X-Men ’97 voltou ao Disney+ com uma abertura de temporada que joga alto já nos três primeiros episódios. Em vez de só empilhar referência da Marvel, a série usa Apocalypse, viagem no tempo e velhos traumas mutantes para dizer uma coisa: a 2ª temporada quer ser maior que a primeira.
Resumo rápido
- Os três primeiros episódios da 2ª temporada já estão no Disney+.
- O arco inicial mergulha em Apocalypse e em Age of Apocalypse.
- Rachel Summers aparece como Mother Askani na nova fase.
Tem easter egg de todo lado. Mas o mais interessante não é a quantidade. É como essas pistas ajudam a montar o quebra-cabeça da temporada sem virar caça ao detalhe vazia.
| Ficha técnica | Detalhe |
|---|---|
| Título | X-Men ’97 |
| Formato | Série animada |
| Origem | Continuação direta de X-Men: The Animated Series (1992–1997) |
| Estúdio | Marvel Studios Animation |
| Distribuição | Disney+ |
| Gênero | Ação, aventura, super-heróis, animação |
| Plataforma no Brasil | Disney+ |
| Dublagem em português | Sim |
| Temporada em foco | 2ª temporada |
| Episódios analisados | Episódios 1 a 3 |
| Arco principal | X-Men espalhados no tempo |
| Vilão ligado ao arco | Apocalypse / En Sabah Nur |
| Saga de referência | Age of Apocalypse |
| Status | Em exibição |
Apocalypse já domina a temporada
Não é exagero: a 2ª temporada entra em modo quadrinho noventista sem pedir licença. O episódio 1, “Days of Past Future”, já brinca com Days of Future Past no próprio título e deixa claro que a série vai mexer com legado, linha do tempo e destino mutante.
Os X-Men aparecem divididos no tempo depois do fim da 1ª temporada. Isso por si só já muda a escala. Sai o foco na reconstrução da equipe e entra uma trama mais cósmica, mais mitológica e bem mais perigosa.

Os Cyber Hounds reforçam essa virada. Eles não estão ali só como inimigos robóticos. Funcionam como sinal visual de um futuro quebrado, do tipo que os X-Men conhecem bem desde os quadrinhos.
Wolverine com garras de osso pesa ainda mais. Quem conhece a cronologia sabe de onde vem isso: é a consequência direta de Magneto arrancar o adamantium. A série não trata o detalhe como fan service. Trata como cicatriz.
Tem mais. Ozymandias surge como peça importante da mitologia de Apocalypse, enquanto os Final Horsemen colocam a ameaça em um nível bem mais específico. Pestilence, War, Famine e Death aparecem com nomes tirados dos quadrinhos, não como versões genéricas.
Age of Apocalypse não entrou por acaso
A grande pista da estreia está aqui. X-Men ’97 encostou de vez em Age of Apocalypse, uma das sagas mais importantes dos mutantes nos anos 1990. Não é uma referência qualquer, dessas que piscam na tela por dois segundos.
Nos quadrinhos, esse arco mostra um mundo deformado pela influência de Apocalypse. Tudo fica mais brutal, mais desesperado e mais trágico. Quando a série puxa esse material já no começo, ela avisa que a temporada não pretende jogar seguro.
Storm ajuda a vender essa ambição. A cena em que ela controla solar winds não é só bonita. Ela reforça o status de nível Omega da personagem e lembra que o desenho entende o peso real dos poderes que tem nas mãos.
Funciona porque a animação acompanha. A primeira temporada já tinha energia. Agora a série parece mais confortável em desenhar ideias grandes, com cenários temporais e ameaça apocalíptica sem perder clareza de ação.
Rachel Summers muda a leitura dos três episódios
Se existe uma revelação que reposiciona tudo, ela atende por dois nomes: Mother Askani e Rachel Summers. Não é só uma participação para agradar leitor velho de HQ. É uma peça central da linhagem Summers.
Rachel liga Jean Grey, Scott Summers e Nathan Summers de um jeito que expande a temporada na hora. E ainda arrasta para a conversa o peso da Phoenix Force. Em três episódios, X-Men ’97 consegue abrir uma porta enorme sem parecer apressada.
A frase “Thanks for today, please for tomorrow”, tirada dos quadrinhos, entra nesse pacote. Parece detalhe de diálogo. Não é. Serve para ancorar emocionalmente uma trama que poderia virar só uma avalanche de lore.
Esse é o acerto da série. As referências não ficam flutuando. Elas empurram personagem, herança familiar e destino mutante ao mesmo tempo.
Nostalgia, sim. Mas com função
X-Men ’97 continua falando com quem viu a animação clássica na TV aberta e com quem cresceu lendo gibi da Abril. O bordão “Oh My Stars and Garters!”, ligado ao Beast, é um exemplo perfeito. Bate na memória e ainda reforça a identidade do personagem.
Os inhibitor collars também voltam com propósito. Eles já existiam na série original e reaparecem como lembrete de uma ideia básica dos X-Men: o medo do mundo em relação aos mutantes nunca some. Só muda de forma.
Por isso a abertura da 2ª temporada parece mais segura que muita série live-action da própria Marvel. Ela sabe de onde veio, sabe que público quer atingir e, melhor, sabe usar referência para contar história.
No Disney+ brasileiro, a temporada já chegou grande
Os três primeiros episódios de X-Men ’97 já estão no catálogo brasileiro do Disney+, com opção de dublagem em português. Para quem viu a 1ª temporada, a continuação não pede revisão longa: a trama retoma direto do caos deixado antes.
Quem nunca leu Age of Apocalypse também não fica travado. A série explica o suficiente. Só que ela claramente recompensa quem pega as camadas extras — e, depois desse começo com Rachel Summers, Horsemen e Wolverine ferido, o episódio 4 já entra pressionado a manter esse tamanho.