O plano de Yellowstone sem Costner funcionou?

Por Leandro Lopes 10/06/2026 às 10:55 5 min de leitura
O plano de Yellowstone sem Costner funcionou?
5 min de leitura

Resumo rápido

  • Yellowstone terminou em 2024 e virou foco de expansão
  • Marshals levou Kayce Dutton para a lógica procedural da CBS
  • Dutton Ranch estreou com 12,9 milhões no Paramount+

Yellowstone saiu de cena como série principal, mas não como marca. Depois do fim em 2024, Taylor Sheridan empurrou a franquia para dois lados bem diferentes: Marshals, com cara de TV aberta, e Dutton Ranch, mais colado ao drama familiar que segurou o público por cinco temporadas.

Foi uma jogada esperta. Em vez de tentar repetir Kevin Costner no piloto automático, Sheridan transformou Yellowstone em ecossistema.

Não é só spin-off. É divisão de público

Yellowstone acabou com 5 temporadas e 53 episódios. A saída de Costner poderia ter deixado um buraco difícil de tapar, porque John Dutton era o centro político, moral e comercial da série.

Mas a franquia já vinha treinando esse movimento. 1883 e 1923 provaram que os Duttons funcionam fora da linha principal, desde que haja identidade própria, elenco forte e um recorte claro de época.

1883 levou a família ao começo da jornada rumo a Montana. 1923 fez o salto para a era da Lei Seca com Harrison Ford e Helen Mirren, reforçando que Yellowstone podia sobreviver sem depender de um único rosto.

Título Tipo Foco Plataforma original Nome forte
Yellowstone Série principal Família, terra e poder Paramount Network Kevin Costner
1883 Prequel Origem dos Dutton Paramount+ Tim McGraw
1923 Prequel Lei Seca e crise familiar Paramount+ Harrison Ford
Marshals Spin-off Caso da semana com Kayce CBS / Paramount+ Luke Grimes
Dutton Ranch Spin-off Beth e Rip no Texas Paramount+ Kelly Reilly

Esse desenho lembra franquias como NCIS, Law & Order e One Chicago. Uma puxa o público de TV aberta. A outra segura o assinante que quer saga contínua e personagens já conhecidos.

Marshals foi para o caminho mais popular

Marshals pega Kayce Dutton e joga o personagem na máquina procedural americana. A ideia é simples: menos novela de rancho, mais operação policial, missão da semana e ritmo de CBS.

Nem todo fã comprou. A recepção citada no briefing é dura: 45% entre críticos e 27% com o público no Rotten Tomatoes.

Só que audiência não pediu licença para a crítica. A série teria média de 20 milhões de espectadores multiplataforma nos oito primeiros episódios, número grande demais para ser tratado como tropeço.

Faz sentido. Procedural é o formato mais resistente da TV americana. NCIS, FBI, CSI e Blue Bloods vivem disso há anos, porque muita gente gosta de entrar no episódio 6 sem precisar rever os cinco anteriores.

Kayce encaixa bem nesse molde. Luke Grimes tem cara de protagonista silencioso, físico de herói de ação contido e familiaridade suficiente com o universo Dutton para puxar quem ainda estava órfão de Yellowstone.

Mas o preço existe. Marshals parece menos “Sheridan puro” e mais produto moldado para alcance. Se você queria o peso emocional de Beth e Rip, não é aqui.

Dutton Ranch segura o coração da franquia

Do outro lado, Dutton Ranch faz o caminho oposto. Beth e Rip recomeçam em Rio Paloma, no Texas, e a proposta volta para o terreno conhecido: romance torto, conflito de território, herança emocional e violência prestes a explodir.

O público respondeu rápido. A estreia de 15 de maio bateu 12,9 milhões de espectadores e virou a maior abertura da história do Paramount+, dado forte o bastante para bancar a tese de que Yellowstone continua vivo mesmo sem John Dutton.

A série também parece mais alinhada ao DNA que consagrou a marca. Quem gostava da mistura entre melodrama, faroeste moderno e disputa de família deve se sentir mais em casa aqui do que em Marshals.

Nem tudo é estabilidade. Chad Feehan, showrunner da primeira temporada, foi demitido, e o futuro do segundo ano ainda está em aberto. A audiência está lá. Os bastidores, nem tanto.

O Brasil ainda recebe essa franquia em pedaços

Para quem acompanha Yellowstone no Brasil, o cenário continua meio bagunçado. A franquia costuma orbitar o Paramount+ por aqui, mas o catálogo varia por janela de licenciamento e nem sempre fica organizado de um jeito amigável.

Yellowstone, 1883 e 1923 já passaram pelo circuito da plataforma e por acordos de exibição. Na prática, vale conferir a página brasileira do Paramount+ antes de começar, porque disponibilidade e dublagem podem mudar.

Com Marshals e Dutton Ranch, a pergunta brasileira é outra: quando essa expansão vai chegar de forma clara e com cronologia fácil para quem caiu agora no universo? Porque uma franquia grande demais, mas espalhada demais, também cansa.

Se você nunca entrou nessa saga, a ordem mais limpa continua sendo 1883, 1923 e Yellowstone. Depois vêm os derivados novos, que já mostram um retrato bem claro do plano: uma perna popular, outra premium.

Sheridan acertou ao dividir a marca em duas. Resta saber se a Paramount consegue vender esse quebra-cabeça direito fora dos EUA — especialmente no Brasil, onde Yellowstone ainda parece mais uma franquia forte do que uma franquia realmente fácil de assistir.