A segunda temporada de A Good Girl’s Guide to Murder chega à Netflix brasileira em 27 de maio de 2026 — quarta-feira, slot consagrado pela plataforma para mistério teen desde Wednesday. São 6 episódios de 45 minutos com Emma Myers de volta como Pip Fitz-Amobi, a mesma atriz que faz Enid Sinclair na série dos Wandinha.
Em paralelo, o trailer oficial saiu nesta semana. A T2 abandona o caso Andie Bell — central da T1 — e se concentra no desaparecimento súbito de Jamie Reynolds, irmão de Connor, dois dias antes do julgamento de Max Hastings. Pip tinha jurado deixar as investigações para trás. Não conseguiu.
Pip volta ao podcast e à investigação

A nova temporada adapta Good Girl, Bad Blood, segundo livro da trilogia de Holly Jackson — autora britânica que vendeu mais de 8 milhões de cópias com a série e dominou listas YA do Reino Unido por meses. O detalhe que muda o jogo: Jackson agora atua como co-roteirista da adaptação, ao lado de Poppy Cogan, que já tinha conduzido a primeira temporada.
Trata-se de movimento raro. Adaptações YA frequentemente afastam o autor original durante o processo, mas a Netflix decidiu apostar exatamente na voz de Jackson para a continuação. Funciona como segurança editorial — fãs do livro reconhecem o tom imediatamente — e como gancho de marketing direto.
Quem volta e quem chega
O núcleo da T1 retorna completo. Emma Myers segue como Pip; Zain Iqbal volta como Ravi Singh; Henry Ashton reprisa Max Hastings — agora encarando julgamento por agressão sexual, gancho que sustenta a tensão central da temporada. Asha Banks (Cara), Yali Topol Margalith (Lauren) e Jude Morgan-Collie (Connor) completam o grupo de amigos.
O elenco novo é a aposta da temporada. Eden H. Davies assume Jamie Reynolds, irmão de Connor cujo desaparecimento abre a trama. Misia Butler é Stanley Forbes, figura à margem da investigação. Jack Rowan chega como Charlie Green, vizinho de Pip que entra na trama, e Freddie England faz Robin, novo namorado de Lauren.
Holly Jackson elogiou os novatos publicamente: descreveu Davies como “sensacional”, Butler como “perfeito Stanley Forbes” e Rowan como “simplesmente extraordinário”. Marketing direto, mas vindo da autora soa diferente.
O que a T1 entregou
A primeira temporada não foi fenômeno explosivo, mas sustentou audiência. Os números:
- 148,7 milhões de horas assistidas no fechamento de 2025
- 32,2 milhões de views totais
- 3 semanas no Top 10 Global Netflix em inglês
- #1 global na semana de estreia em agosto de 2024
De fato, é o tipo de série que cresce no boca a boca. A renovação para T2 saiu rápido — outubro de 2024, dois meses depois da estreia da T1 —, e a produção fechou casting completo até fevereiro de 2026.
O caso Jamie Reynolds
A premissa da T2 muda o registro. Pip tinha resolvido o caso Andie Bell, transformado o resultado em podcast de sucesso, e tentava agora deixar a fama de detetive amadora para trás. Em paralelo, o julgamento de Max Hastings — vilão da T1, agora respondendo por agressão sexual — força ela a continuar exposta no inquérito.
Quando Jamie Reynolds desaparece sem explicação dois dias antes do julgamento, a polícia trata o caso como adulto sumido por vontade própria. Pip retoma o microfone e lança a segunda temporada do podcast, transformando ouvintes em colaboradores numa corrida contra o tempo. O ângulo central muda do mistério procedural para reflexão sobre vigilantismo, true crime amador, e os limites éticos de transformar tragédia em entretenimento.
Trata-se de tema que conversa diretamente com a indústria do podcast investigativo — Serial, S-Town, This American Life. A T1 já flertava com isso. A T2 promete não dar trégua.
Por que estreia numa quarta
A escolha de 27 de maio numa quarta-feira não é aleatória. A Netflix consagrou o slot Wednesday para mistério teen depois do sucesso da série dos Wandinha em 2022, e Emma Myers veio justamente do mesmo universo — fazendo Enid Sinclair, melhor amiga da protagonista. A plataforma cria pacote promocional natural: quem consome Wednesday tem AGGGTM esperando no catálogo.
Em paralelo, maio de 2026 está carregado de mistérios na Netflix: Lord of the Flies (adaptação Jeff Gibson), The Boroughs (criação dos irmãos Duffer) e o roast ao vivo de Kevin Hart formam uma onda diversificada. A T2 entra como teen mystery procedural, sem competir frontalmente com nenhum desses títulos.
Trailer
A trilogia de Holly Jackson tem mais um livro pela frente — As Good as Dead, terceiro e último, encerra o arco de Pip. Ainda não há confirmação de uma terceira temporada da Netflix, mas o caminho é óbvio: se a T2 entregar audiência parecida com a T1, a renovação sai naturalmente. Por fim, fica a aposta de leitor para autora: Holly Jackson agora está no comando criativo da TV. Funcionou para ela nos livros — falta ver se o salto de meio mantém o ritmo.