rápido) Humor alemão com caos criminal Mais juvenil e mais frenética

Dentro das produções alemãs da Netflix, ela talvez seja a mais peculiar nesse recorte. Dark virou o rosto da plataforma por outro caminho. Kleo foi para o deboche pop. Assassino Zen prefere o humor de cara fechada.

Assassino Zen volta tão estranho quanto engraçado na Netflix — pôster oficial
Assassino Zen volta tão estranho quanto engraçado na Netflix — pôster oficial (Reprodução)

Assassino Zen já está na Netflix Brasil

A 2ª temporada está disponível no catálogo brasileiro da Netflix. Como costuma acontecer com originais da plataforma, há opções em português no serviço, com legendas em pt-BR e possibilidade de áudio dublado dependendo do perfil e do dispositivo.

Quem gostou do primeiro ano vai encontrar a mesma mistura de crime, terapia e constrangimento, agora com um lado emocional mais forte. O desafio para a próxima leva já apareceu: cortar o excesso de desvios sem perder o caos. Se não fizer isso, a paz interior de Björn pode acabar antes da piada.