Foram 3.400 cascavéis capturadas em oito meses de filmagem. Esse é o número que resume o que Beth e Rip enfrentaram nos bastidores de Rancho Dutton, o spinoff de Yellowstone que já é a maior estreia da história do Paramount+.
Mas o perigo das cobras é só o começo. No Texas, o casal mais explosivo da franquia descobriu que perdeu algo que tinha de sobra em Montana: o controle do próprio território.
O set mais perigoso da TV
Cole Hauser, o Rip, contou o tamanho do problema. Em uma locação, a equipe ia gravar à noite e teve que recuar. Uma wrangler chamada Christina encontrou de 40 a 50 cascavéis no local antes da cena.
Kelly Reilly, a Beth, viveu o mesmo pesadelo. Segundo ela, havia seis domadores de cobra no set a qualquer momento, enquanto ela corria de salto agulha pelos campos. No total, foram 3.400 cobras retiradas ao longo das filmagens.
Esse tipo de bastidor virou marca do projeto. A produção priorizou locações reais e ásperas, fiel ao tom bruto que Taylor Sheridan construiu na franquia. O resultado aparece na tela em cada cena de campo aberto.
A Beth que finalmente respira
Aqui está a mudança mais comentada. Em Yellowstone, Beth era a caricatura da mulher durona, sempre pronta para o jantar dramático e a frase cortante. Em Rancho Dutton, ela ganha camadas.
A personagem lida com o luto pelo pai e a perda do lar em Montana. Por outro lado, abraça a maternidade com Carter e o casamento com Rip de um jeito mais equilibrado. Novos showrunners ao lado de Sheridan humanizaram quem antes era pura provocação.
É uma correção de rota inteligente. Beth continua afiada, mas deixa de ser só a máquina de respostas ácidas. Dessa forma, o spinoff conserta um dos problemas que mais cansavam o público na série original.
Uma vilã melhor que John Dutton
No Texas, Beth e Rip enfrentam Beulah Jackson, matriarca do 10 Petal Ranch, vivida por Annette Bening. E a recepção foi imediata: depois de apenas quatro episódios, muitos já a consideram uma antagonista mais convincente que o John Dutton III de Kevin Costner.
O motivo é a inversão de poder. Em Montana, os Duttons eram a fortaleza local. No Texas, são forasteiros em desvantagem, contra uma adversária com controle da região e conexões na polícia. A vulnerabilidade dá tensão nova à história.
Bening traz peso de Hollywood ao elenco. Indicada ao Oscar diversas vezes, ela dá a Beulah uma frieza calculada que contrasta com a explosão dos Duttons. O duelo entre ela e Beth é o coração dramático desta primeira temporada.
A vitória de Sheridan sobre Costner
O pano de fundo é a rixa que abalou a franquia. Kevin Costner deixou Yellowstone em meio ao rompimento com Sheridan, e seu John Dutton III acabou morto na quinta temporada. Muitos apostaram que a saga morreria com ele.
Aconteceu o oposto. Sheridan relançou Yellowstone sem Costner, apoiado nos filhos remanescentes de John. Rancho Dutton superou até The Madison como maior estreia original do Paramount+. John Dutton ainda é evocado em homenagens, mas não está mais no centro.
Para Sheridan, o recado é claro. Ele provou que a marca Yellowstone é maior que qualquer ator individual, por mais icônico que seja. A franquia virou um motor próprio, capaz de gerar derivados em série sem perder identidade nem audiência.
O que esperar do resto da temporada
A primeira temporada foi anunciada como uma história de nove partes, e ainda há muito fio solto. Carter, o filho adotivo de Beth e Rip, vive um arco de amadurecimento que pode redefinir o equilíbrio da família no novo rancho.
Além disso, a disputa territorial com Beulah tende a escalar. Sem o poder que tinham em Montana, Beth e Rip precisam jogar de forma diferente, mais política e menos na força bruta. Essa adaptação é o que torna o spinoff mais que uma repetição.
No Brasil, a série está no Paramount+ com janela próxima à dos Estados Unidos, sem atraso relevante para o público nacional. Quem acompanhou Yellowstone até o fim encontra aqui uma continuação que respeita o passado sem ficar presa a ele.
A franquia domina dois mundos ao mesmo tempo
Enquanto Rancho Dutton reina no streaming, o spinoff Marshals domina a TV aberta. A série estreou na CBS com 26,5 milhões de espectadores em 28 dias, atrás apenas de Stranger Things na temporada, e já foi renovada para um segundo ano.
Os números do Marshals impressionam ainda mais de perto. No meio da temporada, a série marcou 20,7 milhões de espectadores, terceiro lugar geral, atrás só de gigantes como Stranger Things 5. Para a TV aberta, em tempos de streaming, é um feito raro.
Juntas, CBS e Paramount+ colocam oito títulos no Top 25 mais assistido. Em resumo, o universo de Yellowstone se espalhou em vez de encolher. A pergunta que fica: até onde Sheridan consegue esticar essa fórmula antes que o público peça uma pausa?